segunda-feira, 28 de março de 2011

A Sustentação de Nova Realidade

(adaptação do programa na Rádio Mundial, com alterações de 26/03/2011).

Não sei se você já percebeu, caro leitor, que se por um lado temos falado muito sobre a perspectiva de um futuro que pode ser promissor para humanidade, por outro lado também temos falado sobre as forças que nos impedem de realizar este movimento, como já comentamos, as nossas forças psíquicas ancestrais.

Sobre estas, antes de prosseguir, vale comentar que muito já foi estudado e escrito. Freud, Jung e muitos outros pensadores brilhantes já discorreram sobre este tema com grande propriedade. Mas isto deu-se sempre na perspectiva da constatação da existência, análise e detalhamento da forma de funcionamento destas forças.

Para a Filosofia Ribasa a abordagem é outra, pois como condição para que possamos dar um salto qualitativo dentro da História Humana, estas forças precisam ser transmutadas para um novo patamar, razão pela qual, inclusive, lançamos mão da visão da “Grande Obra” proposta pela Alquimia.

E é apenas dentro desta perspectiva, que tem o futuro como guia, é que analisamos e nos aprofundamos no tema das forças psíquicas ancestrais.

Neste artigo vamos falar da necessidade de desenvolvermos as condições que darão sustentabilidade ao mundo novo que virá.

Podemos afirmar que o desenvolvimento das nossas forças psíquicas a partir de um determinado momento da história humana desencadeou algo que se assemelha a uma avalanche. Durante milhares de anos, dentro do contexto da natureza, nós vivemos em um  equilíbrio com o meio ambiente. Se de um lado lutamos para atingir um maior controle sobre nossas condições de vida e desta forma realizar nossa expansão sobre o planeta, de outro, a natureza impôs constantemente limites e obstáculos a esta. E assim durante milhares de anos.

O desencadeamento desta avalanche, vale ressaltar, deu-se pela combinação de elementos bem específicos, que serão tratados em próximos artigos, estabelecendo as condições para o rompimento do equilíbrio que existia anteriormente. Ainda que fosse um equilíbrio instável, a avalanche quebrou este estado gerando um desequilíbrio, por natureza também instável, não permanente, pois tudo busca o seu equilíbrio, ainda que nunca perene.

O ponto fundamental é que como afirmamos anteriormente, esta avalanche ainda não chegou a seu fim. Apesar de termos alcançado um maior controle sobre nossas condições de vida, um controle absurdamente maior do que o de centenas de anos atrás, nós continuamos com a mesma estrutura psíquica do período anterior. Figurativamente é como se ainda estivéssemos usufruindo dos louros e das glórias da nossa vitória sobre a natureza, esta última aparentemente nocauteada.

Mas de fato a relação do ser humano com o planeta, este origem única da sustentação para a vida humana, mostra que ainda não foi atingido novo equilíbrio, mantendo-se o perigoso desequilíbrio instável. E esta característica de dinâmica instável, por ser própria das avalanches, sugere que a velocidade do processo vem aumentando na mesma proporção em que aumentam os danos correspondentes, tanto para nós seres humanos como para o planeta.

E afinal, não é esta a sensação que nos invade? De que o mundo está cada vez mais acelerado, e que os eventos negativos, as crises financeiras, que aconteciam em períodos de tempo mais espaçados ocorrem agora em períodos cada vez mais curtos e com repercussões cada vez maiores?
O Ponto nevrálgico deste processo, o nó que precisamos desatar, está relacionado à forma como vem sendo exercido o grande poder que conseguimos conquistar. Concretamente este tem sido utilizado unicamente para instrumentalizar nossas forças psíquicas na busca de suas realizações. É como se nós como humanidade ainda não tivéssemos, e de fato não temos, a sabedoria para exercer este poder em novo patamar. Lembro novamente, a título de comparação, das atrocidades cometidas por soldados quando invadem cidades inimigas. Neste final de semana, inclusive, as tropas fiéis ao Ditador Kadai, na Líbia, foram acusadas de estuprarem mulheres em cidades anteriormente tomadas pelos rebeldes. A avalanche que desencadeamos tem o mesmo caráter. É uma violência.

É fato, portanto, que este estado em que mergulhamos o planeta precisa ser trabalhado com urgência para que possamos encontrar o novo equilíbrio, neste caso não semelhante àquele anterior ao início da avalanche.

O que a Filosofia Ribasa coloca como um de seus objetivos iniciais é justamente a apresentação deste cenário para um grande número de pessoas para que elas possam enxergar com clareza o que está acontecendo e o rumo que esta avalanche está tomando. Temos que sair do torpor em que nos encontramos mergulhados.

Uma vez conscientes da situação atual e futuro próximo, estas pessoas precisam trabalhar no desenvolvimento individual de capacidades, que reunidas em grupo, em determinado momento, serão postas a serviço da sustentação que terá que ser dada inicialmente à fase de grande transformação que já estamos vivendo e que se aprofundará cada vez mais, e depois na própria construção e sustentação da nova realidade.

É preciso que diante de um eminente colapso do mundo como o conhecemos atualmente, é preciso que nós nos preocupemos com o dia seguinte. E preocupar-se com o dia seguinte diz respeito à manutenção das condições mínimas para a vida humana, em nível básico. Mas significa também a existência de pessoas com as habilidades que de fato serão necessárias para dar sustentação ao novo mundo, habilidades estas que não se desenvolvem rapidamente. A este grupo de pessoas caberá também o resgate e preservação de todos os nossos tesouros, conhecimento, tecnologia, artes, enfim, tudo deverá ser aproveitado em novo patamar.

Mas o que significa dar sustentação ao mundo novo do ponto de vista individual? Qual a importância do indivíduo neste processo. Mais do que nunca, este preparo será fundamental, crítico na verdade. Mas para esclarecermos este ponto vamos dar um exemplo relacionado a fatos que aconteceram em período recente da nossa história para vermos como a falta de um indivíduo preparado pode significar o desastre de um projeto cultural.

