quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A Humilde Dúvida rv 03

Relacionado à necessidade de nos desenvolvermos como seres humanos, de forma a podermos estar em pontos cada vez mais altos da Montanha, é preciso que possamos viver em patamares mais elevados de existência, conforme indicado em artigos anteriores. E isto implica em passar a experenciar a vida e suas possibilidades de forma alternativa ao que fazemos, em nova perspectiva. Paralelamente a todo este conjunto de experiências, temos que desenvolver em cada um de nós a consciência do que representa a nossa inserção histórica dentro do processo de desenvolvimento humano, em outras palavras, a consciência do que é ser humano e qual a perspectiva para o nosso futuro.
Apesar de nos acreditarmos na vanguarda de tudo que já existiu no mundo, função em parte do espantoso desenvolvimento tecnológico que alcançamos como civilização, é preciso que tenhamos consciência de que o nosso desenvolvimento como seres humanos na história não se deu de forma contínua e linear. De fato, é razoável supor que em determinadas dimensões do  existir humano, civilizações passadas avançaram muito mais do que nós temos feito, ainda que o resultado desta caminhada esteja adormecido.
A arrogância em relação ao passado é decorrência da nossa aparente supremacia, e é portanto natural. É ela que nos faz olhar para o passado com certo desdém, com um sentimento de que tudo nele é “atrasado”. Mas para que possamos construir um futuro viável é preciso mudar de postura, é preciso que se assuma o que chamamos de HUMILDE DÚVIDA, aquela que fundamentalmente nos leva à perspectiva da curiosidade, possibilitando desta forma a realização do trabalho que precisamos levar a efeito para darmos o “próximo passo”.
Vale para o desenvolvimento deste sentimento, da HUMILDE DÚVIDA, a leitura da “Carta aos Reitores das Universidades Européias”, escrita pelo escritor / pensador / dramaturgo francês Antonin Artaud (1896 – 1948). Artaud viveu no limiar do seu tempo, tendo passado muitos anos internado em Hospitais Psiquiátricos, aonde foi submetido inclusive a incontáveis sessões de eletrochoques, naquela época tratamento de vanguarda para tratamento de “loucos”.
Assim ele escreve:
“Senhores Reitores,
Na estreita cisterna que os Srs. chamam de “Pensamento”, os raios espirituais apodrecem como palha.
Chega de jogos da linguagem, de artifícios da sintaxe, de prestidigitações com fórmulas, agora é preciso encontrar a grande Lei do coração, a Lei que não seja uma lei, uma prisão, mas um guia para o Espírito perdido no seu próprio labirinto. Além daquilo que a ciência jamais conseguirá alcançar, lá onde os feixes da razão se partem contra as nuvens, existe esse labirinto, núcleo central para o qual convergem todas as forças do ser, as nervuras últimas do Espírito. Nesse dédalo de muralhas móveis e sempre removidas, fora de todas as formas conhecidas do pensamento, nosso Espírito se agita, espreitando seus movimentos mais secretos e espontâneos, aqueles com um caráter de revelação, essa ária vinda de longe, caída do céu.
Mas a raça dos profetas extinguiu-se. A Europa cristaliza-se, mumifica-se lentamente sob as ataduras das suas fronteiras, das suas fábricas, dos seus tribunais, das suas universidades. O Espírito congelado racha entre lâminas minerais que se estreitam ao seu redor. A culpa é dos vossos sistemas embolorados, vossa lógica de 2 mais 2 fazem 4; a culpa é vossa, Reitores presos no laço dos silogismos. Os Srs. fabricam engenheiros, magistrados, médicos aos quais escapam os verdadeiros mistérios do corpo, as leis cósmicas do ser, falsos sábios, cegos para o além-terra, filósofos com a pretensão de reconstituir o Espírito. O menor ato de criação espontânea e um mundo mais complexo e revelador que qualquer metafísica.
Deixem-nos pois, os Senhores nada mais são que usurpadores. Com que direito pretendem canalizar a inteligência, dar diplomas ao Espírito?
Os Senhores nada sabem do Espírito, ignoram suas ramificações mais ocultas e essenciais, essas pegadas fósseis tão próximas das nossas próprias origens, rastros que às vezes conseguimos reconstituir sobre as mais obscuras jazidas dos nossos cérebros.
Em nome da vossa própria lógica, voz dizemos: a vida fede, Senhores. Olhem para seus rostos, considerem seus produtos. Pelo crivo dos vossos diplomas passa uma juventude abatida, perdida. Os Senhores são a chaga do mundo e tanto melhor para o mundo, mas que ele se acredite um pouco menos à frente da humanidade.”

