terça-feira, 7 de junho de 2011

O Resgate da Marginalidade

Quando jovem, fã de Chico Buarque, gostava de ouvir a música “Homenagem ao Malandro”, de 1978, na qual Chico lamenta tempos idos, cantando “.... eu fui a Lapa e perdi a viagem porque aquela tal malandragem não existe mais”. Por razões similares, imaginei, e por ser dúvida  que não conseguia tirar da cabeça desde o evento do último sábado em São Paulo, resolvi buscar o significado da palavra MARGINAL. E a razão para esta busca reside no fato de que esta palavra, quando utilizada no contexto sociológico, ou seja, da convivência humana, vem sempre carregada de um sentimento muito negativo. A minha intenção, portanto, foi dupla, de um lado buscar entender a razão desta negatividade automática e de outro, buscar as bases para promover o RESGATE SAUDÁVEL da mesma, ação para a qual remete o título deste artigo.

Ontem, na busca pela palavra MARGINAL junto ao pai dos burros, o dicionário, encontrei o seguinte texto na rubrica sociologia: “diz-se de pessoa que vive entre duas culturas em conflito”. E na extensão deste, por derivação, “que vive à margem do meio social em que deveria estar integrado, desconsiderando os costumes, valores, leis e normas predominantes nesse meio; delinqüente, vagabundo; mendigo”. Bingo, havia encontrado a razão do meu desconforto!

O significado sociológico principal, potencialmente de caráter positivo, simplesmente desapareceu, por alguma razão, ficando apenas sua derivação negativa. Assim, quando nos deparamos com uma referência à pessoa MARGINAL, automaticamente associamos a esta uma imagem negativa no nível da delinqüência, do que é fora da lei, coisa típica de vagabundos, mendigos, assassinos ou terroristas, estes últimos atualmente em destaque na mídia internacional.

Por outro lado, de forma sintomática, não associamos a imagem de um CORRUPTO à de um marginal, provavelmente por esta prática estar disseminada em todo tecido da sociedade. O corrupto, neste sentido, tem sua imagem muito mais associada àquele novo malandro, segundo cantado por Chico Buarque, substituto daquele saudoso malandro da Lapa Carioca.

Mas alguns outros fatores podem também corroborar esta tendência que nos faz associar a marginalidade à criminalidade. Hoje, principalmente no mundo ocidental, não conseguimos mais imaginar uma pessoa que viva entre duas culturas e que, portanto, por esta razão seja marginal. Até o desaparecimento da antiga União Soviética, a dicotomia ideológica ainda era questão de importância, assombrando aqueles que acreditavam ou disseminavam a idéia de que comunistas comiam criançinhas. Mas a queda do muro de Berlim de certa forma sacramentou o fim desta dicotomia, transformando o mundo em uma massa única e sem graça ainda que disforme. Restaram no cenário mundial alguns países ditos comunistas, entre eles Cuba e China. Cuba, no entanto, já não é considerada como exemplo com peso ideológico e a China, para espanto geral, acabou abraçando de forma apaixonada as práticas do CAPITALISMO. Do comunismo propriamente dito, restaram apenas a elite do poder e a burocracia do sistema político, diga-se de passagem, fator facilitador da transformação econômica do país, já que decisões potencialmente polêmicas e impopulares são tomadas em rituais simples e rápidos, a moda do antigo comunismo, ou seja, sem qualquer oposição. Desta forma, evitam-se as perdas de tempo com os demorados trâmites requeridos para construção dos consensos, estes fundamentais e exigidos nos países democráticos.

Por outro lado, dentro do sistema econômico que domina o mundo atual, e isto coisa espantosa, movimentos que nascem com pretensões marginais, são todos eles engolidos pela mecânica do sistema, sempre que passíveis de se transformarem em mercadorias, que ao invés de obstacularem o avanço das engrenagens do mundo, as alimentam. Não importa o que seja, o importante é que seja potencialmente consumível. 

Assim, testemunhamos a morte da ideologia e do marginal que vivia entre suas fronteiras, todos massacrados pela única visão sobrevivente. Novas idéias, de qualquer natureza, por mais interessantes que sejam, passam a ocupar meramente um papel cultural, dentro da visão da diversidade. 

Portanto, à marginalidade são jogados atualmente, com a negatividade correspondente, apenas aqueles que ameaçam a “ORDEM”, seja a do seu prédio, do seu bairro, da sua cidade, do seu país ou mesmo do MUNDO. E os xerifes, pelo bem da justiça, sempre estão de plantão. A lei precisa ser cumprida. No caso do mundo, bem conhecidos, estes xerifes são sempre os mesmos, AMERICANOS à frente, trazendo na retaguarda os alegres INGLESES, os reticentes ALEMÃES e FRANCESES e ao final, os RUSSOS e CHINESES, ainda de castigo, não cabendo a eles ainda papel relevante nesta sempre vigilante empreitada POLICIAL. 

O fato é que a exemplo dos MALANDROS DA LAPA, já não existem mais os MARGINAIS IDEOLÓGICOS, aqueles que ousavam pensar um mundo diferente, um mundo fundamentado em outra ordem que não esta autoritária e destrutiva em que vivemos. Afinal, se não claro para todos ainda, o fato é que vivemos uma unanimidade entediante, burra e perigosa, mas muito poderosa. Tão poderosa que está conseguindo nos conduzir de forma quase hipnótica rumo a um grande desastre, colocando em risco a nossa própria sobrevivência como espécie no planeta. 

Dentro deste contexto de absolutismo burro é que a FILOSOFIA RIBASA vem apresentar seu conjunto de conceitos na forma de fundamentos que deverão ser utilizados para a construção de um mundo novo. E é dentro da lógica deste trabalho que estamos resgatando o significado positivo e saudável para a palavra MARGINAL.  

Quando iniciamos as atividades do evento do último dia 04 em São Paulo, período da tarde, sobre o qual fiz alguns comentários no último artigo “Pescaria na Avenida Paulista”, eu solicitei aos participantes que se apresentassem falando um pouco sobre a história da marginalidade de cada um deles. Apesar de assustados pelo primeiro impacto da solicitação, já que utilizando a palavra maldita, após algumas explicações, eles foram pouco a pouco se expressando com maior desenvoltura sobre o tema.  E o que mais ouvimos foi: “eu acho que sou marginal desde que me conheço por gente”. 

E este foi o grande feito do evento “Gotas de Vapor D’Água – Será você uma delas?”. Nós conseguimos reunir e resgatar um grupo de MARGINAIS SAUDÁVEIS. Eles não são do tipo antigo, aquele da marginalidade IDEOLÓGICA, mas representam um novo tipo. Pessoas que espalhadas pelo mundo, se sentem muito solitárias, muitas vezes perdidas, e que andam procurando incansavelmente seu rumo e destino. 

No mundo atual, estes novos MARGINAIS, os MARGINAIS SAUDÁVEIS, sob a ótica da Filosofia Ribasa, têm um perfil todo especial, do qual vou apresentar os pontos principais, apresentados pelos próprios participantes do nosso evento de forma espontânea.

1. Todo MARGINAL SAUDÁVEL sente um vazio na sua vida, um sentimento que não consegue ser preenchido com as atividades e promessas que o mundo apresenta. Em alguns casos, como foi relatado, este sentimento de vazio pode crescer, levando aos conhecidos sintomas de depressão, síndrome de pânico ou outros;
2. Todo MARGINAL SAUDÁVEL tem grandes dificuldades em se enquadrar em qualquer movimento formal, seja ele de caráter religioso ou místico, como as chamadas escolas da NOVA ERA. Muitos deles já tentaram, diversas vezes, o enquadramento, mas depois de um certo tempo, acabam abandonando a iniciativa.
3. Todo MARGINAL SAUDÁVEL  é premido por uma sensação de missão, de algo que ele precisa realizar na sua vida. Neste sentido, ele se preocupa com o desperdício de tempo, relacionado à dificuldade de encontrar o seu caminho;
4. Todo MARGINAL SAUDÁVEL sente que existe algo além do que lhe é apresentado pelo mundo. Sabe também que é algo que tem que ser atingido através de esforço, mas solitário, não tem exata noção do que seja.
5. Todo MARGINAL SAUDÁVEL em algum momento pensa ser ele o único responsável pela própria infelicidade, não entendendo a razão de ser ele, presumivelmente, o único peixe fora d’ água, em meio a tanta alegria no mundo.
6. Todo MARGINAL SAUDÁVEL sente uma sede que não é aplacada por nada do que ele conhece ou tem, seja trabalho, dinheiro, casamento ou filhos, enfim, uma sede insaciável e ainda assim, todo MARGINAL SAUDÁVEL busca apenas um mundo melhor.

É com este MARGINAL SAUDÁVEL que a Filosofia Ribasa vai trabalhar, pois é ele o único que pode assumir a responsabilidade representada pela necessidade de construção de um mundo novo. Assim, se você se identificou com o perfil do MARGINAL SAUDÁVEL, entre em contato conosco e junte-se a nós.

Abraços

Walter

Pescaria na Avenida Paulista

Como anunciado, inclusive com inserções diárias na Rádio Mundial durante a última semana, no último dia 04/06, sábado, realizamos nosso primeiro evento público sobre a Filosofia Ribasa em São Paulo, intitulado “Gotas de Vapor D’Água – Será você uma delas?”.