O filósofo alemão Karl Marx, considerado um dos maiores de todos os tempos, comparado inclusive à Aristóteles, foi quem estabeleceu os fundamentos teóricos que deram coerência aos movimentos políticos que levaram vários países ao comunismo, com destaque para os da antiga União Soviética, a China, além é claro da nossa vizinha americana Cuba.

O comunismo fundamentado na filosofia Marxista surgiu a partir da constatação de a MAIS VALIA, conceito muito aprofundado por Marx, gerava desequilíbrios e contradições, um estado permanente de crise que seria resolvido somente em um patamar superior de organização social, para ele, o COMUNISMO.

Acontece que, e isto é muito importante, estruturar um mundo com base em elementos externos, de impacto coletivo, presumindo que estes poderão superar ou modificar a força dos elementos internos, de caráter individual, é pura presunção. Ou seja, não existiam indivíduos reais, com as aptidões individuais necessárias para darem sustentação ao mundo teorizado por Marx.

Como resultado, o Comunismo passou a ser imposto pelo Estado, já que não tinha base de sustentação junto aos cidadãos, abrindo espaço para a criação de um Estado cuja máquina passou a beneficiar, com base nos padrões psíquicos anteriores, uma nova elite que se formou.

 Inicialmente, principalmente as massas subjugadas durante o governo anterior, viram com bons olhos o Comunismo. Mas com o passar dos anos, suas condições de vida se deterioraram, principalmente quando comparadas ao desenvolvimento experimentado por aqueles que viviam em países que estavam fora do círculo Comunista, até que veio o movimento de libertação, fundamentado na insatisfação, durante os anos 90.

Portanto, o exemplo nos mostra que em não sendo a base teórica de uma cultura totalmente aderente às forças psíquicas, a existência e preservação de qualquer sociedade se dará apenas se já existirem seres humanos preparados dentro da nova realidade.

Como já analisado, até o presente momento da história, o jogo cultural, que deu sustentação às diversas sociedades, sempre se deu sobre um equilíbrio entre restrições e recompensas. No desequilíbrio deste jogo residiu a desgraça de grande parte das sociedades. Ou seja, o conjunto de limitações imposto por uma determinada cultura só é aceito pelos indivíduos de se houverem recompensas que justifiquem estas limitações, ou seja, uma eterna panela de pressão. Se os limites se tornarem abusivos, ainda que com válvulas potentes, ou mecanismos poderosos de contenção, em algum momento a panela vai explodir. É questão de tempo.

No oriente médio, região em que neste exato momento vários países passam justamente por revoltas motivadas pela quebra deste equilíbrio, alguns governos tentam manter-se no poder apelando para promessas de aumentos de salários, nitidamente uma forma de tentar aumentar a recompensa e assim reestabelecer o equilíbrio anterior.

Mas se é possível atingir a coesão de um povo pelo prazer, pelas recompensas que determinado sistema político e econômico proporciona, um povo também pode ser mantido através outros mecanismos, valendo citar o medo e o terror.

O mecanismo do medo foi utilizado recentemente pelo Presidente George W Bush, dos Estados Unidos, que levou o povo americano a um estado de guerra permanente contra o TERRORISMO. Através deste jogo chegou inclusive a sua reeleição. Mas uma vez desmascarado, viu o seu índice de aprovação despencar para 29%, passando a ser um dos presidentes americanos mais impopulares das últimas décadas em 2007.

No caso do terror, temos inúmeros exemplos, na verdade a história está repleta deles. Muitos tiranos subjugaram seus súditos e cidadãos pelo terror.

E é dentro deste cenário que a Filosofia Ribasa propõe algo diferente!

Primeiramente, vale lembrar que já falamos da Visão de Montanha, uma habilidade que precisamos desenvolver e para o qual os elementos estão sendo fornecidos pelos programas na Rádio Mundial e também neste blog.

Vale explicar um pouco melhor este aspecto da Filosofia Ribasa, neste caso da VISÃO DE MONTANHA. Vamos dar um exemplo: todos nós certamente já ouvimos falar de pessoas ou grupo de pessoas que se perderam em caminhadas na selva e que literalmente acabaram andando em círculos. Em situações como esta é comum as pessoas procurarem elevações, eventualmente até árvores mais altas, para destes pontos elevados poderem avistar referências que indiquem o retorno ao caminho certo.

Assim, literalmente saindo do plano em que se encontram passam a visualizar a realidade de um nível mais alto. E é exatamente este o objetivo da técnica dentro da Filosofia Ribasa.
Uma vez desenvolvida a Visão de Montanha, para o qual temos muitas ferramentas, cada indivíduo pode sair do seu espaço psíquico, desenvolvendo visão crítica com dois focos. O primeiro, seu próprio estado de ser e o segundo, o passado, presente e futuro da Humanidade.

A partir deste momento, e estes processos são complementares, a Filosofia Ribasa, com base em seus conceitos fundamentais, apresenta um arcabouço teórico para dar nova inteligibilidade à história humana, desta forma estabelecendo as condições para construção de uma ponte que ligará cada indivíduo a seu novo futuro, do ponto de vista intelectual, condição prévia básica para que se possa transformar em realidade este futuro. Esta constitui a segunda dimensão do trabalho.

Na terceira, conscientemente mergulhado nas duas primeiras, é iniciado o processo de desenvolvimento individual das aptidões e habilidades que serão requeridas para enfrentar a transição entre realidades, inicialmente, e depois, como já comentado, dar sustentação ao novo patamar de existência. E tudo isto no aqui e no agora.

Mesmo vivendo no mundo atual, com todas as suas idiossincrasias, nós podemos viver no mundo novo, pois a realidade, seja qual for, é em grande parte construção da nossa consciência e é esta que está sendo trabalhada dentro da Filosofia Ribasa.  Ou seja, se você mudar o seu estado de consciência, você já poderá viver em nova realidade, estabelecendo para si novo patamar de existência. E este, vale ressaltar, gerará grande impacto para as pessoas que convivem com você. Impacto positivo.

Não estamos falando em abandono de família, emprego, nem retiro em comunidade ou construção de abrigos subterrâneos. Nada disso é preciso. É no mundo mesmo, no seu dia a dia que você pode conduzir a sua revolução. Uma revolução silenciosa, mas eficaz.