Enxergar a relatividade da realidade em que se vive é um grande desafio mas também visão de extremo poder de mudança, de movimento. É ela que nos abre a possibilidade de enxergarmos a experiência no mundo como algo passível de ser vivido de forma alternativa, diferente da que vivemos atualmente. Lembrando do nosso navio, o mundo, que ruma para seu destino, hoje, mais do que nunca, é como se todos estivéssemos vivendo “presos” nos andares inferiores do mesmo, cegos, impedidos de enxergar o horizonte, este cheio de possibilidades.
DUVIDAR HUMILDEMENTE do que acreditamos ser a realidade, acreditar que pode existir um horizonte repleto de alternativas, e finalmente, buscar uma nova forma de entender e viver o mundo, é processo mais do que necessário para que a história da humanidade, do planeta e do Universo, para alegria de todos nós, possa dar o “próximo passo”.
Acredite nisto, exercite este humilde duvidar e descubra o poder desta postura em sua vida!
Abraços

Walter

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Civilização Quântica rev 04

Uma das características mais marcantes da atualidade diz respeito à informação e ao conhecimento. Nunca antes na história humana assistimos a tão ampla democratização do conhecimento e tão rápida e massiva distribuição da informação, uma realidade que tem impactado de forma dramática a nossa forma de vida.

No caso da informação, o advento da INTERNET transformou drasticamente o cenário, representando um salto qualitativo em relação ao que era possível com os tradicionais veículos de comunicação. As ferramentas de busca nos transformaram em capitães dos nossos destinos virtuais. Navegamentos livre e independentemente pela WEB. A informação em tempo real pulverizou distâncias e tempos.  Nossos equipamentos móveis agora nos mantém conectados nas 24 horas do dia. As próprias noções de dia e noite se confundiram nas comunidades sociais que se estabelecem em vários fusos horários. Assim, as fontes infinitas em número e independentes em suas ações acabaram tirarando da mão dos poderosos o controle sobre a informação. Neste sentido, duranta as últimas semanas assistimos à tentativa desesperada do governo Egípcio em retomar o controle do país através da derrubada do acesso à Internet, atitude considerada radical e inaceitável, constituindo-se, ao final, ao contrário do pretendido, em mais um fator para derrubada do regime.

Diante deste novo cenário, nós nos transformamos em vorazes consumidores da informação, atividade que tem tomado tempo cada vez maior em nossas vidas. O mundo virtual, principalmente para as novas gerações, tomou o espaço daquilo que chamávamos de mundo real, noção esta já pulverizada. É comum dizermos para nossos filhos "Sai desse computador e vai fazer alguma coisa... ", como se o mundo real não contemplasse esta nova dimensão. Na verdade, o mundo virtual passou a ser referência a ser seguida pelo mundo real. Para as novas gerações, a vida fora da conexão, do mundo virtual, quando visto de forma isolada transformou-se em algo quase sem graça. Nas relações virtuais, inclusive sexuais, as limitações reais são ultrapassadas nas múltiplas personalidades que podem ser assumidas nos perfis falsos ou fakes, como falam os mais jovens.

Por outro lado, muitos enxergam neste momento o reinar do exagero nesta tendência. Mas o mergulho no mundo virtual, mesmo com seus excessos, entendemos, é característica de movimento pendular, comum na dinâmica da história humana. Em outras palavras, a novidade com seus encantos, geralmente nos leva ao exagero.

Por limites não superáveis, ou seja, pelo fato de que jamais poderemos deixar de ter uma ação efetiva dentro da materialidade do mundo, que smpre precisaremos continuar nos alimentando, vestindo e produzindo bens, o futuro aponta para necessidade da busca de um novo equilíbrio. Ao contrário da tentativa do governo Egípcio que tentou voltar ao passado, o futuro, ao invés de negar, deve incorporar de forma equilibrada os avanços alcançados, ainda que levando a realidade totalmente inovadora.