Depois de cinco meses de pescaria, período no qual as redes da Filosofia Ribasa foram lançadas ao mar, ou melhor, ao ar, pelas ondas da Rádio Mundial, no último sábado enfrentamos a hora da verdade, ou seja, a hora de puxarmos nossa rede para conhecermos o resultado desta pescaria.

Confesso que desde que foi feito o anúncio do evento, no programa ao vivo do último dia 28/05 e também neste blog, passei a reviver as sensações de uma experiência comum na minha infância, quando acompanhava lá nas praias de Santa Catarina os pescadores artesanais puxarem suas grandes redes. Processo longo e demorado, a arte exigia a cooperação e esforço de muitos pescadores, além da coordenação das frentes que puxavam para a praia as suas duas pontas. Retiradas das águas aos poucos, as redes iam ficando pelas areias, deixando um rastro que se desenhava com contornos de serpente. Ansiedade e curiosidade eram os sentimentos que me tomavam e eu ficava tentando adivinhar se a pesca seria exitosa ou um fracasso, e em caso de êxito, quais seriam os peixes que seriam retirados do mar.

Foi este o sentimento que experimentei durante toda a última semana, período em que a rede da Filosofia Ribasa foi sendo puxada. À medida que a data do evento se aproximava, a exemplo do que acontece na pesca de rede, fui recebendo as inscrições, simbolicamente representando aqueles peixes, que apesar de ainda não podermos identificar, ficam saltando na superfície do mar.

Apesar de extensa, a rede da Filosofia Ribasa que lançamos ao mar era de malha muito grossa. Afinal por ser uma pesca de natureza especial, buscava apenas peixes muito raros e exóticos. Por esta razão não esperávamos uma pesca de tainha, aquela em que se pode em lance de sorte, retirar até 120 mil tainhas do mar numa única puxada, justamente nesta época do ano na região de Florianópolis.

Chegado o grande dia, quando a rede da Filosofia foi trazida à praia, no Auditório da Avenida Paulista 2200, conseguimos contar 14 pessoas no evento em seus dois períodos. Alguns podem pensar que a pesca foi um fracasso, mas eu posso afirmar, com certeza, que FOI UMA GRANDE PESCARIA. Eu não poderia imaginar melhor. Todas as pessoas que compareceram ao evento, sem exceção, são muito especiais, e representaram com exatidão o perfil do público alvo para o qual foi trazida à Terra a Filosofia Ribasa.

Ao contrário do objetivo final da pesca da tainha, o resultado da primeira pesca da Filosofia Ribasa em São Paulo representou o início de um trabalho que vai nos conduzir à vida, como dito nos artigos anteriores, através da construção dos alicerces para um mundo novo. Como operários especiais que são, não qualificados para tal nas escolas do mundo atual, reunimos a primeira turma de trabalhadores, que tenho certeza, irão ajudar decisivamente nos trabalhos que serão desenvolvidos a partir de agora.

Aguardem notícias!

Walter

domingo, 29 de maio de 2011

Gotas de Vapor D'Ägua - Será você uma delas?

Áudio Programa Rádio Mundial 28.05.2011

Como comentei nos dois últimos sábados, no Programa da Rádio Mundial, o porgram de ontem, sábado dia 28/04/2011, foi o último programa da primeira série de apresentações da Filosofia Ribasa na Rádio Mundial, total nesta etapa dezessete programas, o primeiro no dia 05 de fevereiro passado. Agora vamos dar uma pausa nos programas da Rádio enquanto estruturamos a segunda etapa do trabalho.

Confesso que levar ao ar o programa durante estes quatro meses representou um desafio muito grande. Com base em uma busca silenciosa de 35 anos, trazer a público e ao vivo a Filosofia Ribasa foi passo importante na minha vida, na verdade a quebra do meu silêncio e solidão quanto a este trabalho. Por outro lado, representou um passo importante no caminho da realização do que considero minha missão única na vida, qual seja, de auxiliar pessoas que buscam ajuda, aquelas que já não acreditam mais nas promessas fáceis deste mundo em que vivemos e que buscam algo novo. Para estas pessoas quero mostrar o caminho para um novo mundo, que tenho certeza, será realidade em breve, mesmo que a custas de grandes transformações que trarão no seu rastro grande sofrimento para todos nós.

Provavelmente para algumas pessoas que conviveram comigo, principalmente durante minha carreira profissional, o programa na Rádio Mundial e mesmo as idéias dos artigos deste blog podem causar grande surpresa. Diante do fato de ter sido executivo de várias empresas, as pessoas podem considerar como dissonantes as idéias que espalho aos ventos atualmente. Pode parecer mesmo que esta foi uma guinada brusca, quase injustificável. Mas não sabem ou não sabiam que minha busca verdadeira é fruto de toda existência e que na verdade, a própria decisão de participar do mundo de forma tradicional, o que me levou àquelas posições que ocupei, foi baseada em uma decisão consciente, uma etapa de aprendizado pela qual eu precisava passar. E assim foi durante muitos anos. Mas por todos, tenho a maior estima e amor!

Mas voltando ao programa da Rádio e ao trabalho da Filosofia Ribasa, posso afirmar que os programas de todos os sábados, com seus 30 minutos ao vivo, exigiram grande esforço e dedicação da minha parte, afinal, a Filosofia Ribasa não existe como um sistema estruturado conceitualmente. Não existe um livro, algo que possa ser apontado como referência. E tudo isto deixa as pessoas um pouco ou bastante confusas.

Para que você possa entender o desafio e como foi desenvolvido o que hoje chamamos de Filosofia Ribasa, vou contar um conto que eu li há muitos anos atrás e que ilustra muito bem, como imagem, o trabalho e seu objetivo.

Era uma vez um rio caudaloso, cujas águas corriam em volumes cada vez maiores desde as suas nascentes e que queriam de qualquer maneira chegar a seu destino, o mar, do qual já haviam ouvido falar e que todos diziam ser um lugar maravilhoso. As águas seguiam seu curso descendo por entre montanhas e vales na busca pelo mar. Mas mesmo com toda a sua força e poder, no caminho para o mar elas sempre encontravam um deserto, de grande extensão e areias escaldantes, um deserto que as impedia de chegar a seu destino. Por mais que lutassem, não conseguiam ultrapassá-lo, desaparecendo sem deixar rastros. Assim ano após anos, sempre renovadas, as águas tentavam vencer o deserto, sem sucesso. E o destino delas era sempre o mesmo, desaparecer no deserto, mergulhadas em suas areias sedentas.

Até que um dia, uma gotinha tímida, muito pequena diante da imensa grandeza daquele rio, uma gotinha que durante toda sua vida buscara solitariamente encontrar o caminho para o mar, encontrou a solução. Mesmo sabendo da sua insignificância, superando sua timidez, diante da maravilha que tinha encontrado, resolveu se manifestar na assembléia dos grandes líderes da água, pedindo a palavra.

E ela disse: eu sei o motivo pelo qual nós não conseguimos chegar ao mar. É que nós insistimos em manter a nossa natureza. E eu descobri a forma como podemos mudar esta história. Ao invés de continuarmos nesta luta com o deserto, no qual mergulhamos e desaparecemos, nós precisamos transformar nossa natureza, mudar o patamar de nossa existência antes que mergulhemos nas areias do deserto, para que assim possamos continuar viajando rumo ao nosso destino.

Já impacientes com aquelas palavras, sem entender absolutamente nada, os grandes líderes da água protestaram: como assim, mudar o patamar de existência, o que você quer dizer com isto? Fale logo o que tem para dizer pois nós não temos tempo para ficar ouvindo bobagens, nós temos coisas mais importantes para tratar. Afinal, nós sempre fomos, ainda somos e sempre seremos água. Certamente não existe esta coisa que você chama de outro patamar de existência.

E a gotinha gritou: existe sim!!!. Nós podemos mudar nosso patamar de existência, deixando de ser líquidos para nos transformarmos em vapor d’água. E assim, se nos unirmos neste trabalho, utilizando as ferramentas adequadas, antes de chegarmos às areias do deserto, cuja sede não tem fim, vamos deixar que o calor do grande sol, da grande luz nos transforme pela evaporação. Vamos formar grandes nuvens e assim, com a ajuda dos ventos, seguir até o mar, o nosso destino final.

A afirmação causou maior alvoroço na Assembléia. Vapor? O que é isto? Esta coisa não existe no nosso mundo. Mas de fato, a pequena gota d’água, apesar da sua aparência ainda liquida, já era em Espírito PURO VAPOR, em novo estado de ser. Mas como era voz solitária acabou sendo expulsa da Assembléia, já que as águas estavam mais preocupadas com o desenvolvimento e planejamento das coisas líquidas. E assim elas continuaram correndo rumo ao deserto. E a gotinha, sem conseguir mudar o mundo, foi procurar novas companheiras.

Este é o nosso conto, que ainda continua, mas cujo final contarei em outra ocasião. Por enquanto paramos por aqui, pois o que interessa é que a exemplo da gotinha d’água a Filosofia Ribasa também propõe algo alternativa semelhante. Todos nós, lá no nosso íntimo, somos impelidos a chegar ao grande mar, que para uns é DEUS, NOSSO PAI, a eternidade, como quiserem. Mas estamos mergulhados no mundo que trabalha apenas no desenvolvimento da nossa humanidade na sua forma antiga, ancestral. E desta forma, neste caminho, acabamos mergulhando sempre no grande deserto, o deserto da morte, sem que tenhamos chegado ao grande mar. Acumulamos riquezas, acumulamos bens, acumulamos poder. Mas ao final, todas estas coisas pelas quais lutamos se transformam em areia e nós acabamos mergulhados na imensidão do nada, do deserto da morte.