Abraços

domingo, 20 de março de 2011

A Ancestralidade Psíquica e o Futuro

(transcrição com alterações do programa de 19/03/2011, 15:30h na Rádio Mundial, São Paulo)

Hoje quero dar continuidade ao comentário do último programa no sábado passado, dia 12/03, em que buscamos os ensinamentos que podem ser extraídos dos eventos que assolaram e ainda assolam o Japão, agora com desdobramento na forma de ameaça de acidente nuclear em Fukushima, que pode trazer graves conseqüências. E tudo isto sob a ótica das ferramentas e conceitos da Filosofia Ribasa.
No último programa comentamos o fato de que nós seres humanos, assim como todas as demais espécies animais que vivem sobre o planeta, somos movidos por uma grade de forças psíquicas primitivas que dão forma a quase todos comportamentos do nosso dia a dia.

Entender e perceber o alcance destas forças é um desafio de difícil realização a nível individual, pois como nós literalmente somos estas forças, ou seja, como elas são constitutivas da nossa natureza e dirigem nossas vidas, tendemos a considerá-las como normais, levando-nos a não questioná-las e nem mesmo reconhecer suas origens e alcance de suas conseqüências.

Mas como nós nos consideramos seres conscientes e inteligentes, desenvolvemos a percepção de que controlamos estas forças, o que de fato não condiz com a realidade, como vamos ver mais a frente.

De fato falta a cada um de nós, a princípio, pontos de referência que nos permitam enxergar estas forças relativamente, ou seja, de outra perspectiva . E esta é a razão pela qual em um dos artigos deste Blog, eu comentei sobre a necessidade de construirmos o que eu chamei de Visão de Montanha. Precisamos nos deslocar de onde estamos para podermos entender e enxergar com clareza o vale em que vivemos. E para atingirmos esta Visão de Montanha, como eu tenho afirmado, são muitas as ferramentas de que dispomos atualmente, todas ao nosso alcance. Portanto, precisamos lançar mão delas, de forma sistemática, para que possamos construir a Visão de Montanha e alcançar o que chamei de HUMILDE DÚVIDA também em um dos últimos artigos deste Blog.

A HUMILDE DÚVIDA é um sentimento, uma atitude que coloca em questão, em dúvida a nossa própria existência, o que somos, sendo condição básica inicial para que possamos caminhar rumo a transformação das nossas vidas e do mundo em que vivemos.

Se desenvolvermos esta atitude, este sentimento de dúvida, teremos estruturado os fundamentos para a caminhada de realização do espírito, este um caminho totalmente diferente, em termos de natureza, das forças sobre as quais estamos falando. É literalmente outro mundo.

Mas voltando à força, a grade psíquica que nos compõe, é interessante perceber que elas não atuam apenas a dimensão psíquica, mas também na fisiológica, sendo responsáveis pelo desencadeamento de muitas reações poderosas. Vamos dar dois exemplos: no caso das forças que dominam nossa vida sexual, são elas que acionam as reações fisiológicas necessárias ao ato sexual, uma delas a ereção masculina, para muitos homens um milagre que os ameaça, já que fora do nosso controle consciente, apesar de que isto foi resolvido recentemente com o advento do Viagra.

Também podemos citar o mecanismo acionado quando estamos diante de um risco eminente, como o caso do Tsunami no Japão, quando todo um sistema, acompanhado de reações químicas, como o bombeamento de adrenalina, é acionado, nos preparando para uma fuga mais eficaz.

Quanto a questão de energia, podemos afirmar que estas forças movimentam grandes e potentes volumes desta. A grade psíquica, inclusive, pode ser comparada, como no caso da Usina Nuclear de Fukushima a um reator nuclear. Ele é a fonte energética da nossa vida psíquica, razão pela qual, inclusive, muitas pessoas dizem, quando deprimidas, que sentem como se não tivessem mais energia.

Em termos dinâmicos e tratando de direção, este sistema de forças, e isto é muito importante, não é neutro. Na dinâmica da história individual de cada um de nós, ele retorna uma gama complexa de sentimentos e emoções que podem ser caráter positivo ou negativo.

E isto, repito, é muito importante, e significa que esta grade no seu desdobramento e realização tem como balizadores a possibilidade de gerar a nível pessoal o prazer ou o sofrimento. Se o resultado for positivo, ou seja, prazeroso de alguma forma, significando que está sendo realizado o propósito destas forças, todo o sistema e todo o comportamento será retroalimentado, direcionando o indivíduo para ampliar e intensificar a ação que gerou este resultado, no caso o prazer.

Se o resultado for negativo, como a tristeza por exemplo, o indivíduo será instado a mudar a direção da sua ação, podendo, no entanto, ser mal sucedido. Neste caso podemos mergulhar em um estado depressivo, com fortes características paralisantes.

A busca pela realização dos propósitos da grade psíquica, no que ela indica como potencial fonte de prazer, sendo neste sentido ela também uma plataforma de promessas, é quase que uma obsessão para cada um de nós, é um impulso muito forte nas nossas vidas..

E isto tem outra conseqüência no que diz respeito à percepção individual do mundo. Podemos percebê-lo como um espaço agradável, cheio de prazeres, ou um espaço opressor cheio de riscos e sofrimento, neste caso estreitamente relacionado a um dos sentimentos mais difíceis de administra, o MEDO.

Portanto, as percepções que temos das nossas relações com as pessoas que conhecemos e mesmo com as que não conhecemos, do passado, do presente e do futuro, todas as dimensões das nossas vidas estão profundamente impregnadas pelo desenvolvimento e dinâmica destas forças psíquicas.

Por isso é que tenho dito sempre que a Filosofia Ribasa, na medida em que propõe ultrapassar este estágio de existência, pode trabalhar apenas com os que sofrem ou já sofreram. Afinal, e ouçam bem isto, PARA AQUELES QUE ESTÃO NA PERSPECTIVA DE ATINGIREM UM DETERMINADO PATAMAR DE PROMESSAS, OU SEJA, QUE TEM A PERSPECTIVA DE ATINGIREM O PRAZER PSÍQUICO, PARA ESTES, FALAR DE FILOSOFIA RIBASA É ALGO INÚTIL.

