(transcrição com alterações do programa de 19/03/2011, 15:30h na Rádio Mundial, São Paulo)
Hoje quero dar continuidade ao comentário do último programa no sábado passado, dia 12/03, em que buscamos os ensinamentos que podem ser extraídos dos eventos que assolaram e ainda assolam o Japão, agora com desdobramento na forma de ameaça de acidente nuclear em Fukushima, que pode trazer graves conseqüências. E tudo isto sob a ótica das ferramentas e conceitos da Filosofia Ribasa.
No último programa comentamos o fato de que nós seres humanos, assim como todas as demais espécies animais que vivem sobre o planeta, somos movidos por uma grade de forças psíquicas primitivas que dão forma a quase todos comportamentos do nosso dia a dia.
Entender e perceber o alcance destas forças é um desafio de difícil realização a nível individual, pois como nós literalmente somos estas forças, ou seja, como elas são constitutivas da nossa natureza e dirigem nossas vidas, tendemos a considerá-las como normais, levando-nos a não questioná-las e nem mesmo reconhecer suas origens e alcance de suas conseqüências.
Mas como nós nos consideramos seres conscientes e inteligentes, desenvolvemos a percepção de que controlamos estas forças, o que de fato não condiz com a realidade, como vamos ver mais a frente.
De fato falta a cada um de nós, a princípio, pontos de referência que nos permitam enxergar estas forças relativamente, ou seja, de outra perspectiva . E esta é a razão pela qual em um dos artigos deste Blog, eu comentei sobre a necessidade de construirmos o que eu chamei de Visão de Montanha. Precisamos nos deslocar de onde estamos para podermos entender e enxergar com clareza o vale em que vivemos. E para atingirmos esta Visão de Montanha, como eu tenho afirmado, são muitas as ferramentas de que dispomos atualmente, todas ao nosso alcance. Portanto, precisamos lançar mão delas, de forma sistemática, para que possamos construir a Visão de Montanha e alcançar o que chamei de HUMILDE DÚVIDA também em um dos últimos artigos deste Blog.
A HUMILDE DÚVIDA é um sentimento, uma atitude que coloca em questão, em dúvida a nossa própria existência, o que somos, sendo condição básica inicial para que possamos caminhar rumo a transformação das nossas vidas e do mundo em que vivemos.
Se desenvolvermos esta atitude, este sentimento de dúvida, teremos estruturado os fundamentos para a caminhada de realização do espírito, este um caminho totalmente diferente, em termos de natureza, das forças sobre as quais estamos falando. É literalmente outro mundo.
Mas voltando à força, a grade psíquica que nos compõe, é interessante perceber que elas não atuam apenas a dimensão psíquica, mas também na fisiológica, sendo responsáveis pelo desencadeamento de muitas reações poderosas. Vamos dar dois exemplos: no caso das forças que dominam nossa vida sexual, são elas que acionam as reações fisiológicas necessárias ao ato sexual, uma delas a ereção masculina, para muitos homens um milagre que os ameaça, já que fora do nosso controle consciente, apesar de que isto foi resolvido recentemente com o advento do Viagra.
Também podemos citar o mecanismo acionado quando estamos diante de um risco eminente, como o caso do Tsunami no Japão, quando todo um sistema, acompanhado de reações químicas, como o bombeamento de adrenalina, é acionado, nos preparando para uma fuga mais eficaz.
Quanto a questão de energia, podemos afirmar que estas forças movimentam grandes e potentes volumes desta. A grade psíquica, inclusive, pode ser comparada, como no caso da Usina Nuclear de Fukushima a um reator nuclear. Ele é a fonte energética da nossa vida psíquica, razão pela qual, inclusive, muitas pessoas dizem, quando deprimidas, que sentem como se não tivessem mais energia.
Em termos dinâmicos e tratando de direção, este sistema de forças, e isto é muito importante, não é neutro. Na dinâmica da história individual de cada um de nós, ele retorna uma gama complexa de sentimentos e emoções que podem ser caráter positivo ou negativo.
