sexta-feira, 1 de novembro de 2013

APAIXONADO POR TOCAS DE COELHO? VAI ENCARAR?

(apenas uma sugestão: ao ler este texto, siga este link e ouça uma linda música... fica menos chato...kkkkkkk )

How Far Down the Rabbit Hole Would You Like To Go?
O filme What the Bleep Do We Know ? (ver link no final do artigo) desafiou-nos com a pergunta: " Quão longe no buraco do coelho você gostaria de ir? " Na segurança de um assento de cinema  ou da sua poltrona, é tentador confundir o convite para experimentar um vislumbre de outra dimensão da existência como sendo um bilhete para um passeio na Disneylândia. Buracos de coelho parecem coisas benignas - artefatos de Alice no País das Maravilhas , onde se pode satisfazer a curiosidade , seguindo um pequeno animal peludo atrasado . Que maneira deliciosa de passar uma tarde de sábado chuvosa !
Seria sensato não confundir a versão do contos de fadas com as multiescorregadias imagens caleidoscópicas do mundo peculiar da metafísica quântica. Uma coisa é ler sobre portais para outras dimensões , ou vê-los representados em uma tela de cinema , e outra bem diferente é realmente o risco que se assume ao entrar em suas profundezas.
Não quero que pareça agouro - muito pelo contrário. Nem desejo passar a impressão de que o processo de descida na toca do coelho seja excessivamente difícil - não é. Tudo que é necessário para mergulhar no buraco do coelho é a liberação de toda identidade pessoal e dos sistemas de crenças que a sustentam. É o mesmo que dizer que o caminho através da ilusão é simples - desde que não se tenha preferências.
Infelizmente há muitos vendedores ambulantes - incluindo suas próprias vozes interiores - que barganham, querem vender todos os tipos de atalhos para o buraco. Cubos de açúcar enfeitados, cogumelos mágicos, misturas de plantas sagradas , e uma série de outras substâncias que alteram a mente geralmente estão disponíveis para aqueles que não estão prontos e dispostos a encarar o trabalho sério. Na era da gratificação instantânea , estes atalhos parecem ser maneiras mais simples de separar a parte de si que ainda acredita que está vivendo dentro da ilusão .
A questão então é: Por que você quer ir a qualquer lugar perto de um buraco de coelho ? Antes de responder, considere o seguinte:  Quem é este você que faria a viagem, e que é este você que tomando a decisão ? O que você realmente sabe sobre si mesmo que não vem do seu currículo vida? Você pode fazer uma lista interminável descrevendo cada aspecto de sua vida, seus atributos físicos , seus gostos e desgostos , seus pensamentos , suas crenças , e você não iria começar a descrever quem você realmente é . Cada item em sua lista é um pouco mais do que a maneira como você escolhe projetar seu ser na ilusão . Nenhum deles pode fazer a viagem .
Surpreendentemente, as crenças religiosas são o maior obstáculo para a ascensão ( a leveza de ser necessária para explorar as regiões mais profundas dos buracos de coelho ) - não porque as pessoas as tenham , mas porque eles se agarram a elas como sendo a verdade. No entanto, a maioria das pessoas não escolheu sua própria religião . Pelo contrário, a religião que eles reivindicam como sua própria escolha , geralmente é algo que acontece através de circunstâncias de nascimento ou inculturação . Sentindo-nos perdidos e abandonados nos limites de uma grande galáxia, em um universo incompreensivelmente grande, compreensivelmente clamamos todos por uma mãe ou pai para nos confortar . As religiões nos dão comunidade , e elas dão respostas que , para muitos,  tornam os desafios de sua própria vida mais suportável.
As pessoas são mais facilmente atraídas para um conceito religioso se este for apresentado como a palavra de uma divindade . Imaginem um sacerdote dizendo que o que é ensinado pode ser apenas uma teoria interessante para a congregação explorar, discutir por exemplo. Qualquer bom profissional de marketing sabe que é mais fácil de preencher os lugares de um espetáculo se o que eles oferecem é anunciado como o único e verdadeiro caminho para a mansão celestial de Deus , e que quem não segui-lo está condenado a uma eternidade de condenação indizível. Medo, ao que parece, é um excelente motivador.
Mas o medo não permitirá que você entre no buraco do coelho, nem também será o apego exagerado a um sistema de crenças. Buracos de coelho são apenas para os apaixonadamente curiosos , para aqueles que não são tão sobrecarregados com a resposta de alguém que há muito tempo se esqueceu da questão. Indiscutivelmente, o maior dano causado por um sistema de crenças é o embotamento do desejo de buscar além dos limites do dogma. A natureza essencial de um buraco de coelho é o desvendar. O que você experimenta ao entrar em um deles, não só vai explodir sua mente , mas vai tirar você de todo o senso de identidade pessoal.
Buracos de coelho definitivamente não são para os fracos de coração. Não deixe a esperteza da pergunta levar você a pensar que você pode enfiar o dedo no buraco para obter uma pré-visualização. O buraco negro sempre pergunta é: "Quão longe no meu mundo você gostaria de ir? "

Walter Rischbieter (coleitor nos registros akáshicos)

Livre tradução de texto, segundo observação de direitos autorais copiada abaixo.
©2007. Jean-Claude Gerard Koven / All Rights Reserved. This article is copyrighted, but you have permission to share it through any medium as long as the proper copyright and credit line is included.

Link para o Filme/Documentário What The Bleep do We Know
http://www.youtube.com/watch?v=wDtrisdNh18&hd=1

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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Novidades! De volta ao BLOG!