Quando vemos moças desabrochando em todo seu glamour físico na adolescência e início da idade adulta, a impressão em muitos casos é de que aquelas que se destacam da média se sentem como se fossem a última cereja do bolo, jóias raras. Nestes casos todo um conjunto de promessas se coloca como passível de plena realização.

Da mesma forma, alguém que está em ascensão profissional, que enxerga um futuro brilhante pela frente, sente-se como um conquistador do mundo, imbatível, certo de que nada vai impedi-lo de realizar seus sonhos, de atingir o patamar das promessas que ele persegue.

Estes são apenas dois exemplos que mostram que para os vencedores ou os que estão vencendo, pelo menos em determinado período de suas vidas, pelas forças envolvidas, falar qualquer coisa relacionada à Filosofia Ribasa, que propõe uma superação do modelo atual de vida, representa perda de tempo.

DAR ÁGUA A QUEM TEM SEDE, esta é a única alternativa para a FILOSOFIA RIBASA. E como eu afirmei em um dos últimos programas de rádio, o mundo está semeado de sedentos, pois o modelo que rege a nossas vidas está em crise.

Mas existe outra dimensão relacionada às forças psíquicas primitivas que é muito característica e portanto, digna de análise. Por estarmos tratando da nossa humanidade, é importante ressaltar que nós somos a única espécie sobre o planeta que consegue construir diferentes culturas, que na verdade são cada uma delas a expressão a nível coletivo, de uma determinada normatização e regulamentação da expressão individual das forças psíquicas.

Educar um ser humano dentro de uma cultura de determinada sociedade significa meramente adestrá-lo à forma com que aquela coletividade organizou, limitou e normatizou as forças psíquicas que compõe cada um de seus cidadãos. A própria palavra 'educar' vem do latim "educare" , por sua vez ligado a "educere", verbo composto do prefixo "ex" (fora) + "ducere" (conduzir, levar), e significa literalmente 'conduzir para fora', ou seja, preparar o indivíduo para o mundo.

E afinal, isto porque estas forças muitas vezes não são tão civilizadas, impulsionando o indivíduo a buscar a realização muitas dos seus interesses pessoais do que o de terceiros. E mais ainda, muitas vezes não respeitando o interesse de terceiros. Neste sentido, o sistema educativo, e aqui não se trata do conhecimento passado pela escola formal, traz em seu bojo um sistema de punições, ou seja, a ameaça de determinadas penas aplicáveis em casos de transgressão das normas definidas pela cultura de uma determinada sociedade.

Mas mesmo este sistema de punições está estruturado para também compor o sistema  educativo. Assim, de acordo com o “crime” cometido, o indivíduo terá que cumprir determinada pena, a prisão, por exemplo, por um período de tempo determinado, que é variável, período que acredita-se, será suficiente para que este mesmo indivíduo não volte a cometer a transgressão. Ou seja, um sistema reeducativo.

De um modo geral, este sistema de ameaças, que invade toda a nossa vida, até nas coisas mais simples, como no caso dos radares limitadores de velocidade, por exemplo, serve para normatizar nossa conduta. Mas quem de nós, pense em você caro leitor, mantém a velocidade indicada após passar o radar limitador.

No Brasil, nas madrugadas, se não houver autoridade ou radar, mesmo ao lado de outros carros, muitos de nós não hesitarão em cruzar um sinal vermelho. Na Alemanha, um cidadão que cruza um sinal vermelho de madrugada, mesmo na ausência de autoridade ou radar, se flagrado por outro cidadão, é denunciado por este e sofre uma severa punição assim mesmo.

No Japão, em uma matéria veiculada na televisão nesta última semana, pudemos testemunhar um Senhor em Tóquio, provavelmente trabalhador da limpeza pública, catando pequenas sujeiras da rua com uma espécie de pinça gigante. E o comentário do repórter brasileiro ressaltava justamente o espanto com o fato de que mesmo diante de uma catástrofe de tamanha grandeza, as pinças eram suficientes para manterem as ruas de Tóquio impecavelmente limpas, como sempre são.

Em contrapartida, lá na Ribasa, nossa empresa, também nesta última semana, eu saí com a Silvia, minha esposa, caminhando, para ir até uma banca de frutas que fica próxima a empresa para comprar algumas bananas..... No trecho caminhado, ficamos impressionados com o volume de sujeira que se acumula entre a calçada e o muro da empresa. Garrafas, copos plásticos, pacotes vazios de salgadinhos, enfim, um mundo de lixo jogado, provavelmente sem o mínimo constrangimento.

Portanto, a transgressão em maior ou menor grau faz parte de toda a sociedade, já que ela é uma reação das forças primitivas que buscam sua realização e são limitadas pela cultura.

E esta transgressão, a nível individual, pode-se dar em alguns cenários: (1) quando não somos observados, (2) quando nos escondemos na sombra de terceiros, (3) quando utilizamos a nossa inteligência, ou melhor, esperteza, acreditando que nunca seremos descobertos e (4) quando estamos inseridos em uma situação em que o sistema punitivo se vê enfraquecido.

Quando não somos observados, já dei o exemplo da passagem no sinal vermelho quando não existe autoridade ou radar.

Escondidos na sombra de terceiros, vale citar como exemplo o último aumento de salário que os políticos concederam a si mesmos. Neste caso, cada político votou na sombra do grupo, utilizando como desculpa, a sombra dos seus parceiros. Assim também funcionam os casos de vandalismo de torcidas de futebol, onde indivíduos pacatos muitas vezes tomam atitudes violentas, sempre acobertados pelo grupo.

No caso da esperteza, vale lembrar o caso Madoff e toda a crise financeira internacional de 2008, diga-se de passagem, passada sem grandes punições, portanto, crise sujeita a repetir-se no curto prazo.

E por último, caso dos sistemas punitivos enfraquecidos, vamos lembrar das atrocidades cometidas por soldados quando invadem e conquistam cidades inimigas e das guerras civis, que também abrem espaço para todo tipo de barbárie.