E isto, repito, é muito importante, e significa que esta grade no seu desdobramento e realização tem como balizadores a possibilidade de gerar a nível pessoal o prazer ou o sofrimento. Se o resultado for positivo, ou seja, prazeroso de alguma forma, significando que está sendo realizado o propósito destas forças, todo o sistema e todo o comportamento será retroalimentado, direcionando o indivíduo para ampliar e intensificar a ação que gerou este resultado, no caso o prazer.
Se o resultado for negativo, como a tristeza por exemplo, o indivíduo será instado a mudar a direção da sua ação, podendo, no entanto, ser mal sucedido. Neste caso podemos mergulhar em um estado depressivo, com fortes características paralisantes.
A busca pela realização dos propósitos da grade psíquica, no que ela indica como potencial fonte de prazer, sendo neste sentido ela também uma plataforma de promessas, é quase que uma obsessão para cada um de nós, é um impulso muito forte nas nossas vidas..
E isto tem outra conseqüência no que diz respeito à percepção individual do mundo. Podemos percebê-lo como um espaço agradável, cheio de prazeres, ou um espaço opressor cheio de riscos e sofrimento, neste caso estreitamente relacionado a um dos sentimentos mais difíceis de administra, o MEDO.
Portanto, as percepções que temos das nossas relações com as pessoas que conhecemos e mesmo com as que não conhecemos, do passado, do presente e do futuro, todas as dimensões das nossas vidas estão profundamente impregnadas pelo desenvolvimento e dinâmica destas forças psíquicas.
Por isso é que tenho dito sempre que a Filosofia Ribasa, na medida em que propõe ultrapassar este estágio de existência, pode trabalhar apenas com os que sofrem ou já sofreram. Afinal, e ouçam bem isto, PARA AQUELES QUE ESTÃO NA PERSPECTIVA DE ATINGIREM UM DETERMINADO PATAMAR DE PROMESSAS, OU SEJA, QUE TEM A PERSPECTIVA DE ATINGIREM O PRAZER PSÍQUICO, PARA ESTES, FALAR DE FILOSOFIA RIBASA É ALGO INÚTIL.
Quando vemos moças desabrochando em todo seu glamour físico na adolescência e início da idade adulta, a impressão em muitos casos é de que aquelas que se destacam da média se sentem como se fossem a última cereja do bolo, jóias raras. Nestes casos todo um conjunto de promessas se coloca como passível de plena realização.
Da mesma forma, alguém que está em ascensão profissional, que enxerga um futuro brilhante pela frente, sente-se como um conquistador do mundo, imbatível, certo de que nada vai impedi-lo de realizar seus sonhos, de atingir o patamar das promessas que ele persegue.
Estes são apenas dois exemplos que mostram que para os vencedores ou os que estão vencendo, pelo menos em determinado período de suas vidas, pelas forças envolvidas, falar qualquer coisa relacionada à Filosofia Ribasa, que propõe uma superação do modelo atual de vida, representa perda de tempo.
DAR ÁGUA A QUEM TEM SEDE, esta é a única alternativa para a FILOSOFIA RIBASA. E como eu afirmei em um dos últimos programas de rádio, o mundo está semeado de sedentos, pois o modelo que rege a nossas vidas está em crise.
Mas existe outra dimensão relacionada às forças psíquicas primitivas que é muito característica e portanto, digna de análise. Por estarmos tratando da nossa humanidade, é importante ressaltar que nós somos a única espécie sobre o planeta que consegue construir diferentes culturas, que na verdade são cada uma delas a expressão a nível coletivo, de uma determinada normatização e regulamentação da expressão individual das forças psíquicas.
Educar um ser humano dentro de uma cultura de determinada sociedade significa meramente adestrá-lo à forma com que aquela coletividade organizou, limitou e normatizou as forças psíquicas que compõe cada um de seus cidadãos. A própria palavra 'educar' vem do latim "educare" , por sua vez ligado a "educere", verbo composto do prefixo "ex" (fora) + "ducere" (conduzir, levar), e significa literalmente 'conduzir para fora', ou seja, preparar o indivíduo para o mundo.
E afinal, isto porque estas forças muitas vezes não são tão civilizadas, impulsionando o indivíduo a buscar a realização muitas dos seus interesses pessoais do que o de terceiros. E mais ainda, muitas vezes não respeitando o interesse de terceiros. Neste sentido, o sistema educativo, e aqui não se trata do conhecimento passado pela escola formal, traz em seu bojo um sistema de punições, ou seja, a ameaça de determinadas penas aplicáveis em casos de transgressão das normas definidas pela cultura de uma determinada sociedade.