Para aqueles que seguem este BLOG e que sentiram a ausência de novas postagens....
Novidades... vou voltar a postar por aqui...
Na verdade estamos também na Facebook, em uma página, cujo endereço É:
www.facebook.com/caminho.quantico
Lá continuarei postando artigos mais curtos... quase que chamadas...
Aqui iremos aprofundar os temas... para os interessados.
Então aguardem novidades!!!
Grande abraço
Walter Rischbieter

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Ribasa 10 - O lamento da flauta - rev 01

Um dos maiores desafios que enfrentei durante toda minha vida foi o de entender os processos que me permitiram estabelecer uma ponte entre a vida exterior que vivemos como seres neste planeta e a possibilidade de uma vida interior, como afirmado nos artigos anteriores, fonte para o DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL de cada um de nós. Afinal, a experiência no mundo nos seus aspectos exteriores é tão avassaladora, tão inebriante, que não percebemos as sutilezas do Espírito e a forma como ele pode ser desenvolvido. E pior ainda, não temos a mínima noção do que realmente possa representar a vivência em patamar superior de existência, este atingido justamente com o desenvolvimento do Espírito.
Ainda que as religiões, e são muitas, reinvindiquem para si o conhecimento dos caminhos para o desenvolvimento espiritual, de um modo geral, salvo algumas excessões, tudo que temos é mera caricatura do que realmente é o caminho para e do Espírito.
E assim, como multidão cega, vagamos entre as demandas do mundo, CRENTES de que é sómente esta a dimensão de vida, em termos de qualidade, que nos é possível e acessível. O mundo com suas promessas nos mantém presos ao chão, ao que nos é mais básico em termos de existência, e assim ele nos cega. 
Por outro lado, nos é até difícil imaginar a vida em outra dimensão, dentro da ESPIRITUALIDADE. 
Por circunstâncias bem específicas, próprias do nosso tempo, as portas para a ESPIRITUALIDADE tem estado fechadas para a maioria de nós. Muitos entenderão como balsfêmia esta afirmação, mas de fato, eu reafirmo: as portas para uma VIDA NA ESPIRITUALIDADE, que nos leve individualmente e como sociedade para uma experiência, permanente em novo patamar de ESPIRITUALIDADE  tem estado fechadas para a maioria de nós. Ainda que sejam milhares as instituições, movimentos, escolas que busquem promover o desenvolvimento espiritual do ser humano, muito pouco se tem alcançado de efetivo neste sentido.
Mas há de se considerar em contrapartida que a partir de agora as portas vão se abrir para todos, permitindo e até demandando o Desenvolvimento Espiritual do ser humano. É esta a grande mensagem contida no calendário Maia, apenas para dar um exemplo, ou seja, o fim e o início de uma nova era. O fim do mundo, como muitos profetizam e o início de um novo. E entenda-se esta expressão "fim de mundo" em diversos níveis. 
E esta é a excelente boa nova. Em outras palavras, uma conjuntura favorável, apesar do cenário negativo em que vivemos, se vislumbra. Se por um lado temos um mundo em crise, por outro se aproxima uma nova era, um tempo de esperança.
E foi justamente dentro deste processo de abertura de portas, como dito acima, que a experiência da Ribasa se posicionou, de forma vanguardista. Isto significa que na Ribasa o trabalho já foi encaminhado dentro da nova perspectiva, próprio do período de transição no qual já estamos imersos, ou seja, preparando as pessoas para o que virá. Um trabalho efetivo, suado, difícil, aparentemente sem os encantos  normalmente vendidos como vinculados ao DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL. Ainda que a magia, entendida a partir do nosso ponto de vista atual faça parte do mundo ESPIRITUAL, na Ribasa não recorremos a uma atitude mística para trilharmos o caminho para a sua abertura, pois esta é potencialmente alienante quando não bem administrada, podendo criar uma cisão dentro do ser, desta forma mantendo-o preso aos grilhões que o impedem de avançar efetivamente. Assim, preferimos optar pelo trabalho simples, direto e orientado.
E é neste sentido que nós afirmamos que o EGOÍSMO é o combustível e a matéria prima para o trabalho no sentido do Espírito. Ele faz parte da nossa existência no momento atual e como já afirmamos, é  condição para que possamos passar a um patamar superior de existência, em outra dimensão. Ele, o egoísmo, constitui portanto um dos grandes campos de trabalho, senão o maior que temos a nossa disposição para realização do trabalho pretendido de DESENVOLVIMENTO.. 
Para que possamos entender um pouco mais esta questão, ou seja, de que tudo que vivemos se constitui  apenas como MEIO para o nosso DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL, gostaria de apresentar o exemplo do balão de ar de festa de crianças Ao enchermos o balão, não completamente, e criarmos um estrangulamento, podemos ficar deslocando o ar de um lado para o outro do balão, brincadeira muito comum entre as crianças. Vejam que necessariamente um lado depende do outro, ou seja, se não empurrarmos o ar que temos de um lado, o outro jamais se encherá, pois a quantidade contida no balão é sempre constante. No caso do nosso desenvolvimento ESPIRITUAL a grosso modo, e apenas como imagem figurativa, a coisa dá-se mais ou menos da mesmas forma. Tudo que temos e vivemos, inicialmente faz parte de um dos lados, vamos utilizar o lado esquerdo do balão. O lado direito, imaginando que no meio do balão existe um estrangulamento, está praticamente vazio, dependendo da história cármica de cada um de nós. O objetivo de nossas vidas resume-se basicamente em trabalhar com o ar do lado esquerdo do balão, para que ele lentamente se desloque para o lado direito. E é importante perceber que não podemos "criar" ar. A matéria prima para o DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL, como já falamos, é a nosso própria vida, somos nós com nossas característica e história pessoais, inclusive de outras vidas. Portanto, se ficarmos apenas utilizando o "ar" do lado esquerdo para circulá-lo, sem sua transmutação, o que é plenamente possível e comum a quase todos os seres humanos da atualidade, quando chegarmos ao fim de nossas vidas, não teremos AR, ou seja, VIDA ESPIRITUAL transformada no lado direito.
Resultado, como não nos serve o ar do lado esquerdo quando da nossa partida, e como não o  transformamos em ESPIRITUALIDADE, ficamos apenas com o vazio do que realizamos no mundo, ainda que grandes realizações, negócios, aquisições, o que quer que seja. Ao final restarão apenas as lembranças  do que fizemos com nossos dotes (ar) e certamente um saudosismo, significando que que ficamos perdidos no meio do caminho. 
Já para aquele que conseguiu transmutar o ar do balão, transferindo-o para o lado direito, a realidade será totalmente diversa. Uma nova realidade, em outra dimensão, terá sido formada. A história pessoal será reconhecida como uma etapa de transformação, de trabalho com vistas ao futuro. Ao se aproximar o fim da jornada, invadirá o ser a certeza de que de alguma forma estará voltando para casa. Como diz o início do primeiro poema do primeiro livro "Masnawi" de Rumi, 