A proposta da Filosofia Ribasa é, a exemplo do sugerido por aquela pequena gotinha d’água, que possamos nos transformar, mudando de patamar de existência. Ao invés de continuarmos presos a nossa ancestralidade, ao que é antigo, imaginando que a realização desta nos levará ao nosso destino, o que já se mostrou como grande engano, temos que trabalhar para o desenvolvimento da nossa espiritualidade, esta sim a dimensão do novo patamar para nossa existência, a dimensão etérea do Vapor.

A busca que empreendi durante estes 35 anos foi a mesma empreendida por aquela pequena gota d’água. Sempre as margens do grande rio, procurei encontrar uma alternativa para o deserto que se aproximava. Até que depois de anos e anos de busca, depois de muito esforço, eu me transformei em VAPOR D’ÁGUA, descobrindo que esta á a forma pela qual podemos chegar à imensidão do mar.

Assim, uma vez descoberta a forma, eu quis compartilhar esta maravilha com todo mundo, com muito mais gotinhas. E assim fui levado a comprar uma empresa falida, chamada Moller e que se transformou na Ribasa, que hoje passa por grandes dificuldades, mas que insiste em se manter viva, como uma nuvem cheia de gotinhas que seguem juntas para o mar.

Mas a nuvem poderia ser maior, pensei. E assim, decidi iniciar o programa na Rádio Mundial. A cada programa me esforcei muito para mostrar as ouvintes que existe um patamar de existência que nos projeta para outro estado de ser, um estado que podemos atingir com a utilização das ferramentas adequadas, e que nos permite superar o deserto da morte, nos transformando em seres eternos, unidos ao grande mar da luz.

Mas eu sou só uma gotinha. Não sou famoso, não tenho livros escritos e ninguém nunca ouviu falar desta tal de Filosofia Ribasa. E assim, sempre quando eu terminava cada programa eu ficava sentado na Avenida Paulista, sozinho, pensando se eu havia conseguido despertar alguém para a existência deste novo estado de ser. E confesso que muitas vezes fiquei triste, me culpando por provavelmente não ter conseguido.

Diante da força do mundo, com o poder das suas falsas promessas de felicidade, que força teria uma pequena gotinha neste rio caudaloso. Mas eu acreditei na misericórdia divina e no que tem que ser. Na verdade, nestes últimos meses, através das freqüências da Rádio Mundial, AM e FM e dos seus programas online na internet e também através deste blog, eu tenho jogado a minha rede na imensidão das águas do mundo, procurando por mais gotinhas de vapor d’água.

E eu sei que elas existem, que não estou sozinho e que um dia nós vamos nos encontrar. Estes dias, inclusive, olhando as estatísticas de acesso ao blog descobri espantado que pessoas de vários países, entre eles, Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Portugal, Hungria e até Cingapura, acessam os artigos publicados.

Portanto caro leitor, agora que eu já estou encerrando esta etapa de apresentação na Assembléia do Mundo das águas, eu vou chamar você para a primeira reunião das gotinhas de vapor d’água do novo mundo. Vamos tentar nos unir para podermos formar a nossa nuvem, que poderá ser pequena inicialmente, mas que tenho certeza, um dia tomará o mundo e o levará ao seu destino em nova dimensão.

No próximo sábado, dia 04 de junho, no auditório do prédio da Rádio Mundial, na Avenida Paulista 2200, em São Paulo, nós estaremos reunindo as gotinhas de vapor d’água ou mesmo aquela gotas ainda líquidas, mas que querem aprender a se vaporizar, a partir das 09:30h da manhã. Na verdade ficaremos aqui até a tarde, lá pelas 17:00 ou 18:00 h.

Serão duas palestras mais organizadas, uma pela manhã, iniciando as 10:00 h e outra a tarde, iniciando as 14:00 h. Mas o espaço estará aberto e a participação e contribuições de todos será muito importante. Se você é uma gotinha de vapor d’água ou candidato a ser, e puder vir, venha a qualquer hora.

No evento nós também estaremos tratando da estruturação da segunda etapa do trabalho da Filosofia Ribasa, ou seja, de como vamos nos reunir para formarmos nossa grande nuvem. Portanto, não deixe de participar. Todas as gotinhas são importantes, por menores que sejam ou pensem ser.

Ah.... não posso esquecer de lembrara que a participação no evento não terá qualquer custo. A participação será gratuita. Para participar, basta entrar em contato conosco pelo telefone 011 9978 6766 ou pelo e-mail, walter@ribasa.com.br.

Para aquelas pessoas que residem em outras cidades ou estados, como é o caso dos ouvintes do Mato Grosso e mesmo do Paraná e outros estados, até países, se quiserem realizar um encontro na sua região, entrem em contato conosco. Nós estaremos organizando estes eventos também. Não precisa ser algo grandioso, como eu já disse. Se você acredita que vale a pena, entre em contato com a gente que nós vamos tentar organizar um encontro com o seu grupo.

Por hoje é só! Um grande abraço a todos!

domingo, 22 de maio de 2011

A Grande Diferença

Áudio Progama Rádio Mundial 21.05.2011

Neste artigo vamos abordar os impactos que as idéias que tenho apresentado neste blog e também nos programas de Rádio causam sobre as pessoas.

Mas antes quero lembrar que o trabalho da Filosofia Ribasa foi desenvolvido a partir da percepção do difícil cenário em que vivemos no mundo atual. Explico melhor: Como relatei em um dos primeiros artigos do blog, a experiência bem sucedida da minha busca pessoal empreendida durante os últimos 35 anos, que se transformou nos últimos três anos em um sistema filosófico, a Filosofia Ribasa, teve como motor inicial a dificuldade de encontrar conforto em um mundo percebido como totalitário e de estreita visão, caracterizando-se assim como a busca por uma janela, um espaço para o olhar alternativo sobre o passado, o presente e mais do que isto, sobre o futuro. Desta forma o trabalho da Filosofia Ribasa se propõe a estruturar um caminho para uma nova forma de expressão da nossa humanidade, a partir do desenvolvimento de nosso potencial espiritual.

E para esclarecer, quando citamos o difícil cenário em que vivemos no mundo atual, estamos nos referindo aos grandes problemas que enfrentamos como humanidade, problemas estes criados por nós seres humanos e que ameaçam nosso futuro. Como já citado, podemos conhecer uma árvore pelos seus frutos. Portanto, considerando as conseqüências do nosso modo de vida sobre o planeta, temos que considerar estes como frutos de má qualidade, já que de natureza negativa, razão pela qual precisamos repensar o paradigma que sustenta o mundo, ou seja, a árvore mãe do tempo atual.

Mas como já comentado antes, diante da perspectiva e necessidade de mudança, precisamos estar aptos a preservar os tesouros, não poucos, que acumulamos durante nossa história, razão pela qual devemos utilizar a figura de um ENXERTO quando pensamos na constituição da árvore para os novos tempos.

Como vamos tratar dos impactos das idéias sobre as pessoas, não podemos esquecer que todos nós ainda vivemos no mundo atual, e que este não deixa de lançar sobre nós seus poderosos feitiços. Portanto a alusão às dificuldades do cenário maior do mundo, se considerado de forma consciente nos impõem o limite de não podermos mais viver apenas na perspectiva do conforto e dos interesses pessoais. Ainda que isto seja possível, ou seja, que possamos encarar a vida apenas do ponto de vista dos interesses pessoais, a instabilidade do cenário maior, do mundo em sua dinâmica, acaba impondo a cada um de nós a responsabilidade de pensar em escala maior.

Não podemos enfiar a cabeça na terra, como os avestruzes, fingindo que os problemas não estão relacionados conosco. Também não podemos agir como crianças, que diante de uma tempestade com raios e trovões se escondem debaixo dos cobertores, rezando para que tudo volte ao normal. As coisas não vão mais voltar ao normal.

Portanto, ainda que possamos encontra situações individuais de conforto, ao enxergarmos a situação do todo, se estamos conscientes de que as coisas seguem em caminho difícil, precisamos agir dentro da necessidade do interesse maior, ou seja, da busca de uma revisão profunda do paradigma que dá sustentação ao mundo atual.

E esta nossa situação é muito similar a dos habitantes de Pompéia, cidade que no ano de 79 foi surpreendida por uma erupção do vulcão Vesúvio que acabou devastando a vida na cidade de forma muito rápida. Se seguirmos em nossas vidas como se nada estivesse acontecendo, podemos ser pegos de surpresa por uma erupção, assim como foram eles.

Mas para aquela população a surpresa era justificável, já que faltavam recursos para prever o desastre. Mas o mesmo não pode ser alegado nos dias atuais, já que estamos sendo avisados, quase que diariamente que precisamos tomar providências urgentes para podermos garantir a nossa possibilidade de futuro. Mas nós agimos como se estes avisos estivessem relacionados apenas à providências que devem ser tomadas ao nível dos governos, o que do ponto de vista da Filosofia Ribasa é um grande engano.