Quanto à comparação entre culturas ou sociedades, ou seja, se alguma seria melhor que outra, o que podemos afirmar unicamente é que uma determinada sociedade será tanto mais eficiente quanto mais eficiente for o seu modelo educativo, pois desta forma ela estará concentrando maior energia dos seus cidadão dentro do objetivo traçado pelo seu paradigma. Assim, o Japão pode ser citado como exemplo, assim também a Alemanha.

Mas então, será que podemos afirmar que a implementação de um modelo eficiente de educação significa atingindo e possivelmente realizar em sociedade o objetivo pleno para nossas existências individuais?

A resposta é negativa. Como vimos acima, o sistema educativo e as próprias culturas, e este é o caso de todas elas, funcionam com um componente muito forte de restrição. Portanto, eles tem caráter limitante e não transformador de  nossas forças psíquicas, mantendo por outro lado o viés da busca de realização destas. E este é um universo muito restrito, que pode ser aplicado, e assim o é, às demais espécies animais sobre o planeta. Mas nós seres humanos, podemos mais, muito mais. Nós podemos ter outro destino, apesar de ainda não o termos desenhado.

Assim, como analisamos no último artigo, com o desenvolvimento da humanidade e suas vitórias sobre muitas forças da natureza, o poder alcançado foi muito grande. Mas hoje, por força das circunstâncias, que também já comentamos, reconhecemos que somos exigidos a desenvolver nova postura, assumindo novo papel dentro da existência do planeta.

Ainda que as diferentes culturas definam limites e normas para expressão individual da nossa humanidade, ainda assim, todas elas até o momento se baseiam na satisfação desta humanidade no patamar colocado pelas suas forças psíquicas. E este fato por si só, hoje é um desastre para nós como indivíduos, para a humanidade como coletividade e por último para o planeta.

Pela primeira vez na história do homem, nós estamos preparados e seremos empurrados para superar o patamar que tem dominado nossa história, ou seja, de nos vermos irremediavelmente atados a realização apenas de nossas forças primitivas.

Não foram poucos os profetas, inclusive Jesus Cristo, que nos avisaram que estávamos seguindo no caminho errado, distantes do que seria a nossa missão e destino.  Mas estes profetas, além de nos apontarem nossos enganos, também nos  apontaram a direção correta, ou seja, o caminho do espírito.

É dentro desta perspectiva que trabalha a Filosofia Ribasa, ou seja, de que é possível viver em novo patamar de existência, superando o modelo vivido até agora

Não se trata, segundo preconiza a Filosofia Ribasa, de trabalhar uma nova proposta educativa simplesmente, engendrando um novo sistema punitivo em sua base, e mantendo o mesmo conjunto de promessas imposto pela nossa natureza.
O que a Filosofia Ribasa propõe é de fato a busca de um novo patamar de existência psíquica que definirá uma nova forma de existência humana sobre o planeta. Caminhando no que chamamos de mundo espiritual, vamos encontrar toda uma nova dimensão de existência que você verá caro leitor, foge totalmente das leis que regem nossa existência atual. E dentro deste novo universo de possibilidades nós podemos e vamos desenvolver uma forma totalmente diferente de viver a coletividade. Será um outro mundo.

E a boa notícia é que este mundo é possível e que você caro leitor pode construí-lo a partir de agora.

Você já pode construir este mundo novo e viver nele, pois, lembro, o mundo não existe além da nossa percepção, da nossa consciência. Em outras palavras, se você conseguir mudar a sua percepção, a sua consciência, o seu patamar de existência, com o auxílio das ferramentas que a Filosofia Ribasa pode disponibilizar, você já estará vivendo neste mundo novo hoje.

Lembrando que você não pode mudar o mundo fora de você, mas que espantosamente, quando você muda o seu mundo interior, todo o mundo muda com você.

E o início, pode ser em qualquer lugar da sua vida. Pode ser na sua empresa, no trabalho, no seu relacionamento conjugal, na relação com seus filhos, enfim, o seu dia a dia está repleto de oportunidades, é só escolher a alternativa e começar o trabalho.

E mais uma boa notícia, para realizar a sua caminhada você utilizará as suas próprias forças psíquicas, pois elas são e indicam para nós, como pálido reflexo, o caminho que vamos ter que seguir.  Não podemos considerá-las como ruins ou negativas, pois elas cumprem papel preponderante em determinado nível de existência. Mas este nós pretendemos superar, e para tal, vamos utilizar as nossas forças psíquicas como combustível, aplicando as ferramentas, como a Alquimia Quântica, da qual já falei anteriormente, para atingirmos nosso objetivo.
O tempo é agora. Você caro leitor, pode seguir o caminho do espírito, transformando de fato a sua vida. Você pode! É só tomar a decisão para tal.