Escuta a flauta de bambu, como se queixa,
Lamentando seu desterro:
"Desde que me separaram de minha raiz,
Minhas notas queixosas arrancam lágrima de homens e mulheres.
Meu peito se rompe, lutando para libertar meus suspiros,
E expressar os acessos de saudade do meu lugar.
Aquele que mora longe de sua casa
Está sempre ansiando pelo dia em que há de voltar.
.....
O lamento da flauta é fogo, e não puro ar.
Que aquele que carece desse fogo seja tido como morto!
É o fogo do amor que inspira a flauta,
É o amor que fermenta o vinho,
A flauta é confidente dos amantes infelizes:
....."

É esta conexão que nos invade quando imersos na experiência e no estado do Espírito.
Seguiremos em breve
Abraços
Walter



quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ribasa 9 - Guerra ao egoísmo - rv 02

Egoísmo, assim como temos afirmado nos últimos artigos, é a denominação dada a um conjunto de processos, sentimentos e emoções correlatas que caracterizam pessoas para as quais o atendimento de seus interesses e desejos constitui o ponto em torno do qual gravitam suas vidas. 
Na Ribasa nós declaramos guerra ao egoísmo, certos de que esta guerra compõe a matéria prima, o combustível para promoção do DESENVOLVIMENTO HUMANO no sentido ESPIRITUAL. Estamos certos de que esta guerra é o ponto central das nossas vidas, sendo tudo mais MEIO, como já afirmamos, ou seja, matéria prima para o DESENVOLVIMENTO DO ESPÍRITO. E quando afirmamos que algo é MEIO, não queremos dizer que por esta razão seja dispensável. Muito pelo contrário, é justamente a existência das experiências humanas, da própria vida, constituída como MEIO, que compõe o único cenário possível para o trabalho ESPIRITUAL que defendemos,
Existiram e ainda existem linhas e escolas de desenvolvimento espiritual que defendem e utilizam como método para atingí-lo o isolamento, inclusive extremo como o caso dos eremitas. De um modo geral, para estas, o desenvolvimento espiritual está vinculado a vida em monastério. De qualquer forma, quando nós falamos em egoísmo e atendimento à necessidades individuais, na verdade estamos falando sempre de um ser em relação, ou seja, o egoísmo se contrapõe potencialmente à interesses e desejos de terceiros. Assim, e isto é muito importante, o egoísmo somente se caracteriza em situação de relação, ou seja, quando a defesa de interesses e desejos individuais pode ser conflitante com os interesses e desejos de outra pessoa. E isto acontece de fato no complexo jogo das relações humanas. E por consequência, no nosso entender, o DESENVOLVIMENTO DO ESPÍRITO se dá basicamente dentro do cenários da convivência humana. O OUTRO é parte fundamental do caminho, como veremos em artigos próximos.
No entanto, apesar de ser uma característica mais ou menos preponderante em todos os seres humanos no mundo atual, até porque apropriada pela cultura, pelo modelo civilizatório atual, principalmente na sua dimensão econômica, o egoísmo vive nas sombras, na escuridão do nosso ser e da própria Sociedade. Ele não é bem vindo e nem bem visto. E esta não explicitação e aceitação aberta do egoísmo provavelmente é resultado histórico da influência das religiões, do Cristianismo por exemplo. Mas mesmo não exposto e aceito abertamente, isto não significa que ele não predomine, muito pelo contrário, justamente por viver nos subterrâneos da vida do mundo atual, dentro de todos nós, ele se torna mais poderoso e perigoso.
Além de andar nas sombras, ele também é difícil de ser caracterizado, de ser pego em flagrante, pois esconde-se sob o manto da hipocrisia, disfarçado por uma série de artimanhas emocionais e outros argumentos. Não é comum encontrarmos pessoas que professem ou assumam defender abertamente seus interesses e desejos individuais em detrimento dos de terceiros. E ainda que disto sejam acusados, geralmente esquivam-se de forma muito astuta.
O egoísmo precisa ser capturado, agarrado pelo rabo, para que não possa escapar, para que seja trazido à luz do dia, para fora dos subterrâneos do inconsciente, como dizia Freud. E só assim ele pode ser iluminado, o que permitirá um trabalho para sua possível superação.
Esta nós afirmamos como possível, com a ressalva de que para o processo de superação do egoísmo, entenda-se DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL possa se tornar efetivo, individualmente, é preciso que haja uma decisão. E esta decisão é exclusiva de cada ser humano, assunto que abordaremos em um próximo artigo.
Mas como é que se pega o egoísmo pelo rabo? Quando falamos dos eremitas, também nos referimos aos monastérios, como centros em que se buscava o DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL. E os monastérios são exemplos de ambientes muito apropriados para se agarrar o egoísmo pelo rabo. Os monges ou seja lá qual a denominação que recebem, vivem em relação com terceiros, todos pares, e tem seus atos acompanhados praticamente durante as 24 horas do dia. Quando flagrado, o egoísmo em suas muitas manifestações, passa a ser caracterizado como pecado, e portanto associado ao diabo, razão pela qual precisa ser expulso, o que pode ser feito através da penitência, por exemplo. 
Ainda que questionáveis tanto os métodos, como a forma e os objetivos da vida monástica, para nós é importante a percepção de que neste modelo de vida o egoísmo era flagrado em suas artimanhas, sendo retirado dos subterrâneos do ser humano.