Por outro lado, temos que lembrar que estes avisos que temos recebido não são da mesma natureza dos eventos que atingiram Pompéia ou mesmo as cidades atingidas pelos recentes terremoto e tsunami no Japão. Enquanto aqueles foram causados por fenômenos da natureza, atualmente estamos envolvidos em uma crise mais profunda e potencialmente mais perigosa, já que causada por problemas relacionados à natureza humana. E na crise atual, que tende a piorar, não teremos como fugir do desastre para lugares seguros, pois ela afetará todos igualmente, em todos os lugares.

Nos eventos do Japão, os avisos prévios, as sirenes que ecoaram pelas cidades ameaçadas pelo tsunami permitiram que milhares de vidas fossem salvas.
Da mesma forma, diante dos sinais que temos recebido, como foi o caso da crise financeira internacional de 2008, ainda que não possamos fugir para um lugar seguro, precisamos despertar para a necessidade de tomarmos providências que nos dêem condições para enfrentamento do colapso que se aproxima. Como já comentado anteriormente precisamos nos preparar para a fase crítica inicial e também para a sustentação que será necessária nas fases seguintes.

Voltando ao foco desta primeira parte do artigo, posso afirmar que enquanto algumas pessoas ficam entusiasmadas, encontrando eco para o que elas mesmas pensam e sentem, outras ao contrário, se sentem deprimidas e desesperançadas, principalmente aquelas que se encontram engajadas em planos positivos para a própria vida, com planos de médio e longo prazo  estruturados dentro da dinâmica do modelo atual de mundo.

Estas últimas são as que mais sofrem, pois encarando com seriedade o que temos apresentado, normalmente entram em estado de dúvida, questionando-se sobre a validade de continuarem fazendo os sacrifícios exigidos para a realização de seus planos pessoais para o futuro. Estes se sentem provavelmente como os habitantes de Pompéia que eventualmente avisados da iminência da explosão do vulcão, hesitaram em abandonar a vida como a conheciam, com toda a segurança e conforto que alcançaram.

Do ponto de vista da Filosofia Ribasa, quanto a estas duas posições, cabem dois comentários:

Em primeiro lugar nós não estamos propondo e nem pensamos em propor qualquer alternativa que signifique abandonar o mundo, a família, os amigos, o trabalho, os planos, enfim tudo que nós realizamos no dia a dia, partindo para criação de algum tipo de sociedade alternativa fora do mundo atual. Nós não acreditamos nesta alternativa e não acreditamos que ela tenha qualquer valor maior se considerarmos a dinâmica avassaladora do processo em que estamos mergulhados.

Em segundo lugar, a Filosofia Ribasa não é pessimista, muito pelo contrário, por essência é otimista acreditando poder contribuir com a construção de novos fundamentos que poderão levar a humanidade a novo patamar de existência, tanto individual como coletivamente, superando o difícil estágio atual das coisas.

Se nos nossos programas ressaltamos com freqüência aspectos negativos da realidade atual é porque trabalhamos na vertente da necessidade de provocarmos A SUA DECISÃO PESSOAL no sentido de que seja iniciado o trabalho de construção dos fundamentos de um novo mundo. Assim, apresentamos várias técnicas e perspectivas que podem auxiliar neste processo. Em outras palavras, esta alusão a coisas negativas da realidade é apenas um ASPECTO TÉCNICO, de forma alguma constituindo o objetivo da Filosofia Ribasa, que repito, é essencialmente otimista.

Além destes tópicos quero abordar também neste artigo uma característica vinculada à outra dimensão das nossas vidas, ligada a nossa espiritualidade, e que terá importância fundamental dentro da nova etapa de trabalho da Filosofia Ribasa que deverá ser iniciada em breve.

Para nós é claro que como seres humanos nós fazemos parte, de forma orgânica, a vida na Terra, compondo a natureza que permite a vida na forma como ela é conhecida. Algumas pessoas já chegaram a afirmar somos descendentes de seres alienígenas, razão da nossa diferenciação. Mas o fato é que a ciência nos mostrou que somos muito mais próximos das demais espécies que habitam o planeta do que imaginávamos tempos atrás. Por outro lado, não podemos negar que nós nos diferenciamos radicalmente das demais formas de vida. E é esta diferenciação que nos permite dominar o planeta, não pela nossa presença que tomou todos os espaços habitáveis do planeta, pois assim também fizeram os dinossauros, mas principalmente pela nossa capacidade de transformação criativa, um poder que transformou inclusive a aparência do nosso planeta, uma verdadeira maravilha sob certos aspectos.

Mas diante das maravilhas que criamos e realizamos, nos perguntamos sobre a origem desta diferenciação. Para nós da Filosofia Ribasa, a diferença entre seres humanos e demais espécies é relativamente pequena e aparentemente banal, mas de fato de origem toda especial e por isso mesmo de consequências brutais.

Do ponto de vista da sua natureza, a diferença, no entender da Filosofia Ribasa, tem origem na espiritualidade, ou seja, algo de tamanho impacto que pode potencialmente dar novo significado a nossa existência, remetendo-nos para uma dimensão que se sobressai sobre todas as capacidades que foram desenvolvidas no planeta durante os bilhões de anos de sua existência.

E eu estou me referindo a nossa capacidade de FALAR. O PODER FALAR é a grande diferença. E não devemos confundir o FALAR com o simples COMUNICAR, mesmo que relacionados. Afinal quando FALAMOS nós nos COMUNICAMOS, mas não precisamos FALAR para nos COMUNICAR, que é o que acontece com muitas outras espécies. Portanto, o FALAR vai muito além do COMUNICAR, sendo algo de natureza distinta, ou seja, ESPIRITUAL.

O FALAR para a Filosofia Ribasa é a ferramenta pela qual nós adquirimos o poder de superação das barreiras do tempo e do espaço, possibilidade expandida pela escrita.
Pelo FALAR nós podemos compartilhar o passado, trazendo-o para o presente e também projetar o futuro. Assim, o conhecimento que desenvolvemos pode ser compartilhado no tempo, passado de geração em geração. E não só o conhecimento, mas também valores, experiências, enfim toda a dimensão humana. O poder desta diferença é tão brutal, que hoje, através da Internet, pulverizamos inclusive as distâncias que nos separam em termos mundiais, nos colocando em contato diário de convivência, esta entendida em seu sentido mais amplo, com pessoas de todos os cantos do mundo.

Não posso deixar de citar, pois de grande impacto sobre a minha vida quando fui iluminado constatando a importância capital desta característica humana única, o FALAR, ainda que possa ser execrado por muitos, da abordagem que a Bíblia dá a esta questão, respeitando as dimensões distintas. Mas eu cito, segundo diz João 1: 1-3

“NO PRINCÍPIO ERA O VERBO, E O VERBO ESTAVA COM DEUS, E O VERBO ERA DEUS. ELE ESTAVA NO PRINCÍPIO COM DEUS. TODAS AS COISAS FORAM FEITAS ATRAVÉS DELE”

Portanto, relacionado com o texto acima, da Bíblia, para a Filosofia Ribasa, a  capacidade de FALAR do ser humano, de utilização do VERBO, mesmo que em outra dimensão, que se constitui em sinal inequívoco da dimensão ESPIRITUAL do ser humano, o que nos ultrapassar, potencialmente, nossa natureza mais básica, aquela que compartilhamos com outras espécies.

E mais, ainda que estejamos utilizando este PODER de natureza ESPIRITUAL no viés da realização da nossa natureza ancestral, das nossas forças psíquicas ancestrais como temos afirmado em nossos artigos, ou seja, de maneira distorcida, a potencialidade que a FILOSOFIA RIBASA aponta para o futuro, indica que podemos utilizar este dom da FALA, esse dom ESPIRITUAL para sobrepujarmos definitivamente o nosso estado ancestral, fundamentando o início de nova era.

E é aí que as coisas se ampliam, pois a capacidade de FALAR no indivíduo se apresenta apenas como potência, realizando-se de fato apenas através do OUTRO, ou seja, quando FALAMOS concretamente. Assim, podemos concluir que nós nos transformamos em SERES HUMANOS efetivos apenas através do nosso próximo, no espaço em que ocorre a FALA. Aí está também reside a importância do AMOR ao próximo, a mensagem maior de Jesus Cristo.

E para a Filosofia Ribasa, este poder do verbo, na nossa dimensão humana, no que tange a possibilidade superação do estágio atual de desenvolvimento humano, precisa ser celebrado através de um acordo expresso com o próximo.

Assim, como exemplo, posso citar a razão pela qual utilizamos a Filosofia Ribasa como fundamento das nossas relações de trabalho na nossa empresa lá em Colombo no Paraná, na grande Curitiba. O objetivo do trabalho para nós deixa de ser simplesmente o que temos no mundo tradicional, a troca do dinheiro pelo trabalho. Dentro da RIBASA como empresa, o que procuramos é que cada colaborador através da sua relação com os seus colegas, clientes e fornecedores, estabeleça um cenário consciente e expresso para construção de uma nova realidade tanto a nível individual como coletivo.

A expressão deste acordo, baseado no que tenho chamado de decisão pessoal, objetivo dos nossos artigos até o momento, é fundamental. Quando reconhecemos que a nossa espiritualidade tem sido usada de forma distorcida, a serviço das nossas forças psíquicas ancestrais, a decisão expressa pelo falar na relação com os outros, transforma-se em ferramenta extremamente poderosa de desenvolvimento mútuo.

Ainda que eu tenha apresentado a possibilidade de realização de um trabalho individual, ou seja, a possibilidade de nos transformarmos através do outro sem que este seja parte expressa e consciente do processo, o fato é que quando este processo dá-se de forma compartilhada, ou seja, quando vários pólos atuam no mesmo sentido, o poder de transformação é multiplicado de forma fantástica.

