quarta-feira, 28 de março de 2012

Ribasa 2 - Aplicando o Tempo

Durante nossas vidas vamos dispondo de muitos bens, alguns perenes e outros não. Mas dentre todos, um se destaca pelas suas características peculiares e decisivas. Trata-se do tempo. Afinal, é com base na sua disponibilidade que construímos nossas histórias. E se não o utilizamos adequadamente, de forma produtiva, esta entendida em sentido muito amplo, ele se esvai, escorrega das nossas mãos e controle, deixando no seu rastro apenas uma sensação de vazio..
Como dito no artigo anterior, a Ribasa transformou-se em palco de um projeto Filosófico alternativo, de caráter espiritual, para o qual seus participantes, no caso os Colaboradores da Empresa, dedicaram durante quatro anos, 44 horas semanais de trabalho. Ou seja, um longo trabalho.
E foi justamente na forma de aplicação do tempo durante este longo período,  que caracterizou o projeto como alternativo. Mas no que esta forma de aplicação do tempo diferiu da que é feita normalmente em uma empresa tradicional? 
O tempo, principalmente na área privada, é um dos componentes que negociamos quando estamos buscando uma nova colocação profissional, formal ou não, razão pela qual incluímos a negociação da nossa jornada semanal de trabalho nas discussões de cada novo relação trabalhista.
Além do tempo também negociamos nossa capacidade profissional, ou seja, o que podemos oferecer em termos de conhecimento, aptidões e experiência, que sejam úteis à empresa, ou seja, que possam agregar  resultados ao negócio.
E são basicamente estes dois fatores conjugados que por fim precificam o nosso trabalho junto ao Contratante. Assim, ainda que um Consultor possa agregar muito valor à uma empresa pelo seus conhecimentos e experiência, o seu ganho pode ser menor se sua dedicação for de apenas 08 horas mensais, por exemplo. Já um colaborador vinculado à área de limpeza, ainda que dedique suas 44 horas semanais, e mais horas extras, terá sempre um ganho mensal muito baixo.
Por outro lado, considerando-se que a relação tradicionalmente é desequilibrada em termos de poder, ou seja, o interesse do capital normalmente se sobrepõe ao interesse do trabalho, existe uma ampla  legislação  que busca proteger o trabalhador dos abusos de poder próprio dos empregadores / contratante, como entende o Sistema.
Este "risco" de abuso é plausível e compreensível na medida em que por serem constituídas unicamente para auferir resultados, sempre maiores, as empresas buscam reduzir seus custos, sendo normalmente os da Folha de Pagamento, expressivos, ocupando posição de destaque na matriz de custo das empresas.
Em resumo, quando celebramos um Contrato de Trabalho, pelo menos a maioria de nós, troca seu tempo e suas capacidades profissionais, por dinheiro, em relação que se fundamenta em interesses divergentes, ou seja, potencialmente conflituosa. 
Sober os ganhos auferidos com o trabalho, ou seja, o dinheiro, é justamente com ele que vamos buscar sobreviver e desfrutar dos prazeres da vida. Em resumo, para muitos trabalho é meio e não fim. Neste sentido é comum ouvirmos afirmações como: "Eu não gosto do que faço mas eu preciso do emprego" ou "Eu não gosto do meu emprego, mas preciso trabalhar".
E é tão simples assim. E tão abrangente e universal que poucas pessoas questionam sua mecânica, levando-nos a conviver com a sensação de não existir alternativa.
A ópera se fundamenta então no trabalhar para ganhar dinheiro. O dinheiro, que surgiu como meio, transformou-se em fim, máxima que chega a seu ápice com o crescimento do MERCADO FINANCEIRO, as Bolsas de Valores  por exemplo, cujo negócio passou a ser o próprio dinheiro, ou seja, a mecânica de fazê-lo "render" sem que necessariamente exista um negócio real detido pelos investidores. Quantos são os investidores cujo único negócio é especular com o próprio dinheiro e muitas vezes com o dos outros?    Opções, compra de carteiras de crédito, especulação com fundos imobiliários, enfim.... existem dezenas de mecanismos para este tipo de negócio.
Mas voltando às empresas do mundo real, comandadas por seus executivos, fornecedoras de bens ou serviços, o fato é que para obtenção de resultados, entenda-se lucro, o negócio desenvolve uma dinâmica própria, interna nas suas rotinas e procedimentos empresariais, e também externa, na sua relação com clientes e concorrentes.Assim, com base nestas duas dimensões dinâmicas, as empresas mergulham em um ciclo mensal de busca de atingimento de metas, resultados, desenvolvimento de novos produtos e estratégias, tudo em ambiente altamente competitivo e que compromete o dia a dia de seus Colaboradores.
Assim, ainda que um profissional também tenha que se desenvolver dentro da sua empresa, este normalmente está direcionado às suas aptidões profissionais, ou seja, para ser cada vez mais criativo, ter mais conhecimento, ser mais produtivo e combativo na busca e alcance dos resultados esperados.
O ponto que diferenciou o projeto da Ribasa reside no fato de que  todas estas características e objetivos tradicionais, foram tratadas como meio e não fim. Em outras palavras, auferir lucros, buscar diferenciação junto ao mercado consumidor, criatividade e competitividade, ainda se mantiveram como objetivos importantes, mas secundários frente a outro maior.
E qual seria este objetivo maior?
O DESENVOLVIMENTO HUMANO, este focado para a construção de um novo estágio de desenvolvimento social e ecológico, condição para que a humanidade possa viver uma nova era. Para nós, a dedicação das 44 horas semanais de trabalho de cada Colaborador, bem como suas capacidades profissionais estavam vinculadas e direcionadas a este desenvolvimento prioritariamente, em ações focadas para o desenvolvimento de aptidões normalmente não consideradas pelas empresas tradicionais.
Em termos dinâmicos, portanto, além dos fatores tradicionalmente tratados nas demais empresas, nós focamos a transformação do SER HUMANO.
E este posicionamento está vinculado à certeza de que tudo que vivemos durante nossas vidas, essencialmente tem valor para nós unicamente quando vinculado a construção da nossa espiritualidade, assunto que abordaremos nos próximos artigos.
Abraços
Walter