E é justamente neste sentido, com outros métodos, conceitos e objetivos, que nós construímos um ambiente na Ribasa também adequado para pegarmos o egoísmo de cada um dos Colaboradores pelo rabo. Em outras palavras, a Ribasa também se transformou em uma espécie de monastério dos tempos atuais. E era justamente isto o que de certa forma afirmávamos em nossas reuniões gerais, tão frequentes na fábrica. E aí cabe uma explicação sobre estas reuniões. 
Pelas características e necessidades do trabalho, as reuniões gerais na fábrica eram muito frequentes, durando cada uma delas cerca de 20 a 30 minutos. Eram convocadas sem qualquer agenda a qualquer momento do dia, tudo em função da urgência dos assuntos a serem abordados, e representavam, de fato, a paralisação de todas as atividades produtivas e administrativas da fábrica. Como não tínhamos auditório para abrigar todo o grupo de colaboradores, chegamos a ser mais de 200 pessoas, as reuniões eram feitas no barracão principal, em frente ao setor de PPCP (Planejamento da Produção), espaço que não tinha máquinas instaladas. No início todos ficavam de pé, transmitindo uma impressão de improviso, além do desconforto. Mais tarde tivemos a idéia de comprar aqueles banquinhos de pesca, que são pequenos e práticos de carregar de um lado para o outro. Foi uma festa, pois cada Colaborador ganhou o seu banquinho com seu nome gravado na estrutura. A partir desta decisão, todo novo colaborador ao chegar na empresa, durante a sua apresentação ao  grupo, também durante uma reunião geral, ganhava seu banquinho, além de uma vassoura, assunto que vamos abordar em outro artigo. E assim, depois da distribuição dos banquinhos, quando convocadas as reuniões gerais, todos vinham caminhando com seus banquinhos enganchados em um dos ombros. Cena muito interessante.
A idéia, portanto, era trazermos o egoísmo a luz do dia para podermos tratá-lo e utilizarmos suas artimanhas como combustível, matéria prima para o desenvolvimento espiritual dos colaboradores. E a exemplo dos monastérios, tudo era muito adequado para tal empreitada. Pois como fábrica que era, processos muito bem definidos compunham o cenário do dia a dia de todos os envolvidos. De um lado a entrada de projetos, com base em pedidos e encomendas de clientes, e de outro a saída de equipamentos com alto nível de precisão. Para se ter idéia, uma turbina hidráulica, basicamente feita em aço, que chega em forma  de chapas planas, deixava a fábrica para girar com seu rotor em até 1400 RPM (rotações por minuto). Ou seja, um nível de rotações que exige ajustes e montagens de alta precisão, de décimos de milímetros. Neste sentido, eu afirmava sempre, a Ribasa era uma verdadeira fábrica de obras de arte, um atelier, e os colaboradores, principalmente os do chão de fábrica, seus verdadeiros artífices. Assim como turbinas hidráulicas, a Ribasa também fabricou, como empresa terceirizada, peças para Petrobrás, para plataformas de exploração submarina de petróleo, além de equipamentos para fábricas de papel, ração animal, cimento e tantos outros setores.. 
E temos que considerar que grande parte das encomendas e pedidos, ainda que possivelmente similares a projetos anteriores, eram sempre projetos especiais, específicos, exigindo um altíssimo nível de detalhamento e atenção para sua fabricação, ou seja, não tínhamos produção seriada na Ribasa. E ainda assim, durante os quatro anos de existência da empresa, tempo em que durou o projeto do qual estamos tratando, a qualidade dos produtos entregues pela Ribasa foi certamente o seu ponto forte, amplamente reconhecido pelos seus clientes. Este foi o grande patrimônio da empresa durante sua existência, não tendo sido esta a dimensão que acabou levando ao encerramento de suas atividades em 2011.
Com o processo controlado, necessariamente, já que o produto final exigia alto nível de precisão, era justamente durante a fabricação de cada projeto, em cada uma de suas etapas, ou seja, desde o recebimento dos desenhos, detalhamento, compra de matéria prima, preparação e corte das chapas, calderaria e solda, usinagem, jateamento pintura, montagem e ajustes finais, inspeções de qualidade (durante todo o processo) e por fim expedição, que o egoísmo mostrava suas garras. E este mostrar suas garras se caracterizava nas falhas de processo. Em outras palavras, ele mesmo não se mostrava, mas deixava suas marcas. E justamente quando estas marcas eram encontradas que nós as rastreávamos para agarrá-lo, o egoísmo, e tirá-lo das sombras.
Assim, quando qualquer falha de processo acontecia, pelo menos as mais importantes, nós voltávamos no tempo, rastreando as diversas etapas do processo, envolvendo neste processo todos os colaboradores arrolados no processo. E assim, quando bem sucedidos, nós conseguíamos chegar ao ponto em que as explicações técnicas já não conseguiam mais dar conta dos fatos, mergulhando então no fator humano, na maioria das vezes nos processos relacionados ao egoísmo.
A intenção e o objetivo deste movimento não era a punição, de forma alguma. A punição, como jã comentado em artigo anterior, representaria o pagamento do que chamamos de erro, desencadeando sentimentos e emoções negativas, reforçando o próprio mecanismo do egoísmo em seus aspectos mais negativos.
A nossa intenção era respeitar o processo que havia levado o Colaborador ou Colaboradores à falha. Não queríamos ASSUSTAR o egoísmo. Queríamos que ele viesse a tona e se sentisse acolhido na luminosidade do dia. Não no sentido de que a sua existência deveria ser reforçada, mas no sentido de mantê-lo na superfície para ser, ele mesmo, fundamento, base para o passo ESPIRITUAL do comportamento, assunto que vamos abordar nos próximos artigos.
Sds
Walter
waltrisc@uol.com.br