Que assim seja!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nós Podemos Muito Mais!

No nosso penúltimo artigo, também tema do programa na Rádio Mundial em 14/05/2011, comentamos o fato de estarmos vivendo dentro de um sistema econômico que se apropria dos mecanismos mais básicos e ancestrais da nossa psique, principalmente aqueles de caráter negativo, vinculados a nossa natureza competitiva.

Esta apropriação, tese também defendida pela ECONOMIA COMPORTAMENTAL, um ramo da Psicologia, garante o funcionamento vigoroso da economia, já que põe em marcha processos muito poderosos da natureza humana, não só nos aspectos individuais, mas também coletivos, de interação social.

Partindo do pressuposto, com o qual concordamos, de que esta correlação existe, uma questão fundamental precisa ser respondida: será que a adesão à mecânica que dá sustentação ao sistema econômico em que vivemos, do ponto de vista psicológico, acontece de forma natural, automática e voluntária ou faz parte de um processo coercitivo, mesmo que sutil, contrapondo-se ou sufocando potenciais características   que poderiam se desenvolver alternativamente?

A resposta a esta questão é de importância fundamental pois se pudermos concluir que de fato existe coerção no processo de adesão ao sistema, poderemos abrir novos horizontes de possibilidades para a existência humana, tese defendida pela Filosofia Ribasa, permitindo-nos imaginar e estruturar novos modelos sociais, a partir de novas perspectivas econômicas.

Tenho o pressentimento ou quase certeza de que a adesão ao modelo econômico dá-se de forma coercitiva, ainda que não totalmente, já que baseado em forças que realmente existem no ser humano. A questão é que eventualmente as forças que são apropriadas pelo sistema não precisariam assumir forma tão dominante. Neste caso poderíamos imaginar outro desenho para a existência humana sobre o planeta. Ainda que isto seja difícil de ser pensado como opção no passado, sem dúvida é hipótese que deve ser considerada quando pensamos os problemas do presente e projetamos o futuro.

Ainda que estejamos vivendo uma época de extrema prosperidade material, na qual as promessas de felicidade estão todas centradas no consumo, este constantemente projetado no futuro, ou seja, aquilo que ainda não temos - um carro novo, casa nova, aquela piscina, a próxima viagem - podemos afirmar que este sistema que se retroalimenta, por se basear em um conjunto limitado de forças psíquicas, gera uma condição deplorável e pobre em termos de existência humana, cujo reflexo podemos perceber nas nossas vidas e no mundo como um todo.

A cenoura da felicidade, ou seja, o desejo ainda não realizado traduzido como a felicidade a ser alcançada, passa a ser a nossa grande motivação. Uma cenoura que perseguimos incansavelmente e que quando alcançada, como que se evapora rapidamente, renascendo como Fênix na forma de um novo desejo, ainda maior, que novamente se projeta no nosso futuro.

Devido à liquidez financeira, fundamento do sistema de crédito, este o grande milagre que está a serviço da realização dos nossos sonhos, já podemos inclusive comer a cenoura antes de corrermos atrás dela. Como resultado, milhões de pessoas convivem com dezenas de prestações que precisam ser pagas, normalmente cenouras que já foram comidas.

Voltando a questão da coerção, podemos afirmar que a sua abordagem na perspectiva da Filosofia Ribasa significa procurar desvendar a forma como ela se dá no tempo de vida de cada ser humano. É responder ao QUANDO e COMO, afinal, o sistema econômico como o conhecemos não é natural, ainda que alicerçado sobre forças que o sejam.

E assim cabe a pergunta pessoal, que eu quero dirigir a você leitor, sobre suas memórias pessoais deste processo, no seu caso específico. Para ajudá-lo vou relacionar algumas perguntas:

1. Em algum momento da sua vida você se sentiu um rebelde, ou seja, contrário ao que a maioria ao seu redor defendiam?
2. Em algum momento da sua vida você acreditou que o mundo poderia ser diferente, melhor?
3. Quando você foi obrigado a se enquadrar no “modelão” você ficou animado com as recompensas que poderia alcançar ou você sentiu um gosto amargo?
 4. E quando entrou no “jogo” você se sentiu impotente ou achou que tinha achado finalmente a sua praia?
5. E hoje, ainda existe em você, lá no fundo, um sentimento de inquietação, de desajuste?

O que vemos é que muitas pessoas se sentem desconfortáveis vivendo apenas de acordo com os ditames do sistema. Os jovens, mesmo os recém formados, já enfrentam a depressão diante da necessidade de serem “obrigados” a mergulhar e abraçar o “sistema”. Para muitos deles as recompensas materiais já não são suficientemente atraentes. Por outro lado, as baladas, as noitadas, as bebedeiras, mais do que qualquer outra coisa, parecem apontar para uma fuga da realidade, uma realidade que já não é mais atraente, mas para a qual, diante deste sistema extremamente totalitário em que vivemos, não existem alternativas concretas.

Mas se concluirmos que a adesão traz no seu bojo algum tipo de coerção, subjugando potenciais expressões alternativas que mergulham em latência quase que forçada, poderemos tentar encontrar o tendão de Aquiles deste sistema e assim encontrar a porta de saída para um mundo alternativo, que é para o qual trabalhamos.

Abraços

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Poder, o Dinheiro, o Sexo e os Khan Kahn

Acostumado a escrever apenas uma vez por semana, por força das circunstâncias estou sendo obrigado a sair da rotina em edição extraordinária, já que não posso perder a oportunidade. Vamos lá!

Em 2002 um estudo revelou que 8% da população que ocupa atualmente a região da antiga Mongólia, o que corresponderia a 0,5% da população mundial, são descendentes de Gengis Khan, o famoso bárbaro mongol que construiu o maior império da história humana. Para corroborar esta tese um segundo estudo, este de 2007, apontou que dos atuais mongóis, 34,8% são descendentes diretos de Gengis Khan.

Nesta semana, provavelmente também por se imaginar descendente do poderoso mongol, a tentativa de reedição dos feitos do Khan original custou ao Gerente do FMI, o Francês Dominique Strauss Kahn, uma estadia no xilindró, este muito aquém, em conforto, quando comparado à suíte de US$ 3.000,00/dia que ele ocupava no Hotel Sofitel em Nova York até quando da sua prisão, que se deu, é bom lembrar quando ele já esticava suas perninhas na primeira classe do avião que o levaria para Paris. Não deu tempo nem de comer o seu caviar.

Mas o paralelo entre os Khan Kahn não para por aí. Ambos, tanto o mongol quanto sua reedição moderna, foram Imperadores que desfrutaram de um PODER incomensurável, mesmo que de natureza um pouco diversa. Mas quanto ao tamanho dos seus reinos, ou seja, os povos que foram subjugados pelo alcance de seus poderes,  a disputa é acirrada. Afinal, o atual, por ser o chefão do FMI – Fundo Monetário Internacional, estendeu o seu poder, este de caráter financeiro, sobre boa parte do mundo. Ah se o vovô Khan tivesse todo este poder além do da sua espada. Neste caso, acredito que provavelmente muito maior seria o percentual dos seus descendentes.

Afinal, como tenho afirmado, o exercício da realeza, entenda-se PODER, na sua vertente TIRÂNICA, voltado para interesses próprios e não de seus súditos geralmente acaba em desgraça. E quando este PODER vem alicerçado pelo PODER FINANCEIRO o efeito é multiplicador, catapultando seus Imperadores a um patamar acima dos pobres mortais.

Mas convenhamos que ninguém é de ferro. O Kahn moderno, além do exaustivo trabalho que realiza para aumentar a sua deidade, movido pelas suas forças psíquicas ancestrais, assim como seu homônimo do passado, tem também que atender suas necessidades mais básicas, vamos assim dizer. E para tal, tudo presume, ele lança mão do seu PODER sobre os pobres mortais, no caso, representados pela Camareira do Hotel em Nova Iorque, uma imigrante africana, fato que certamente a diminuiu frente ao mongol.

Vestido como veio ao mundo, de espada em punho, figurativamente, sem consulta prévia ou qualquer tipo de aquiescência, coisa dispensável para PODEROSOS TIRANOS, ele partiu para o ataque, certo de que seria bem sucedido e impune. Mas em território não tão amigo, simplesmente não percebeu que estava dentro do país mais casto, correto e ético do mundo, os Estados Unidos da América. E assim termina sua carreira de glória.
Na Europa seu reino fica atônito. Afinal, Portugal, Grécia e outros países esperavam com ansiedade pela sua intercessão PODEROSA, para assim poderem contar com vultuosos empréstimos destinados a tirá-los das crises em que se encontram afundados. De fato, o barco afundou!!!

Do passado, prontamente vozes se levantaram testemunhando contra outros episódios perpetrados pelo apetite sexual voraz do mongol. Mas logo, como não poderia deixar de ser, surgiram outras afirmando ser ele apenas um pobre doente que precisa de tratamento urgente. Não enxergam ou não querem enxergar que na tirania, que também nos toma de assalto, estas práticas são totalmente normais, mesmo que normalmente em grau bem menor de arrogância. Pecaram as vítimas do passado que ao silenciarem diante do PODER KAHN fazendo-o acreditar-se acima do bem e do mal.