Abraços

quinta-feira, 17 de março de 2011

Os Ensinamentos do Tsunami rv 04

Vamos comentar neste artigo, a exemplo do que foi feito no último programa de rádio, as impressionantes imagens do terremoto e principalmente do tsunami que atingiram e varreram o Japão na última sexta-feira, dia 11/03/2011.
Muitas vezes, como humanidade, nos imaginamos muito poderosos, capazes de obras grandiosas quando enxergadas a paritr da nossa perspectiva. Neste sentido as imagens que nos chegaram mostraram como estas grandes obras podem ser reduzidas a pó e escombros em minutos. Enormes barcos e mesmo navios foram arrastados terra adentro. Prédios, casas, carros e aviões pareciam feitos de papel, e como miniaturas foram arrastados de um lado para outro.
Aqui no Brasil acompanhamos o desenrolar dos fatos  praticamente em tempo real. Enquanto almoçava, neste dia, observei que as pessoas, atônitas, paravam de comer para assistirem as cenas de destruição mostradas repetidamente nas várias televisões espalhadas pelo restaurante.
As imagens do tsunami e da destruição causada são desalentadoras, sem dúvida. A situação é muito difícil. Em menor escala, eu mesmo já convivi com cenários de destruição, quando das grandes enchentes de 1983 e 1984 que assolaram Blumenau/SC. Após dias seguidos de enchente, a cidade viu-se tomada pela lama e pelos entulhos. Enfim, sem energia elétrica, sem água potável, em cenário de destruição, reinava entre a população um sentimento de perda, e acima de todos os outros, de impotência. Diante de tamanho poder, como seres humanos, nos sentimos pequenos e nos damos conta da nossa inequívoca fragilidade diante das forças da natureza.
Mas o que quero ressaltar é que em situações como estas, assim como também ocorreu no Rio de Janeiro, na tragédia que assolou a Região de Teresópolis, as pessoas atingidas vivem o sentimento de perda, de que “perderam tudo que tinham”. Em um depoimento, um dos moradores afirmou: “tudo que eu construí durante toda minha vida foi destruído”.
É desta dimensão de perda que eu gostaria de tratar, utilizando como pano de fundo a Filosofia Ribasa.
As grandes catástrofes, pelas suas dimensões e pelo destaque que recebem pela mídia, que se alimenta justamente delas, colocando em destaque sempre a de maior impacto sobre nós telespectadores, internautas, etc., nos colocam diante da difícil, mas inquestionável constatação de que tudo que diz respeito ao nosso dia a dia neste mundo é em última instância instável.
Qualquer construção humana, por mais forte que se possa imaginá-la, não é indestrutível. Seja por ação da natureza, como no caso das cheias, dos terremotos, dos tsunamis, seja por ação humana, como nos ataques terroristas às torres gêmeas em 2001, nós sempre convivemos com a inexorável possibilidade da perda.
É claro que somos capazes de reconstruir nosso mundo, assim como o fazem as formigas.
E cito as formigas porque quando criança, a molecada da rua em que morava costumava fabricar tsunamis contra formigueiros.  A idéia era provocar inundações para ver o que acontecia ao formigueiro. E percebemos que assim como para nós, diante da destruição, restou às formigas apenas a reconstrução, que elas iniciaram logo após o desastre. E foi isto que entretia a molecada, pois dias depois, todos voltavam para constatar que lá estava novamente o formigueiro, reconstruído, e que as formigas haviam retomavam suas vidas normais.
Se esta é uma virtude, a de podermos reconstruir o que foi destruído, e temos certeza de que isto acontecerá novamente no Japão, acostumado a tantas catástrofes, temos que buscar tirar outros ensinamentos destas catástrofes. Ao contrário do que preconiza o mundo, a razão da nossa existência e a medida do nosso sucesso não se dá pelas coisas que construímos nem pelos bens que acumulamos, segundo a Filosofia Ribasa. Afinal, como vimos, tudo que construímos e podemos possuir pode ser reduzido a pó em segundos.
O nosso patrimônio, mesmo nossa saúde, sempre está em risco. E isto significa, portanto, que colocar como objetivo primeiro da vida a construção deste patrimônio, nada mais representa do que apostar as fichas em um cavalo que certamente vai perder a corrida, mais cedo ou mais tarde, de uma ou de outra forma. Pois, ainda que uma catástrofe pulverize o que possuímos, o tempo, individualmente, para cada um de nós, se encarregará desta tarefa.
E além do risco da perda, outro aspecto fundamental sobre o acúmulo deve ser considerado. Se por um lado é grande o esforço exigido para reunir os recursos financeiros necessários para a construção de um patrimônio, por outro temos que considerar que também exige esforço do mesmo tipo a manutenção deste.
Ainda na própria sexta-feira do tsunami, conversei com um amigo que me relatou estar em fase de mundança profissional e os problemas decorrentes, entre eles a necessidade de manter o seu patamar de vida, do ponto de vista financeiro.  Segundo me relatou, ele convive com a pressão diária de ter que encontrar um novo rumo profissional que antes de tudo deve permitir a manutenção do patamar de vida que ele construiu para si e para sua família.
O relato veio acompanhado de um sentimento do qual apenas neste momento da sua vida ele se deu conta, o de que se tornara escravo do seu patrimônio e do seu patamar de vida. E mais, boa deste patrimônio ele construiu com base em endividamento futuro, ou seja, na presunção de que seria mantido um determinado nível de ganho financeiro a longo prazo, que  permitiria o pagamento das dívidas assumidas.
Na verdade, assim como muitos de nós, o fato é que ele está construindo o seu patrimônio com um preço muito mais perverso do que se poderia imaginar inicialmente, pois afinal, em algum momento deste processo, sem considerar as reais conseqüências, ele vendeu o seu futuro, a sua própria vida, transformando-se em escravo do que possui, já que suas d;ividas correm sempre a sua frente.
Assim, muitas vezes, eventualmente também seu caso, acaba-se ficando em emprego do qual não se gosta, pois existem compromissos a pagar. A escola dos filhos, o plano de saúde, as prestações da casa ou apartamento, da televisão nova, do carro, da última viagem, tudo financiado em incontável número de prestações, além é claro, dos cartões de crédito e cheques especiais, estes campeões de juros extorsivos. Em resumo, muitas vezes contas impagáveis.
Mas todo este sacrifício tem sua compensação!!! Afinal o mundo diz que você será feliz quando tiver tudo o que é mais moderno e você se sente orgulhoso de estar construindo seu patrimônio. Um patrimônio que como vimos novamente com a tragédia do Japão, pode evaporar em alguns minutos.
Existe alternativa? Será que podemos viver de outra forma? Será que nós podemos dar novo significado a nossa vida? Nós não só podemos construir uma alternativa para esta forma de viver como temos que construí-la. E isto porque o próprio planeta já não suporta nossa fúria descontrolada de consumo e construção de patrimônios, uma filosofia que se baseia unicamente na exploração dos recursos naturais do planeta.
Toda nossa civilização está baseada no consumo e no acúmulo decorrente.  E este fato está fundamentado sobre uma força que permeia todas as formas de vida no planeta, premidas que são pela necessidade de garantirem a própria sobrevivência  no curto e no longo prazo. Nós como seres humanos não escapamos desta força, que também nos moldou durante todo o desenvolvimento da nossa história no planeta, sendo, portanto, componente fundamental da nossa existência ainda hoje.

A luta entre duas forças, uma de expansão, a do ser humano, e a outra de contenção, da natureza, esta se contrapondo pela imposição de desafios e grandes obstáculos à expansão humana, sempre dominou o cenário da nossa existência durante a existência dos seres humanos na terra.