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ribasa 8 - A chave para a mudança - rv 03

No último artigo falamos do egoísmo, este entendido como um conjunto de processos interiores, baseados em forças psíquicas próprias dos seres humanos, que tem como viés principal a busca da realização individual de desejos e impulsos. Quanto maior a predominância destes processos em cada um de nós, mais ou menos egoístas seremos.
Neste sentido, portanto, as empresas se transformam em campo de batalha destas forças em diversos níveis. É puro direcionamento de energia para o foco que estiver mais em evidência para o grupo. Assim, por exemplo, se estas forças não estiverem direcionadas para algo externo, para o mercado, por exemplo, a explicitação destas forças se dará dentro do ambiente de trabalho, transformando a empresa em um conjunto de feudos que viverão em guerra constante, ainda que velada..
Nós vivemos em uma realidade, na verdade um modelo de mundo e civilização que apenas se apropria destas forças que compõe o que entendemos como egoísmo, na forma que foi colocado acima e no antigo anterior, em dinâmica que faz a engrenagem do sistema como o conhecemos girar. E isto nunca foi feito na história humana com tanto refino como na atualidade. Afinal, em maior ou menor grau, o mundo consegue gerar espaço para realização dos desejos de grande parte da população mundial, constituindo-se em promessa neste sentido. E isto acontece não apenas  em termos quantitativos mas também qualitativos. Ou seja, nunca antes na história humana foi tão alto o percentual da população inserida no círculo representado pela possibilidade de realização dos seus desejos.. Por outro, também nunca antes a humanidade teve a sua disposição tamanha diversidade de produtos e alternativas de consumo. Deste ponto de vista, o mundo pode ser caracterizado como um maravilhoso playground, com diversão garantida para todos. Basta ter DINHEIRO!
Mas se é assim, se vivemos em uma época de prosperidade, a mais próspera da história humana, por quê razão temos que mudar de direção conforme afirmamos? E a resposta a esta questão não é única. Na verdade são respostas que se colocam em diversos níveis.
Podemos encontrá-las a nível do indivíduo, das comunidades e sociedades e do meio ambiente, além de outros que não vamos abordar neste momento. Para que fique mais claro, vamos apresentar algumas delas.
1. A nível do indivíduo - apesar de termos acesso a tudo que desejamos, em menor ou maior grau, esta "fome", mesmo quando atendida, não nos traz a tão sonhada saciedade. Seguimos de desejo em desejo, o próximo celular, o novo carro, o apartamento maior e mais bem localizado, a viagem tão sonhada..... e ainda assim, apesar de tudo que temos e conquistamos, nos sentimos com um gosto amargo lá no fundo do nosso ser, um vazio existencial. É como se o atendimento de nossos desejos, sonhos e planos, no nível proposto pelo mundo, de fato não nos realizasse plenamente como seres humanos;
2. A nível da comunidade e sociedade - constatamos que vivemos de forma cada vez mais fragmentada e isolada. Já não vivemos de fato em comunidade, em interações positivas.e de alguma forma produtivas. Nós convivemos apenas dentro de nossos círculos de relacionamentos, entre eles a família, os colegas de escola, trabalho ou igreja, amigos da balada, das comunidades virtuais, sempre com o viés do entretenimento. Em oposição, o trabalho se caracteriza como já comentamos, em meio para conseguirmos os recursos que nos darão acesso às promessas de consumo, constituindo-se no fardo do "chegou a segunda feira novamente". Esta fragmentação e isolamento chegam a ponto de termos perdido inclusive a capacidade de articulação política, como é o caso no Brasil, onde convivemos passiva e pacificamente com a corrupção vergonhosa e desenfreada de grande parte dos políticos. Parece que desde que não atinja o espaço para realização dos nossos desejos individuais, traduzido basicamente pelo consumo, tudo isto não importa. Mas o fato é que esta