Mas mesmo este sistema de punições está estruturado para também compor o sistema educativo. Assim, de acordo com o “crime” cometido, o indivíduo terá que cumprir determinada pena, a prisão, por exemplo, por um período de tempo determinado, que é variável, período que acredita-se, será suficiente para que este mesmo indivíduo não volte a cometer a transgressão. Ou seja, um sistema reeducativo.
De um modo geral, este sistema de ameaças, que invade toda a nossa vida, até nas coisas mais simples, como no caso dos radares limitadores de velocidade, por exemplo, serve para normatizar nossa conduta. Mas quem de nós, pense em você caro leitor, mantém a velocidade indicada após passar o radar limitador.
No Brasil, nas madrugadas, se não houver autoridade ou radar, mesmo ao lado de outros carros, muitos de nós não hesitarão em cruzar um sinal vermelho. Na Alemanha, um cidadão que cruza um sinal vermelho de madrugada, mesmo na ausência de autoridade ou radar, se flagrado por outro cidadão, é denunciado por este e sofre uma severa punição assim mesmo.
No Japão, em uma matéria veiculada na televisão nesta última semana, pudemos testemunhar um Senhor em Tóquio, provavelmente trabalhador da limpeza pública, catando pequenas sujeiras da rua com uma espécie de pinça gigante. E o comentário do repórter brasileiro ressaltava justamente o espanto com o fato de que mesmo diante de uma catástrofe de tamanha grandeza, as pinças eram suficientes para manterem as ruas de Tóquio impecavelmente limpas, como sempre são.
Em contrapartida, lá na Ribasa, nossa empresa, também nesta última semana, eu saí com a Silvia, minha esposa, caminhando, para ir até uma banca de frutas que fica próxima a empresa para comprar algumas bananas..... No trecho caminhado, ficamos impressionados com o volume de sujeira que se acumula entre a calçada e o muro da empresa. Garrafas, copos plásticos, pacotes vazios de salgadinhos, enfim, um mundo de lixo jogado, provavelmente sem o mínimo constrangimento.
Portanto, a transgressão em maior ou menor grau faz parte de toda a sociedade, já que ela é uma reação das forças primitivas que buscam sua realização e são limitadas pela cultura.
E esta transgressão, a nível individual, pode-se dar em alguns cenários: (1) quando não somos observados, (2) quando nos escondemos na sombra de terceiros, (3) quando utilizamos a nossa inteligência, ou melhor, esperteza, acreditando que nunca seremos descobertos e (4) quando estamos inseridos em uma situação em que o sistema punitivo se vê enfraquecido.
Quando não somos observados, já dei o exemplo da passagem no sinal vermelho quando não existe autoridade ou radar.
Escondidos na sombra de terceiros, vale citar como exemplo o último aumento de salário que os políticos concederam a si mesmos. Neste caso, cada político votou na sombra do grupo, utilizando como desculpa, a sombra dos seus parceiros. Assim também funcionam os casos de vandalismo de torcidas de futebol, onde indivíduos pacatos muitas vezes tomam atitudes violentas, sempre acobertados pelo grupo.
No caso da esperteza, vale lembrar o caso Madoff e toda a crise financeira internacional de 2008, diga-se de passagem, passada sem grandes punições, portanto, crise sujeita a repetir-se no curto prazo.
E por último, caso dos sistemas punitivos enfraquecidos, vamos lembrar das atrocidades cometidas por soldados quando invadem e conquistam cidades inimigas e das guerras civis, que também abrem espaço para todo tipo de barbárie.
Quanto à comparação entre culturas ou sociedades, ou seja, se alguma seria melhor que outra, o que podemos afirmar unicamente é que uma determinada sociedade será tanto mais eficiente quanto mais eficiente for o seu modelo educativo, pois desta forma ela estará concentrando maior energia dos seus cidadão dentro do objetivo traçado pelo seu paradigma. Assim, o Japão pode ser citado como exemplo, assim também a Alemanha.
Mas então, será que podemos afirmar que a implementação de um modelo eficiente de educação significa atingindo e possivelmente realizar em sociedade o objetivo pleno para nossas existências individuais?