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ribasa 1 - Qual era a Verdadeira Dimensão do Negócio

No último artigo comentei sobre os destinos da Ribasa. Algumas pessoas me perguntaram sobre a razão de tê-lo feito, supondo que não houvesse justificativa para tal, afinal, segundo pensam, eu estaria expondo assuntos de ordem pessoal.
Mas a resposta para esta questão reside justamente na certeza de que nenhum de nós pode dissociar o seu desenvolvimento espiritual do cenário da sua vida diária, que inclui o trabalho, entre outros, no qual nós aplicamos grande parte das nossas energias e horas diárias.
O que foi então a experiência da Ribasa? Qual a importância da mesma? Será que ela pode apontar novas alternativas para o futuro?
As respostas a estas questões e o compartilhar da experiência que foi desenvolvida na empresa, constitui ponto fundamental para que os possíveis interessados possam entender o trabalho que será proposto através deste blog para o futuro, agora em dimensão muito mais ampla.
Assim, na medida do possível, iniciando hoje, vou compartilhar com vocês a essência da história da Ribasa em diversos artigos, que serão numerados para entendimento da sequência..
Desde de 2007, em função de uma série de fatores, eu me envolvi com a Massa Falida da Moller Metalurgica em Colombo/PR, que ao final daquele ano, com base em três Assembléias de Credores, acabamos adquirindo.
Apesar de um negócio aparentemente convencional, mesmo tratando-se da compra de uma Massa Falida, naquele momento iniciava-se uma experiência totalmente inusitada.
A empresa, que após sua aquisição passou a chamar-se RIBASA, foi palco da estruturação e exteriorização de um sistema filosófico, fruto de influências espirituais, vinculadas a mestres de vários tempos, influências estas que durante décadas foram se densificando energeticamente.
Até a compra da Ribasa todas estas forças agiam apenas a nível individual, num processo de transformação e amadurecimento pessoal muito lentos. Eu estava sendo e me preparando para o futuro. Assim, apesar de muito impactantes a nível de ser, as repercussões deste processo no coletivo, ou seja, junto às pessoas com as quais convivia foram até ali muito restritas. Em outras palavras, o mundo sempre foi fonte de inspiração em postura de assimilação e aprendizado constantes, tudo sob a luz, como já dito, de forças espirituais.
Tempo, lugar e circunstância se conjugaram de forma positiva quando a Ribasa passou a existir. Naquele momento o fluxo de energia começou a ser invertido, e eu fui designado para trazer à luz uma nova visão e possiblidade de vida para o ser humano. O fluxo se inverteu, e mesmo sendo ainda um aprendiz, a postura se transformou. Iniciou-se o tempo de agir, ainda que com toda humildade que o processo requeria e ainda requer.
E para que este sistema pudesse ser expresso, era fundamental a existência de um palco concreto de atuação, um palco no qual a vida realmente acontecesse no seu dia a dia. E foi justamente a Ribasa que se transformou neste palco, envolvendo suas dezenas de colaboradores, que em determinado momento chegaram a somar mais de 200 pessoas.
Assim, a Ribasa foi muito mais do que um negócio. Afirmo categoricamente, inclusive, que a dimensão negocial da empresa assumiu papel secundário frente à proposta Filosófica / Espiritual que foi estruturada e implantada, tendo sido nesta dimensão uma experiência extremamente vitoriosa.
É este novo sistema, apresentado com base na história da Ribasa, que quero compartilhar com vocês também!
Até
Walter