corrupção representa um elo velado da violência que domina as relações do mundo atual. A mesma corrente que em nível bem específico gera a violência das ruas, esta não um mero efeito marginal do sistema, mas um sintoma totalmente integrado a esta corrente da qual a corrupção faz parte. Pois afinal, toda a forma de violência representa também uma ou outra forma de egoísmo  já que invade o interesse e o espaço alheios, as vezes ameaçando a nossa própria integridade física. Assim, o político que é flagrado pela Polícia Federal em continuado processo ilícito para busca de realização de seus interesses privados, quebra a própria imagem de homem público, que afinal é eleito para defender o interesse público e não o seu interesse privado.
3. A nível do meio ambiente - considerando que em todos os níveis buscamos a realização apenas de desejos, já que esta é a máxima do mundo atual, não resta nada mais ao meio ambiente senão o de se ver transformado em alvo final deste processo voraz que move a humanidade. Novamente, meio ambiente, afirmam, vamos cuidar, desde que não atinga a possibilidade de realização de nossos desejos, ou seja, que o sistema continue funcionando da mesma maneira. Desta forma, tudo caminha a passos muito lentos. Para cada tímido avanço que é alcançado em termos de conservação, a voracidade do modelo multiplica seus efeitos.
Portanto, este modelo que alimenta esta voracidade louca precisa ser superador, ainda que ele seja legítimo, já que baseado e fundamentado no nosso passado psíquico. Se quisermos ter futuro, precisamos mudar radicalmente a perspectiva sobre nossas vidas, sem que isto, no entanto, represente abrir mão dos fantásticos avanços que conseguimos atingir do ponto de vista tecnológico. Em outras palavras, não estamos falando em um movimento naturalista de retorno, tipo o movimento hippie ou coisa parecida. É algo totalmente diferente. Estamos falando de uma revolução que deverá levar o ser humano a novo patamar de existência, algo totalmente diferente de tudo que já foi vivido anteriormente pelo homem. Estamos falando de um novo futuro, totalmente diferente.
Em um dos artigos escritos em março de 2011, sobre o Tsunami que varreu o Japão, comentamos que a nossa constituição psíquica atual, fonte de todo "modus vivendi" da humanidade, representa extrapolação das forças psíquicas expansivas que nos constituem, forças estas que eram barradas inicialmente pela  natureza, que impunham seus limites a nossa própria sobrevivência como espécie e expansão. Sempre houve este embate, em equilíbrio instável. Mas o fato é que o homem, a partir do momento em que se apoderou das sementes do espírito, representado como já falamos pela superação dos limites do tempo, movimento possível graças ao dom da linguagem, a balança foi se desequilibrando, permitindo à humanidade o desenvolvimento de um PODER cada vez maior sobre a natureza, que se traduziu em forma de exploração, de subjugação. O engodo desta história reside no fato de que em última instância, o exercício deste PODER pela exploração da natureza, não considera que o próprio ser humano é parte integrante dela, frágil diga-se de passagem, e que deste processo de exploração que leva o planeta à exaustão ele também será vítima. E isto já estamos vivenciando, pois todos estamos conscientes de que  já é concreta a  ameaça da nossa própria superação, traduzida pela possibilidade de nossa extinção.
E esta é a expressão em nível mais alto, pelo menos dentro do planeta Terra, do egoísmo, cuja SUPERAÇÃO é a CHAVE para abertura de um novo caminho. O egoísmo é fruto do nosso passado e sua superação é condição para viabilizarmos o futuro.
A compreensão desta realidade é condição para que se possa entender o processo que foi implantado na Ribasa, pois justamente na superação do egoísmo focamos todo o trabalho, caracterizando o processo que denominamos de DESENVOLVIMENTO HUMANO rumo a uma maior ESPIRITUALIDADE, tema que vamos continuar tratando nos próximos artigos.
Abraços
Walter
waltrisc@uol.com.br