A resposta é negativa. Como vimos acima, o sistema educativo e as próprias culturas, e este é o caso de todas elas, funcionam com um componente muito forte de restrição. Portanto, eles tem caráter limitante e não transformador de nossas forças psíquicas, mantendo por outro lado o viés da busca de realização destas. E este é um universo muito restrito, que pode ser aplicado, e assim o é, às demais espécies animais sobre o planeta. Mas nós seres humanos, podemos mais, muito mais. Nós podemos ter outro destino, apesar de ainda não o termos desenhado.
Assim, como analisamos no último artigo, com o desenvolvimento da humanidade e suas vitórias sobre muitas forças da natureza, o poder alcançado foi muito grande. Mas hoje, por força das circunstâncias, que também já comentamos, reconhecemos que somos exigidos a desenvolver nova postura, assumindo novo papel dentro da existência do planeta.
Ainda que as diferentes culturas definam limites e normas para expressão individual da nossa humanidade, ainda assim, todas elas até o momento se baseiam na satisfação desta humanidade no patamar colocado pelas suas forças psíquicas. E este fato por si só, hoje é um desastre para nós como indivíduos, para a humanidade como coletividade e por último para o planeta.
Pela primeira vez na história do homem, nós estamos preparados e seremos empurrados para superar o patamar que tem dominado nossa história, ou seja, de nos vermos irremediavelmente atados a realização apenas de nossas forças primitivas.
Não foram poucos os profetas, inclusive Jesus Cristo, que nos avisaram que estávamos seguindo no caminho errado, distantes do que seria a nossa missão e destino. Mas estes profetas, além de nos apontarem nossos enganos, também nos apontaram a direção correta, ou seja, o caminho do espírito.
É dentro desta perspectiva que trabalha a Filosofia Ribasa, ou seja, de que é possível viver em novo patamar de existência, superando o modelo vivido até agora
Não se trata, segundo preconiza a Filosofia Ribasa, de trabalhar uma nova proposta educativa simplesmente, engendrando um novo sistema punitivo em sua base, e mantendo o mesmo conjunto de promessas imposto pela nossa natureza.
O que a Filosofia Ribasa propõe é de fato a busca de um novo patamar de existência psíquica que definirá uma nova forma de existência humana sobre o planeta. Caminhando no que chamamos de mundo espiritual, vamos encontrar toda uma nova dimensão de existência que você verá caro leitor, foge totalmente das leis que regem nossa existência atual. E dentro deste novo universo de possibilidades nós podemos e vamos desenvolver uma forma totalmente diferente de viver a coletividade. Será um outro mundo.
E a boa notícia é que este mundo é possível e que você caro leitor pode construí-lo a partir de agora.
Você já pode construir este mundo novo e viver nele, pois, lembro, o mundo não existe além da nossa percepção, da nossa consciência. Em outras palavras, se você conseguir mudar a sua percepção, a sua consciência, o seu patamar de existência, com o auxílio das ferramentas que a Filosofia Ribasa pode disponibilizar, você já estará vivendo neste mundo novo hoje.
Lembrando que você não pode mudar o mundo fora de você, mas que espantosamente, quando você muda o seu mundo interior, todo o mundo muda com você.
E o início, pode ser em qualquer lugar da sua vida. Pode ser na sua empresa, no trabalho, no seu relacionamento conjugal, na relação com seus filhos, enfim, o seu dia a dia está repleto de oportunidades, é só escolher a alternativa e começar o trabalho.
E mais uma boa notícia, para realizar a sua caminhada você utilizará as suas próprias forças psíquicas, pois elas são e indicam para nós, como pálido reflexo, o caminho que vamos ter que seguir. Não podemos considerá-las como ruins ou negativas, pois elas cumprem papel preponderante em determinado nível de existência. Mas este nós pretendemos superar, e para tal, vamos utilizar as nossas forças psíquicas como combustível, aplicando as ferramentas, como a Alquimia Quântica, da qual já falei anteriormente, para atingirmos nosso objetivo.
O tempo é agora. Você caro leitor, pode seguir o caminho do espírito, transformando de fato a sua vida. Você pode! É só tomar a decisão para tal.
Abraços
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