Mas ele vai sair desta, ainda que a Juíza não tenha aceitado a oferta de pagamento de fiança de US$ 1 milhão. Durona ela!

domingo, 15 de maio de 2011

O Dinheiro e a Espiritualidade

Áudio Programa Rádio Mundial 14.05.2011

As coisas estão ficando interessantes. No último artigo nós abordamos a revolução que precisamos assumir para podermos individualmente superar o estágio atual de desenvolvimento em que nos encontramos e desta forma nos habilitar para compormos o cenário coletivo que vai fundamentar o novo mundo que virá.

Sobre este assunto, ainda hoje pela manhã, em artigo publicado na internet, eu tomei conhecimento de um novo ramo da psicologia, pelo menos para mim, fundado pelo psicólogo Dr Amos Tvesrky, da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, denominado ECONOMIA COMPORTAMENTAL. Nesta área são estudados os cruzamentos entre a psicologia e a economia. Ou seja, a influência do que somos do ponto de vista psicológico sobre o mundo real da economia.

Sobre a ECONOMIA COMPORTAMENTAL, confirmando de forma bem humorada o que temos escrito em nossos artigos quanto à necessidade de mudarmos de patamar de existência, o pai da ECONOMIA COMPORTAMENTAL, já falecido, afirmava: “Meus colegas estudam a inteligência artificial enquanto eu estudo a nossa estupidez natural”. Dentro da Filosofia Ribasa, a “estupidez natural” é entendida como referência às forças psíquicas ancestrais que dominam nossas vidas, inclusive a economia, muitas vezes de forma estúpida, como afirma o Dr Amos.

Também afirma a ECONOMIA COMPORTAMENTAL que sentimentos ou estados negativos como: “ansiedade, fome, fadiga, solidão, sede, raiva, ira, estimulam a ação para vencermos os desafios competitivos que enfrentamos.”

E é neste ponto que nos remetemos ao nosso último artigo, acrescentando novo ingrediente a sopa, ou seja, a tese de que nossos sentimentos, emoções, atitudes e estados, nas suas dimensões negativas, impactam a própria vida econômica das sociedades, estando a serviço da competição na qual estamos todos profundamente mergulhados.

Há alguns artigos, quando analisamos a tragédia do terremoto / tsunami no Japão, afirmamos que a posição de controle e poder, pelo menos aparente, que exercemos sobre nossas condições de vida é resultado de uma vitória conquistada em uma competição levada a efeito entre as forças da natureza, de caráter restritivo e as humanas, de caráter expansivo. Lembrando que esta vitória é de apenas um round em uma luta que pode se estender ainda por muito tempo, se é que não seremos vencidos por nocaute, a Economia Comportamental afirma que “O cérebro humano foi formado por esta competição implacável dentro do mundo natural”, ou seja, a nossa participação nesta competição nos moldou a tal ponto, que ainda não conseguimos enxergar o nosso  novo potencial papel na relação com a natureza.

Assim, mantidos nesta dimensão da competição, vemos estabelecido por definição e natureza um insuperável cenário de conflitos e de contradições, pois para todo combate, como sabemos, temos que ter um vencedor e um vencido. Ainda que isto se caracterize no nível de grupos, a lógica é sempre a mesma. Lembrando que quando falamos em grupos, como já afirmado, temos que ressaltar que a nossa humanidade se expressa através destes, os chamados grupos de relacionamentos. Assim, cada um de nós está inserido de forma positiva ou negativa em vários grupos, ponto de fundamental importância e que segundo entendemos, teve importância fundamental no desencadeamento da tragédia na Escola de Realengo no Rio de Janeiro, como analisado em artigo anterior. Naquele caso ficou claro que mesmo dentro de grupos formados para busca de determinados objetivos, como o caso da escola, os mecanismos de competição também se fazem valer com a mesma fúria, mais ainda nestes casos em que os grupos são formados artificialmente e não naturalmente.

Outro exemplo clássico acontece atualmente na área política brasileira, em que o PSDB, como dizem, está se desmanchando como conseqüência de uma competição interna entre seus caciques. Ou seja, é sempre a mesma história, lógica e mecanismo.

Mas voltando a relação entre economia e comportamento, a história também nos mostra, e um exemplo é o caso da Alemanha, esta separada em duas após a segunda guerra mundial, que é através do incentivo e exercício da livre competição que se atingem os melhores resultados coletivamente. Assim, ainda que um mesmo povo, com raízes históricas comuns, como foi o caso na Alemanha, as poucas décadas de separação, período em que aquele povo viveu de forma dividida sob a influência de dois regimes políticos diversos, levaram a duas realidades bastante distintas. A Alemanha Ocidental, em ambiente muito mais competitivo, conseguiu se sobressair. Ainda que se possa afirmar que a diferença tenha sido conseqüência do regime político, o fato é que a supressão, ou melhor, a distorção das condições para livre competição, caso da Alemanha Oriental, certamente desempenhou papel fundamental.

Outro exemplo, este mais recente, diz respeito às grandes transformações econômicas e sociais experimentadas pela China após a abertura econômica do país, leia-se, a adoção de práticas de livre competição. Mesmo dentro de um país ainda dito Comunista, a adoção destas práticas possibilitou um tremendo desenvolvimento econômico que acabou gerando um verdadeiro tsunami na economia mundial.

Tudo isto nos permite concluir que o desenvolvimento coletivo, do ponto de vista material, dá-se de forma mais acelerada quando os sistemas culturais e políticos se apropriam ou deixam atuar livremente as forças psíquicas ancestrais da natureza humana, estas fundamentalmente voltadas à competição. E a ferramenta que dá fluidez e dinâmica a este processo é o DINHEIRO. É ele que traz no seu bojo e representa esta natureza ancestral, traduzindo de forma muito eficiente a energia resultante deste ambiente competitivo em que vivemos.

O dinheiro é que regula o ambiente competitivo, servindo de lastro para que os vencedores possam auferir seus prêmios de forma rápida, garantida e segura. Assim, se na empresa estamos competindo com outros colegas por uma vaga em um escalão mais alto da hierarquia, a eventual vitória será imediatamente recompensada com um melhor salário. E é este salário, que representa, após ser ganho, o meio que permitirá a realização dos desejos do vencedor. É a busca do prazer que compensa todo o sacrifício exigido nas constantes competições em que nos vemos envolvidos. Desta forma, o dinheiro assume para cada um de nós duas dimensões, sendo de um lado prêmio e de outro meio para realização de desejos.

Mas nem todos os vencedores são iguais. Existem aqueles, a maioria, que compõe o time dos pequenos vencedores, recebendo prêmios menores, e os grandes vencedores, aqueles privilegiados que recebem os grandes prêmios. Como resultado deste desequilíbrio, muitas pessoas, as impossibilitadas de serem grandes vencedores, acabam apelando para meios não tão tradicionais para conseguirem seus PRÊMIOS, ou seja, o dinheiro. Assim, temos os corruptos, os fraudadores, os espoliadores, os sonegadores, enfim, toda uma gama bastante ampla de pessoas e grupos que abandonam, se é que existe, o que se poderia chamar de competição limpa.

Mas todos nós, de certa forma, participamos desta busca pelos GRANDES PRÊMIOS. Estou me referindo à sorte, afinal, você caro leitor, provavelmente é um daqueles milhões de brasileiros que semanalmente fazem a sua fezinha em um ou outro tipo de jogo de azar, a Mega Sena, por exemplo. Mas deixando a sorte de lado, afinal ela sorri para poucos, o fato é que nós estamos imersos em um ambiente extremamente competitivo, um ambiente em que ganhar é condição para alcançarmos uma vida melhor, esta ironicamente, uma noção que também tem origem ancestral.

O interessante é percebermos, como também afirma a ECONOMIA COMPORTAMENTAL, que toda nossa negatividade é utilizada dentro do jogo da competitividade, sendo acionado para nos impulsionar à vitória, ainda que ela, a negatividade, não possa ser expressa abertamente, sendo trabalhada apenas nos bastidores das nossas vidas, do mundo como um todo.

Assim, temos agora um cenário bem construído e delineado. Individualmente ou em grupos competimos constantemente buscando a superação dos nossos oponentes, ou seja, buscamos sempre algum tipo de vitória que trará no seu bojo algum ganho. Mas mais do que isto, e é esta dimensão que vem manchar uma eventual imagem positiva que poderíamos ter deste ambiente competitivo, temos que concordar que a competição está fundamentada sobre nossas forças psíquicas ancestrais, estas de caráter negativo, sempre cegas, automáticas e por isto mesmo, perversas.

Portanto, nós vivemos em um mundo em que nossos interesses pessoais, ainda que reunidos e expressos pelos nossos grupos de relacionamentos, representam o viés da nossa existência, fundamentando-se em aspectos negativos da nossa natureza. E é justamente o dinheiro que traduz e aglutina como ponto de convergência toda nossa ancestralidade.

Algo que podemos ter como certo, caro leitor, é que no mundo para o qual estamos trabalhando com base na Filosofia RIbasa, que é aquele que sucederá este em que vivemos, teremos uma realidade totalmente diferente. E uma das características principais se refere justamente ao dinheiro, pois este não existirá em nenhuma das suas formas.