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ribasa 7 -Conflito de interesses - rv 02

No último artigo tratamos dos mecanismos de gestão tradicionais, traduzidos no artigo como CENOURA e CHICOTE, e a busca de superação destes dentro do novo modelo de gestão implantado na Ribasa, este, retomando, voltado e focado no DESENVOLVIMENTO HUMANO no  sentido ESPIRITUAL. A longo prazo e dentro de um horizonte mais amplo, estávamos buscando estruturar um modelo, um caminho dentro do mundo e da realidade atual que nos permitisse a formação de pessoas para um novo mundo, processo este baseado em ações intensivas, ou seja, de exercício diário, razão pela qual a escolha pelo ambiente empresarial.
Hoje vamos abordar o por quê da necessidade de superação do modelo CENOURA e CHICOTE dentro da nova visão filosófica implantada na Ribasa. Como vimos, esta mecanismo tradicional, ainda dominante na maioria das empresas, se fundamenta na existência de conflitos entre os interesses do CAPITAL, este entendido como um montante de recursos financeiros aplicados em determinado negócio com vistas ao seu aumento, SEM LIMITES, e o dos próprios trabalhadores. Afinal, se de um lado os trabalhadores representam condição insuperável, na maioria dos casos, para a consecução dos objetivos do CAPITAL, já que parte do processo do negócio, de outro, como geradores de custos, produtividade maior ou menor, falhas e acertos potenciais, eles representam também um obstáculo. Assim, a gestão destes conflitos transforma-se em ponto fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa.
Do ponto de vista da Filosofia Ribasa, esta questão é aprofundada, questionando-se e buscando-se a origem destes conflitos de interesses. Primeiramente, temos que constatar que de alguma forma este mecanismo está, pela sua abrangência, fundamentado na própria natureza humana. De fato, podemos afirmar que a origem deste conflito está no que chamamos e conhecemos como egoísmo, este entendido como a soma de uma série de processos pelo quais o ser humano busca a realização de seus desejos e impulsos pessoais, tendo estes como centro de gravitação para a maior parte das suas atitudes e ações.. Entendido como um conjunto de processos, ele engendra uma série de forças e tendências inerentes à nossa natureza, entre elas: a lei do menor esforço, entenda-se preguiça, a falta de limites para a realização de seus desejos, entenda-se ganância, a busca pelo acúmulo e não divisáo das riquezas, entenda-se avareza, e assim por diante. Em cada um de nós, em maior ou menor grau, ele é presente, ou melhor, dominante, já que processo e não coisa.
Assim, para a maioria de nós, um emprego, não trabalho, representa antes de qualquer outra coisa um MEIO para conseguirmos os recursos, hoje representados basicamente e quase exclusivamente pelo DINHEIRO, que nos permitirão a realização de quase todos os nossos desejos, ilimitados diga-se de passagem. É importante que façamos distinção entre emprego e trabalho, pois ela reafirma o fato de que todos nós buscamos fazer o mínimo esforço em troca do máximo benefício, entenda-se novamente DINHEIRO. Esta inclusive é a lógica, levada ao limite, ou seja, do não fazer nada, que move milhões de indivíduos a fazerem duas vezes por semana, sua FÉZINHA na MEGASENA, por exemplo. Com base neste mecanismo natural, podemos entender dois dos principais conflitos entre CAPITAL e TRABALHADORES. Estes últimos querem ganhar sempre MAIS trabalhando sempre menos e o primeiro pagar sempre MENOS com os trabalhadores sempre MAIS. Assim, é claro, grande parte dos patrões odeia os feriados, enquanto os TRABALHADORES os amam.... na verdade eles contam os dias para os finais de semana, os feriados e as tão esperadas férias. É comum ouvirem-se afirmações como ".... e esta semana que não passa!!!!". Experimente andar pelas ruas pela manhã para observar o semblante dos trabalhadores que seguem para seus empregos. Parece que vão para o forca ou o inferno. Ah!!! Mas eu gosto do meu emprego, gosto do que eu faço, dirão muitos. Neste caso, sem que os conflitos desapareçam, o peso fica menor, ainda mais quando acompanhado de um bom salário e regalias.
Mas o fato é que a superação destes conflitos, e existem outros, não só é condição para podermos construir uma empresa diferente, como fizemos na Ribasa, mas também para construirmos um mundo diferente, que possa ter continuidade, pois em se dando continuidade a forma como temos vivido já há milhares de anos, apesar de todo verniz da modernidade, tecnologia e conforto, vamos destruir o próprio planeta e assim, por decorrência, a nós mesmos.
Em outras palavras, a superação da nossa natureza, da qual falamos de alguns aspectos acima, é condição hoje colocada como imperativo para que possamos seguir em frente. E para nós esta superação não deve ser entendida como supressão, muito mais, ela significa a construção de um novo patamar de existência interior individual, trabalho que traduz o que entendemos por DESENVOLVIMENTO HUMANO no sentido ESPIRITUAL. Esta será a próxima revolução pela qual passaremos como espécie humana, provavelmente uma das maiores já experienciadas. Literalmente superaremos a nossa natureza nos seus fatores limitantes, entrando em uma era de grande expansão da capacidade humana.
No próximo artigo aprofundaremos um pouco mais estas duas realidades e a oposição entre elas.
Abraços
Walter
waltrisc@uol.com.br





sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ribasa 6 - Nem cenoura, nem chicote