Mas a história do planeta, pelas características únicas do homem, não faz muito tempo, assistiu à algo inédito, ou seja, as forças de expansão da humanidade dominarem a própria natureza. E este domínio, convivendo com as forças primitivas de consumo e acúmulo, levaram a humanidade a relação de exploração ilimitada da natureza, prática que fundamenta a vida atual e que já se mostrou equivocada. Mas o fato é que é preciso entender que este modelo, com os seus excessos correspondentes fundamenta-se em força muito primitiva da nossa natureza.

E esta projeção e apropriação de forças primitivas não se resume apenas aos aspectos de consumo e acúmulo. De fato muitas outras forças da nossa natureza primitiva estão sendo apropriadas, formatando o nosso estilo de vida atual.

Mas vale a pergunta: qual o problema destas apropriações?
Do ponto de vista da Filosofia Ribasa existem dois problemas fundamentais.

O primeiro, de foro íntimo, é o que se chama, não por acaso, de pobreza de espírito, ou seja, vivendo nesta matriz nós nos relegamos a uma vida de pobreza espiritual. E esta, mesmo no caso dos mais abastados e beneficiados pelo sistema, ou seja, aqueles que conseguem cumprir e usufruir das promessas do mundo, acaba gerando sempre algum tipo de sofrimento.

E o sofrimento, como já comentamos é a bússola do espírito, assim como é a dor para o corpo físico, ou seja, é ele que diz que estamos no caminho errado frente ao destino do nosso espírito. Neste sentido, ele é o sinal inicial da nossa possível transformação para um patamar superior de existência, objetivo para o qual existe e trabalha a Flosofia Ribasa.

Há muitos anos, no final da década de 80, depois de ter sido gerente da Caixa Econômica Federal, cargo do qual pedi demissão, eu trabalhava em uma floricultura em Blumenau.
Por necessidade do trabalho eu viajava muito para São Paulo para fazer compras para a loja. Na cidade, naquela época, eu andava de ônibus para todos os lados, com um guia de ruas embaixo do braço.

Não esqueço que em determinado dia, sentado no ônibus que passava pela Av. Juscelino Kubitschek, pela janela eu observava aqueles grandes e elegantes prédios de escritórios e expressei para mim mesmo o desejo de um dia trabalhar em um daqueles prédios, apenas  para ver como era o mundo daqueles que mandam no mundo.

E assim foi, anos mais tarde, por circunstâncias muito especiais, eu entrei neste mundo e acabei trabalhando como Diretor em uma grande empresa, justamente em um daqueles prédios diante dos quais eu expressei aquele meu desejo.

De fato, o glamour e o poder são anestesiantes. Mas quero dizer que tendo passado por este mundo e convivido com muitas pessoas “importantes”, todas consideradas também como muito bem sucedidas, pessoas que eu respeito sobremaneira, pude constatar que nem todo glamour, luxo, poder e dinheiro, consumo ou patrimônio, conseguem afastar o sofrimento espiritual, que se mantém presente também neste mundo, muitas vezes de forma mais ostensiva do que naquele das pessoas mais simples.

E quanto ao meu desejo expresso anos antes, de conhecer o mundo das pessoas que mandam no mundo, eu descobri também que o mundo está sem piloto, caminhando como que no automático rumo a seu destino, do jeito que segue, provavelmente um desastre.

Portanto, o objetivo é que deixemos de viver nesta ciranda da pobreza espiritual que o mundo nos vende como sendo a vida, o caminho para felicidade e que de fato possamos assumir o nosso destino espiritual. Este é o desafio que apresento para você leitor. Que você saia do torpor imposto pelo mundo e que você desperte para uma nova vida, através de uma verdadeira transformação. E isto, é possível. Não existe nenhum obstáculo que o impeça de seguir este caminho. Muito pelo contrário, é dentro da prática do seu dia a dia que isto pode ser feito.

O segundo ponto que faz com que tenhamos que repensar a nossa caminhada, neste caso como coletividade, diz respeito ao impacto do nosso modo de vida sobre o planeta. Este estilo não é mais sustentável e vai levar a humanidade a um desastre que poderá colocar em risco a sobrevivência da nossa espécie. Ou seja, se de um lado somos sujeitos as forças e fenômenos da natureza, como ficou mais uma vez muito claro no Japão, por outro lado, estamos construindo a nossa própria destruição pela forma com que convivemos com a natureza.

E este aspecto tem relação com outro ponto fundamental dentro da visão da Filosofia Ribasa,  a questão do PODER.

Se durante milênios, acuados pela natureza, buscamos sempre um maior domínio sobre as nossas condições de vida, o que por si só não é negativo, este movimento, fundamentado nas forças que nos impulsionam, permitiu o desenvolvimento de condições muito seguras para nossa existência. Tanto é que no conjunto já somos mais de 6 bilhões de seres humanos sobre o planeta.

Atingido o domínio, o poder que o permitiu, exercido dentro de parâmetros não mais válidos,  nos fez passar dos limites como humanidade. Hoje nós impactamos o planeta de forma brutal, infelizmente de forma negativa, vivendo como se ainda estivéssemos em luta com a natureza, buscando a nossa sobrevivência. E diante da natureza nocauteada, ou nem tanto como vimos agora no Japão, nós continuássemos batendo, batendo sem parar. Ou seja, mesmo não sendo mais necessária a luta pela sobrevivência na forma como foi há milhares de anos, nós continuamos na mesma perspectiva.

Olhando para o lutador que aparentemente está vencendo a luta, ou seja, nós mesmos, é como se fosse o tempo de gritarmos: chega, chega, chega de bater.... senão nós vamos matá-la....

Mas será que saberemos parar?  Será que enxergaremos que a luta já acabou e que nós temos que assumir nova perspectiva? Que temos que assumir novo papel na história do planeta?

É ridículo o que estamos fazendo com a natureza, com as demais espécies animais, com os rios, com o ar, com nós mesmos também. Se Deus permitir que cheguemos lá, um dia, como humanidade, vamos reconhecer este nosso tempo como a era das trevas.