Radical? Eu desafio você caro leitor a pensar o mundo sem a existência do dinheiro. O que você faria? Tente imaginar o mundo em que você vive.  Qual a sensação que você tem quando imagina esta hipótese? No que você trabalharia? Que produtos você iria consumir? Em que quantidade? Como você acha que seria garantido o seu alimento do dia a dia nas prateleiras do supermercado? Alguém ganharia mais do que você? Analise bem, e você verá que imaginar um mundo sem dinheiro gera uma sensação, um sentimento muito estranho, um vazio, algo que pode levar você a concluir que este é um cenário impossível de se transformar em realidade. É como se o chão fosse tirado, algo básico na sua vida. E é aí que se encontra o ponto. É justamente esta sensação que você experimenta ao imaginar o mundo sem dinheiro, este vazio imaginário que demonstra que é o dinheiro a expressão última da nossa natureza psíquica ancestral, e também que você não consegue viver, nem mesmo imaginar de forma estruturada e ampla a sua vida sem a expressão desta natureza.

E é por isto que não podemos, considerando a origem de tudo que vivemos atualmente, deixar de enxergar o mundo como um grande navio que segue sem qualquer consciência rumo a seu destino. O poder que acumulamos durante a história da humanidade, que seja dito é um poder cujas origens não se encontram na mesma dimensão sobre as quais se fundamentam nossas forças psíquicas ancestrais, tema que abordarei no próximo artigo, nos levou a construir um verdadeiro TITANIC, que também segue rumo a um ICEBERG, para um desastre que será a causa do naufrágio do mundo como o conhecemos.

Portanto, relembrando o nosso último artigo, eu afirmo que trabalhar na perspectiva da realeza, ou seja, na perspectiva do outro, é trabalhar justamente na perspectiva contrária àquela que domina o mundo atual. Trabalhar a realeza significa trabalhar na superação das negatividades que dominam o cenário competitivo das nossas vidas.

Para chegarmos a novo patamar de existência precisamos levar a efeito uma revolução, que deve incluir inclusive o repensar sobre a própria noção do que é prosperidade e o que é uma vida melhor. O que estamos propondo é o desenvolvimento de um novo ser humano, este preparado para enfrentar os desafios que se colocam no futuro próximo. E é justamente por estarmos falando em uma revolução que deve ser iniciada em cada indivíduo, para só então, como conseqüência, se explicitar em nova forma de convivência social, que nós temos falado da necessidade de tomarmos uma decisão clara e inequívoca sobre esta questão.

A Filosofia RIbasa não é apenas um conjunto de idéias a serem entendidas pelo seu intelecto. Elas podem e até precisam ser entendidas, razão dos nossos programas no Rádio e deste blog. Mas não podemos esquecer que para a Filosofia Ribasa as idéias são como luzes que devem iluminar um caminho. Portanto, não fique obcecado pela luz e sim por este caminho que elas iluminam. A Filosofia Ribasa aponta uma prática para a vida, disponibilizando ferramentas de simples entendimento, mas de difícil aplicação, já que se contrapõe à grande parte do que somos hoje, exigindo que rememos  contra a nossa própria maré. E quem está disposto a isto? Você?

Por hoje é só!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Construindo o Seu Reino

Áudio Programa na Rádio Mundial de 07.05.2011

No nosso último artigo comentamos o Casamento Real do Príncipe William com a agora Duquesa Kate. Tratamos da atração que este tipo de evento exerce sobre multidões, apontando algumas características que fundamentam e explicam esta dinâmica, estas também reconhecidas como fundamentais dentro da Filosofia Ribasa.

Neste sentido, relembrando, tratamos da superação, a busca de novos horizontes,  representada pela plebéia que se transformou em princesa. Falamos da importância do ritual, da dignidade, da atenção aos detalhes, enfim, de uma série de pontos muitos importantes.

Hoje, dentro desta mesma perspectiva, vamos trabalhar alguns aspectos práticos da Filosofia Ribasa. Vamos apresentar a forma como você pode transformar o seu mundo, não importa como ele seja, construindo assim o seu REINO.

Vamos falar de algumas ferramentas da Filosofia Ribasa e da forma como você aplicá-las no seu dia a dia. Mas tudo isto, caro leitor, partindo da perspectiva de que você, após ter ouvido os programas ou lido os artigos deste blog, ou mesmo baseado em sua experiência de vida, já esteja decidido a caminhar rumo a um novo patamar de existência, um novo estado de ser no caminho do espírito.

Quanto a esta decisão, tão importante, quero citar o livro A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS (1987 Editora Attar), do poeta místico persa Farid ud-Din Attar, escrito no século XII, que apresenta a história de pássaros, de várias espécies, que se reúnem e debatem sobre a possibilidade de empreenderem uma longa caminhada rumo ao SIMORG, apontado como um rei, mas na verdade um novo estado de ser. É interessante perceber que em boa parte do livro, em que é apresentada a reunião que precedeu o início da jornada, cada espécie, relutante, apresenta suas dúvidas e também desculpas para não seguir na longa e difícil jornada. São desculpas e razões as mais diversas, com as quais certamente também podemos nos identificar. Portanto, se você ainda não se decidiu pela caminhada, sugiro que leia este livro.

De qualquer forma, assim como no livro, para esta etapa da viagem, eu parto do princípio de que você caro ouvinte, já conseguiu superar os seus apegos iniciais, as suas dúvidas, enfim, tudo aquilo que o impedia potencialmente de iniciar esta jornada, tendo tomado a decisão de transformar sua vida em ferramenta para a caminhada do seu espírito.

Lembro que nada pode substituir esta decisão pessoal, afinal, o trabalho que estamos propondo para um novo estado de ser, para um novo patamar de existência, é algo essencialmente de caráter interior. Ninguém e nada substituirá o seu caminhar. E como já dito, neste caminho não existe barganha, não existe atalho para o seu destino, com exceção da misericórdia divina, esta sempre necessária. E outra coisa importante, durante a caminhada não existirá reconhecimento exterior, qualquer tipo de mérito ou diploma que seja fornecido por qualquer pessoa ou escola, de qualquer natureza. Você apenas terá que caminhar e exercitar suas aptidões e habilidades, durante muito tempo. Até o momento em que você vai perceber, repentinamente, como que fruto de um milagre, que algo mudou em você, que você chegou a novo patamar. E você saberá. Você viverá uma certeza que você nunca experimentou anteriormente, algo que ninguém poderá tirar de você, independentemente do que venha a acontecer no seu futuro.

Quanto tempo demora a caminhada? Não posso assegurar e nem estimar, mas esta também não deve ser a sua preocupação, pois se você tirar o foco do seu caminhar, de cada passo, razão pela qual falamos da preocupação com os detalhes, você dificilmente chegará. Em resumo, preocupe-se com o caminhar e não com o destino. Que o caminhar, de acordo com os preceitos corretos, seja a sua única ocupação.

Pois bem. Ainda que você possa não estar consciente desta dimensão, o fato é que você veio para este planeta, desta vez e também das outras vezes, se você acredita em reencarnação, para empreender esta caminhada. A coisa funciona como naqueles programas de aventuras na televisão, em que um grupo de pessoas é deixado no meio da selva com um kit de sobrevivência tendo como missão atingir determinado objetivo.

Da mesma forma estamos aqui na Terra com o nosso kit viagem, composto de um lado pela nossa vida, ou seja, nós mesmos com todas as dádivas e capacidades que recebemos, e de outro, as circunstâncias que vamos encontrando pelo caminho, estas sempre e exatamente aquelas de que necessitamos para seguir em frente. Portanto, neste sentido da exatidão do que necessitamos, aprenda a apreciar e não reclamar da vida, do que ela oferece a você. Distrações, obstáculos também não vão faltar, serão muitos, constituindo os fatores que podem nos manter empacados.

Desta forma, diante deste desafio, é grande o número de pessoas que desperdiçam o seu kit viagem, até que ao final do tempo da aventura, que é a duração das nossas vidas por aqui, descobrem que não chegaram a lugar algum, ou seja, não atingiram o objetivo e não cumpriram suas missões. E mais, acabam descobrindo que muitas coisas que consideravam ser importantes, focos de atenção de suas vidas, eram apenas miragens, meras ilusões.

Como já afirmamos, é o mundo que deve servir nosso espírito e não nosso espírito servir o mundo, como acontece atualmente. Isto significa que nada pode ser mais importante na sua vida, caro leitor, do que o seu crescimento espiritual, que é a caminhada, a missão da sua vida. Portanto, estudar, trabalhar, se relacionar, ter filhos, enfim, toda sua vida, inclusive os pequenos momentos aos quais você não dá importância, tudo deve estar referenciado à sua caminhada espiritual. E isto depende de você, da sua decisão. Como dito no último programa, tudo que vivemos pode ser trabalhado a partir de duas perspectivas, uma que nos puxa para cima, que é o que estamos propondo, e outra que nos puxa para baixo, que é o que queremos superar.

Mas então qual é a nossa missão? A escada sobre a qual comentamos no artigo do dia 23/04, que é mostrada na capa do livro Mutus Liber, o Livro Mudo da Alquimia, resume nossa missão. Temos que superar o que somos subindo a escada que leva à construção do que ainda não somos, um estado de ser para o qual, no entanto, já temos todas as sementes plantadas dentro de nós.
A nossa missão reside na superação das nossas forças psíquicas ancestrais, que ainda dominam quase que toda nossa vida, inclusive determinando nossa visão, percepção e entendimento sobre o que é viver, o que é o mundo. E esta superação consiste em construir sobre esta base das forças psíquicas ancestrais, uma nova dimensão de ser, esta de caráter essencialmente espiritual, que é o novo patamar de existência do qual a Filosofia Ribasa trata.