Para a Filosofia RIBASA, o futuro reside na necessidade de levar o ser humano a um novo patamar de existência, pois como seres humanos ficamos obsoletos, impossibilitados de lidar, tanto individualmente quanto coletivamente, com a nossa própria obra. Se por um lado a ciência e o seu método nos levaram ao desenvolvimento de tecnologias tão poderosas como a Internet, nossa realidade como seres humanos integrais não acompanhou este processo, tendo ficado presa a uma grade de percepções compartilhadas coletivamente e que nos impossibilitam a evolução.

Sob pena de entrarmos em uma era de crise que nos levará a perder tudo que conquistamos durante a história da humanidade, é preciso superar o estágio atual da nossa existência e seguir para novo patamar. Otimista, acredito que vivemos justamente o limiar desta nova era, uma era única, nunca experimentada anteriormente, porque decorrência de um movimento necessariamente consciente da humanidade. 

Uma nova CIVILIZAÇÃO se desenha no horizonte e será chamada de QUÂNTICA, termo utilizado na Física (sobre este tema, em caso de interesse, verifique na internet o documentário WHAT THE BLEEP DO WE KNOW). O advento desta nova CIVILIZAÇÃO implicará em mudanças de dimensões comparáveis apenas ao que o planeta assistiu quando nos transformamos em seres humanos propriamente ditos há milhares de anos atrás. E a boa notícia é que para que isto ocorra já dispomos de toda a experiência e conjunto de ferramentas necessárias.

E é justamente para esta mudança e evolução que a Filosofia RIBASA vem dar sua contribuição. Temos que reconectar o ser humano e desenvolver aptidões que permitam a retomada do seu destino de acordo com tudo que ele atingiu. Temos que reinstaurar o tempo da ALQUIMIA, agora em nível QUÂNTICO, entrando em relação de troca com o mundo que nos cerca, condicão para realizarmos a GRANDE OBRA, ou seja, a nossa própria transmutação.

Abraços

Walter

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Situando rv 02

Por ter que se adaptar à nova realidade, o blog ficou sem novas publicações nos últimos 14 dias. No último dia 05, acompanhando o que foi publicado no artigo do dia 24/01/2011, “A CAMINHADA E UM NOVO DESAFIO”, iniciamos o programa sobre a Filosofia RIBASA na Rádio Mundial em São Paulo. São 30 minutos semanais, sempre aos sábados, às 15:30 horas, transmitidos nas freqüências FM 95,7 e AM 660. Para quem está fora da área de cobertura do sinal, o programa é disponibilizado via INTERNET, em tempo real, no site www.radiomundial.com.br .

Para aqueles interessados que não puderem acompanhar os programas ao vivo, estes em breve serão acessíveis no próprio Podcast do site da rádio. Pretendemos também em breve disponibilizar as gravações do programa da rádio no próprio blog, facilitando a comunicação e o acesso às informações, reduzindo também os prazos de publicação.

Como primeiro passo, a partir desta semana o blog passa a se integrar com os programas do rádio, ou seja, os artigos do blog tratarão dos temas abordados nos programas da Rádio. Assim, durante as semanas serão publicados tantos artigos quantos necessários para elucidar e aprofundar pontos apresentados durante o programa, já que o tempo disponível no rádio é muito restrito para tal empreitada. Ainda assim os artigos publicados guardarão completude, ou seja, poderão ser lidos sem que se tenha tido ou que se tenha que ter acesso ao programa do rádio correspondente.

Por tratar-se de reunião única e original de idéias, ainda que não isoladamente inovadoras, o objetivo do trabalho passa a ser a apresentação da FILOSOFIA RIBASA como um conjunto de ferramentas adequado para  subsidiar processos de mudanças na vida e no dia a dia das pessoas, a exemplo do que já fazemos na nossa fábrica em Colombo/PR. Neste sentido, passamos a denominar esta etapa do trabalho como CURSO PRÁTICO DA FILOSOFIA RIBASA.
É isto!

Abraços

Walter