No último artigo afirmamos que no modelo de gestão da Ribasa foi extinta a função de CHEFIA como tradicionalmente conhecida. Este foi um dos aspectos que trouxe maior dificuldade tanto para compreensão dos Colaboradores quanto para assimilação prática desta nova atitude para aqueles que exerciam estas funções anteriormente e que deveriam encará-las sob nova perspectiva. Afinal, trata-se de um fundamento de toda nossa cultura, na verdade, de toda história humana, a existência da figura do chefe, dos mais diversos tipos. Na verdade  de um modo geral não conseguimos fugir dos chefes que perseguem nossas vidas.
E foi justamente na dimensão do PERSEGUEM NOSSAS VIDAS, que encontramos a motivação para extinção da chefia. Afinal, para que existe o chefe, a figura do chefe?
De um modo geral, a chefia tem como missão maior pela incorporação da visão da empresa, atuar e promover ações para que seus objetivos e resultados sejam atingidos. Assim, o chefe de um modo geral é o carrasco que se impõe sobre o grupo de trabalhadores. Ainda que esta visão seja considerada ultrapassada, substituída pela figura mais romântica do LÍDER MOTIVADOR, de fato, se os resultados não aparecerem, ou morre o LÍDER MOTIVADOR e volta o CARRASCO, ou troca-se o  próprio LÍDER / CHEFE.
Em resumo, de um modo geral, considerada a natureza humana e dos próprios negócios, existe um irremediável conflito de interesses entre  os objetivos da chefia, entenda-se empresa, e os demais Colaboradores, pelo menos em sua grande maioria. E a conciliação  deste conflito nem sempre explícito, dá-se pelo exercício do PODER, com a aplicação de todos os mecanismos envolvidos. Assim, MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM PRECISA, esta uma versão distinta do ditado que eu conhecia na sua última parte como OBEDECE QUEM TEM JUÍZO. E foi no chão de fábrica que eu acabei conhecendo esta nova versão, na verdade muito mais apropriada. Voltando à questão dos resultados pretendidos, em todos os níveis da empresa, normalmente trabalha-se com dois mecanismos.... de um lado a cenoura, ou seja, os prêmios, incentivos, promessas de aumentos de salários, promoções por reconhecimento, e do outro, o chicote, este representado por todas as punições e perdas decorrentes de desempenhos inadequados ou indesejados, entre elas a famosa xingada, corte do ponto, preterimento nas promoções e aumentos de salários,  descontos em folha, advertências, suspensões e por último, demissão. Ainda que sejam maquiados e apresentados das mais diferentes formas, estes dois mecanismos ainda são os que reinam no mundo empresarial.
Mas na Ribasa a proposta foi diferente ou pelo menos trabalhamos para isto.
A nível de cada um dos Colaboradores, na Ribasa nós queríamos chegar ao fundo do poço, ou seja, queríamos  enxergar cada profissional na sua realidade, nua e crua, para além, inclusive, da sua dimensão profissional. Afinal, no nosso entendimento, esta deveria ser a base, o único fundamento firme para podermos trabalhar na dimensão do DESENVOLVIMENTO HUMANO.
Neste sentido, conto uma história que acontecia com frequência dentro da Ribasa para que se possa entender a dinâmica desta processo.
Por trabalharmos com a fabricação de turbinas e hidromecânicos, equipamentos muito pesados, que necessitavam ser montados em obra, ou seja, nas Centrais Hidrelétricas para as quais eram fabricados, a Ribasa enviava à campo equipes de montagem que permaneciam durante meses neste trabalho. Esta turma, por estar distante da fábrica, literalmente acabava ganhando ASAS. É como se a gente soltasse os pássaros da gaiola, em todos os sentidos. O que acontecia no campo era coisa de cinema,  um verdadeiro espetáculo. Para ter-se idéia da dimensão do que acontecia, basta afirmar que apesar destes colaboradores ganharem acréscimo salarial significativo durante este período, além de todas as despesas pagas, era justamente neste período que eles geravam suas maiores dificuldades financeiras, com algumas exceções. Tanto solteiros como casados acabavam "caindo" na vida. Bebedeiras, bailões, mulherada.... enfim, uma verdadeira festa. Além disto, no caso da empresa, como o controle de frequência era feito por registro manual, as informações eram muito frequentemente adulterada, principalmente as referentes à realização de horas extras. E tudo isto apesar de terem um coordenador, também da Ribasa. O fato é que o grupo criava um mundo próprio de cumplicidade, com regras totalmente distintas daquelas aplicadas quando estavam na fábrica. As despesas, por exemplo, quando não definidos os limites pela empresa, acabavam sempre superando o razoável, com consumo de coisas as mais estapafúrdias. Em resumo, a distância e a falta de controle rígido propiciavam o ambiente ideal para a expressão da real natureza de cada um dos envolvidos. No caso da Ribasa, nestes casos, nós teimamos em não estabelecer limites. Por outro lado, alimentados pela "rádio peão" e pelos controles de despesas, nós apresentávamos estas histórias nas reuniões gerais que realizávamos semanalmente na fábrica. Sem citar nomes, nós aplicávamos a técnica do espelho, e com bom humor, contávamos as histórias e falávamos da lógica envolvida. Era quase que um teatro. A turma caía na gargalhada. Os envolvidos ficavam constrangidos e assim escapávamos da lógica do castigo e punição. Era óbvio que mesmo sem citar nomes, todos sabiam do que e de quem se tratava. E de modo geral, a "camisa" acabava servindo para muita gente. A intenção era não engatilhar os mecanismos próprios de defesa, que normalmente são desencadeados quando existe qualquer forma de reprimenda ou punição. Na verdade estes  dois mecanismos, reprimenda e punição, representam para aquele ou aqueles que infringiram ou excederam os limites razoáveis da conduta, o pagamento final, trazendo como consequência, sempre, sentimentos de natureza negativa.
Assim, da mesma forma, quando Pais punem ou repreendem filhos, eles os afastam em dois sentidos. De um lado, dos próprios Pais, e de outro, o que tem consequências mais graves, deles próprios, pois para tentar evitar estas situações negativas no futuro, eles começarão a mentir ou omitir fatos.
Mas de fato, ainda que a repreensão ou punição possam enquadrar o comportamento, isto  não significa que tenha havido uma mudança a nível de ser. Muito pelo contrário, este mecanismo cria apenas uma personalidade esquizofrênica, com cisão interna ao indivíduo entre o qjue ele passa a considerar como público, ou seja, a sua imagem, e o privado, ou seja, o que ele faz quando os mecanismos de controle estáo ausentes, geralmente na sua intimidade.
Do ponto de vista espiritual este mecanismo é devastador, pois simplesmente bloqueia a capacidade de DESENVOLVIMENTO HUMANO. Desta forma, ainda que como ser humano ele possa construir uma história, esta praticamente vai se desenvolver à margem do seu espírito, transformando sua vida em um grande vazio, percepção da qual se tornará consciente apenas quando com idade mais avançada.
Assim, no caso da Ribasa, a forma de tratamento destas questões através da técnica do ESPELHO, não trazia solução fácil ao Colaborador. Ele não pagava a conta, e portanto, ficava com o problema não resolvido. Ele tinha que carregar o peso, o que o mantinha preso à sua atitude, não permitindo que se desviasse e se escondesse atrás de sentimentos e emoções negativas, esta dirigidas a quem o havia PUNIDO, se este fosse o caso.
No próximo artigo vamos abordar a forma como este processo pode desencadear a retomada da história espiritual do ser humano.
Abraços
Walter