E como funciona isto na prática?
Inicialmente, como já afirmado, vamos transformar nosso dia a dia em um grande laboratório alquímico. Alquímico, relembrando, porque estaremos trabalhando na perspectiva de que o nosso fazer, nossas experiências no mundo, além de terem o poder de alterarem o próprio mundo, também serão trabalhadas na perspectiva da nossa transformação interior, visando o nosso crescimento espiritual, ou seja, elas serão vividas com duplo sentido, um para fora e outro para dentro. Lembrando novamente que quando mudamos interiormente, ou seja, espiritualmente, mudamos o que está fora também, no sentido da perspectiva. Assim, na medida em que caminhamos e crescemos no mundo espiritual, nossa percepção sobre o mundo, nossa visão dele, e da própria vida vai mudando radicalmente.

O trabalho será o de construir o novo sobre o velho. Mas o que é o velho e o que é o novo em nós. O velho em nós é tudo que está ligado ao nosso passado, a nossa ancestralidade. Como dito, o estágio atual de desenvolvimento humano exige uma nova perspectiva frente a tudo que somos e aprendemos durante nossa caminhada histórica como humanidade, pois a manutenção da perspectiva passada, que domina o mundo atual, tem nos levado a uma situação insustentável no planeta. Como diz o ditado: CONHECERÁS UMA ÁRVORE PELOS SEUS FRUTOS, ou seja, se hoje os frutos da nossa humanidade, neste caso a ÁRVORE, não são positivos, precisamos mudar a perspectiva desta, ou seja, temos que encontrar novo patamar, nova perspectiva para nossa existência. E voltando a um artigo anterior, não se trata mais de melhorar a VELA como falamos em outro programa. Necessitamos de um salto qualitativo, rumo à lâmpada, à energia pura. Não estamos falando de uma mudança, mas sim de uma revolução.

Mas o que é o velho mesmo? É tudo aquilo que em nós é pequeno, estando relacionado ao nosso fazer e, portanto, ao nosso poder, este quando exercido unicamente na perspectiva do nosso interesse próprio, egoísta.

Vamos fazer uma lista do que é velho em nós, de atitudes, sentimentos e emoções que precisamos deixar para trás: arrogância, vaidade, ciúmes, ganância, volúpia, luxúria, ira, raiva, ódio, orgulho, inveja, soberba, egoísmo, megalomania, possessividade, decepção, irritação, mau humor, mesquinhez, impaciência, preguiça, insolência, má vontade, incompreensão, injustiça, crítica, individualismo, apego. Enfim, uma lista que ainda muito maior que esta, representa o negativo em nós, as forças que nos impulsionam a buscar unicamente a realização das nossas necessidades menores, aquelas ditadas pela visão estreita e limitada das nossas forças psíquicas ancestrais.

E do outro lado, o que é ou deve ser o novo em nós? Quais as atitudes, sentimentos e emoções, que quando exercitados no nosso dia a dia, devem nos conduzir a um novo patamar de existência? Aqui vão alguns deles: humildade, altruísmo, solidariedade, compreensão, tolerância, desapego, justiça, sacrifício, boa vontade, paciência, nobreza de espírito, perdão, doação, entendimento, bom humor, harmonia, serviço. Enfim, também uma longa lista.

Estas são as duas perspectivas que precisam ser trabalhadas. Na verdade, uma será construída sobre a outra, o positivo sobre o negativo. Um trabalho difícil, pois habituados que estamos a viver dentro da perspectiva menor das nossas vidas, ainda que tenhamos mil justificativas para fazê-lo.

Portanto, e este é o mote da metodologia que estamos propondo aqui, este trabalho de transformação, de construção, constitui desafio próprio de soberanos, reis e rainhas. O que propomos então é que você assuma a sua realeza, pois considerando que a mudança que estamos colocando como desafio tem que se dar basicamente e exclusivamente a nível interior, é preciso que o mundo todo, aquele em que você vive, passe a ser encarado como o seu reino, um reino que terá que ser SERVIDO por você e não servir você.

E o que isto significa Hoje cada um de nós é uma verdadeira máquina de reagir. Para tudo que acontece na nossa vida, temos uma reação. As circunstâncias, as pessoas desencadeiam em nós reações quase que automáticas, na maior parte das vezes negativas, cujas consequências passam a dominar e determinar a direção dos nossos atos, da nossa vida no dia a dia. Assim, se alguém corta nossa frente no trânsito, esbravejamos e nos vemos tomados de ira. Se alguém tira o que é nosso ou presumivelmente nosso nos revoltamos, se não fazem o que achamos devido nos decepcionamos, enfim, estamos sempre reagindo automaticamente, normalmente dentro de uma perspectiva negativa, a perspectiva da TIRANIA, ou seja, do poder exercido na perspectiva egoísta.

E mais, exatamente aquelas coisas que tanto nos incomodam nos outros, características ou atitudes, quando presentes em nós ou praticados por nós, não nos incomodam na mesma proporção, as vezes de forma alguma. Para tudo que fazemos, temos justificativa. Assim, se somos corruptos é porque ninguém reconhece o nosso valor, se traímos alguém é porque o traído não sabia nos valorizar, se enganamos as pessoas é porque elas merecem. Enfim, analise com calma caro leitor e você verá que do seu ponto de vista, VOCÊ SEMPRE TEM RAZÃO, ALGUMA BOA RAZÃO QUE JUSTIFIQUE AS SUAS ATITUDES, EXATAMENTE AQUELAS QUE VOCÊ TANTO CONDENA NOS OUTROS.

A dica para mudar esta tendência tão forte dentro de cada um de nós, é perceber que trabalhar na dimensão do espírito significa trabalhar na perspectiva do outro, do SERVIR AO PRÓXIMO, que é a dimensão da realeza exercida com espírito soberano. E aí lembramos novamente do que Jesus Cristo nos ensinou sobre o AMOR – AMA O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO.
Para a Filosofia Ribasa trabalhar na perspectiva do AMOR é justamente trabalhar na perspectiva da REALEZA, aquela dos soberanos que trabalham na perspectiva de atender às necessidades de seus súditos, trabalhando para o crescimento destes. Não importa que eles não saibam, não entendam ou não estejam prontos. Não importa o que eles façam, o soberano sempre está acima disto, na MONTANHA, tendo a paciência e sabedoria, enfim, todas as habilidades necessárias para trabalhar com seus súditos, para a promoção e crescimento destes.

Portanto, o que estamos propondo é que você a partir de hoje, de agora, deste momento, assuma o seu espírito de soberano, rei ou rainha, passando a agir como tal. Para tudo que você fizer, para cada sentimento seu, para cada atitude, enfim, para toda sua vida, no seu menor detalhe, pergunte-se sempre se o que você está fazendo é característico do que faria um soberano, ou seja, algo positivo do ponto de vista do seu súdito.

Muitas vezes depois de agir você perceberá que sua atitude, seu sentimento e sua emoção foram mesquinhos, menores, negativos. Para mudar este cenário de atraso, aplique a técnica do SINO DA VACA. Sendo a vaca a representante do seu mundo negativo, aquele que você quer superar, a técnica consiste em pendurar um sino, um aviso neste seu mundo negativo. Pois assim funciona em você. Quando algo acontece, aos poucos o negativo vai surgindo e você é dominado por ele. Portanto, o objetivo é que você coloque o sino na vaca para que possa perceber a aproximação do negativo e assim evitar que ela domine o seu ser. No início será difícil, você ouvirá o barulho do sino apenas após o negativo tomar conta de você. Mas aos poucos você vai aprender a ouvi-lo antes da vaca se aproximar, mesmo antes de vê-la no pasto, ou seja, o cenário de que está acontecendo. E assim você vai conseguir evitar que o negativo chegue, mudando a perspectiva da sua reação.

Nesta nova perspectiva não se esqueça de adotar aquelas atitudes fundamentais, próprias da realeza, que devem compor o cenário do seu existir: dignidade, serenidade, atenção aos detalhes, ritual, grandeza de espírito.

Faça a experiência a partir de agora. Você está nomeado REI ou RAINHA, não importa se homem ou mulher. Mas não se assuste, se você perceber que esta é uma tarefa muito pesada e difícil. Se assim for, diminua o tamanho do seu reino. A qual tamanho? Você deve reduzir o seu reino ao tamanho do que você pode administrar dentro da perspectiva positiva da realeza. Foi por esta razão que em um dos nossos primeiros artigos eu apresentei a proposta da alquimia quântica, em um reino restrito, falando em arrumar o quarto, lavar e passar roupa, lavar e secar a louça, enfim, atividades que você pode administrar dentro da perspectiva positiva do seu ser.

Mas novamente, não importa o tamanho, o fato é que você precisa encontrar e determinar o seu reino, o início do seu trabalho. Um espaço no qual você será SOBERANO, positivo o tempo todo. A partir deste espaço e desta experiência, que pode ser restrita inicialmente, você vai contagiar aos poucos o restante da sua vida, este é o desafio, expandindo as fronteiras do seu reino até o limite do mundo, mesmo que seja trabalho anônimo.
Quando expandido, um dia você verá que já vive em outro mundo, naquele novo patamar de existência de que temos falado. E neste, a realidade é totalmente diferente daquela que você conhece atualmente, algo que não pode ser traduzido em palavras, pois é um estado de ser diferenciado.

Mãos a obra!