Está na hora de repensarmos a forma de exercício do PODER que conquistamos. A nossa fúria adolescente tem que ser contida para que possamos recolocar a história da humanidade em um rumo positivo. O egoísmo desenfreado que permeia o mundo, a competição louca que nos envolve, enfim, o estilo de vida do salve-se quem puder, é insustentável. Temos que mudar este cenário.

A natureza já não é o nosso obstáculo. Agora ela precisa de nós em nova perspectiva. Temos que nos associar a ela e ao invés de pensarmos apenas em explorá-la, temos que assumir a missão de cuidarmos dela.

Mas isto exige uma grandeza, uma nobreza, um novo homem. Nós temos que abandonar o paradigma das forças primitivas que nos dominam para assumirmos nosso destino em novo patamar de existência. E é esta transformação, exatamente esta, que constitui o foco do trabalho para o qual aponta a Filosofia Ribasa. Nós estamos falando em uma nova vida dentro de uma perspectiva psíquica totalmente diferente, ou seja, o salto qualitativo que levará o indivíduo e a própria humanidade para um novo patamar de existência.

Afinal, mesmo que aparentemente nocauteada por nós, a natureza não está derrotada. A longa história do planeta já mostrou que ela sempre se recompõe. Portanto, e o Japão nos mostrou isto novamente, apesar da nossa vitória em alguns rounds, ao final da luta nós provavelmente seremos os grandes perdedores!

Abraços

terça-feira, 8 de março de 2011

A Alavanca de Arquimedes rev 03

Tenho dito no meu programa na Rádio Mundial, que a Filosofia Ribasa é uma exteriorização sistematizada que tem com base o novo patamar de existência que foi alcançado após longa busca, empreendida durante toda minha vida. Esta caminhada foi iniciada ainda na infância, impulsionada por uma forte demanda interior que intuitivamente me impulsionava. Foram muitos sonhos, insights e contatos reveladores, em todos os níveis, além do envolvimento durante a própria caminhada com várias escolas filosóficas, místicas ou não, e encontro e vivências com pessoas muito especiais, fonte de grande inspiração e aprendizado. E foi apenas após ter conseguido alcançar este novo patamar, como salto qualitativo, que me foi possível iniciar este trabalho de sistematização que visa demarcar de forma mais clara para os interessados, o caminho para este patamar de existência.
 
Olhando para trás e considerando os caminhos tortuosos que percorri, com muitos riscos, tenho consciência e convicção de que a misericórdia divina intercedeu a meu favor. E por isto sou muito grato. Me considero de fato uma pessoa afortunada.
Chegado ao novo patamar e somente a partir deste momento é que eu decidi e me foi possível assumir a tarefa de estruturar este conjunto de ferramentas chamado Filosofia Ribasa. O intuito único, a motivação central é ajudar pessoas sedentas, que também buscam uma nova direção para suas vidas. Portanto, antes de mais nada, e é preciso que isto fique muito claro, a Filosofia Ribasa não é um fim em si mesmo, não é a fonte da água cristalina. Ela é apenas um conjunto de ferramentas e conceitos que tem o intuito de balizar o caminho para esta fonte cristalina.
A cada um compete o caminhar, o encontrar da fonte. O conjunto de ferramentas e conceitos representados pela Filosofia Ribasa, adequados a linguagem e ao entendimento do mundo atual, deve servir e ser utilizado essencialmente para balizar novas formas de experimentar a vida, individualmente. E é esta nova experiência individual, guiada pelo que chamo de ALQUIMIA QUÂNTICA, que possibilita o desenvolvimento da vida em novo patamar de existência.
Assim, por outro lado, considerando que a Filosofia Ribasa é fundamentalmente um conjunto de ferramentas que devem instrumentalizar experiências de vida, e apenas isto, ela não pretende ser reconhecida pela Academia. Ela não está sistematizada de forma a se constituir em obra de alto acabamento conceitual, já que não é este seu objetivo. Tenho certeza de que se for analisada pela Academia, verão apenas o dedo e não a direção que ele aponta.
Arquimedes, famoso matemático, físico e inventor grego disse: “dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e eu moverei o mundo”. No nosso caso a alavanca, como conjunto de ferramentas, é a Filosofia e o caminho que ela aponta. Já o ponto de apoio é examente a história concreta, o estado exato em que se encontra cada pessoa que pretende seguir o caminho. Assim também, é fundamental que a alavanca se encaixe com exatidão ao ponto de apoio e não o contrário. Se este ajuste se der, se a alavanca não “escapar”, a vida daquele ou daqueles que buscam poderá ser movimentada rumo ao novo patamar de existência.
Lembro que há muitos anos quando já envolvido com o Sufismo, tive a felicidade de encontrar o Masnavi, livro do poeta místico persa Jalaluddin Rumi. Ávido por explicações sobre a vida, já que estava em momento de grande sofrimento e busca, iniciei a leitura. Para minha grande decepção só encontrei poesia com contos intercalados. Fiquei contrariado e momentaneamente abandonei o livro. Continuei minha busca dentro da forma que imaginava adequada e somente anos mais tarde voltei ao Masnavi, que acabou se transformando e se mostrando como um excelente conjunto de ferramentas adequadas para a minha caminhada. Isto me mostrou que nem sempre estamos preparados para reconhecer uma boa ferramenta e que, o que ainda é pior, muitas vezes ficamos apegados à ferramentas que conhecemos e às quais nos acostumamos, mas que de fato não servem para o fim desejado.
Por esta razão estaremos realizando a partir desta fase encontros, seminários e consultorias específicas com base na Filosofia Ribasa. Para que ela seja efetiva, precisa se adequar a seu público, o que tem sede. Temos que estar próximos a ele, buscando entender suas necessidades, suas realidades. Só assim poderemos agir com efetividade e transformar a Filosofia em alavanca para movimentar o mundo.
Para aqueles que apesar do interesse não tem conseguido acompanhar os programas na Rádio Mundial aos sábados - 15:30h, nas freqüências FM de 95,7 e AM 660 ou pelo site www.radiomundial.com.br ,  informo que alguns programas já estão disponíveis no Podcast do mesmo site. É só acessar a qualquer tempo para ouvir!
Abraços

Walter