segunda-feira, 19 de março de 2012

Quebrando o Silêncio

A postagem do meu último artigo neste blog, intitulado O RESGATE DA MARGINALIDADE, ocorreu no dia 07 de junho de 2011, ou seja, há quase um ano atrás. Aquele foi o artigo que fechou um ciclo, ainda que este movimento não tenha sido planejado conscientemente.
De lá para cá muitas, mas muitas coisas mesmo aconteceram. Entre elas vale citar, provavelmente como a mais importante, o encerramento das atividades da RIBASA, palco no qual se estruturou  em forma de preceitos e princípios para a convivência humana o que viemos a chamar de Filosofia Ribasa. Isto aconteceu no mês de outubro/2011. Na linguagem do mundo dos negócios, a empresa literalmente QUEBROU, fechando as portas, pelo menos naquela forma inicial, para um conjunto de novas possibilidades. Apesar de ainda hoje se manter como empresa, processo que acompanhei pessoalmente com muita proximidade, já que fui morar dentro das suas instalações, desde o encerramento das suas atividades o projeto deixou de existir, ou seja, já não existe mais VIDA na RIBASA. Restou apenas a casca, a estrutura morta, um corpo inerte. Assim, desde outubro, de forma muito solitária, me ocupei do seu velório, uma longa noite que aparentemente não tem fim. Querendo seguir em frente para poder trabalhar novamente na luz, fazendo germinar as sementes que este ser tão generosamente plantou no meu coração, durante todo este período eu desejei profundamente poder realizar o seu enterro, para que ele pudesse descansar. Mas as leis do mundo assim não o permitiram e seu velório continua, um processo muito doloroso para minha pessoa.
No entanto, por um ato de profunda bondade de um grande amigo, o Alberto, eu fui rendido da minha função, tendo ele assumido a burocracia e a condução deste velório, que segundo novos planos, vai se transformar em novo ciclo de vida para a empresa. Que assim seja. E que seja bem sucedido!
Mas para mim, ao nível material, está encerrda mais uma etapa da minha vida. Em termos patrimoniais, pessoalmente perdi tudo que tinha. Também perdi praticamente todos os AMIGOS, a família - irmãos e pai, todos afastados.
Na verdade, assim como na fábula de João e o Pé de Feijão, troquei tudo que tinha por algumas sementes mágicas. E desde que as atividades da empresa se encerraram, apenas com estas sementes no bolso, digo, no coração, eu venho preparando o mesmo com muito cuidado para que nele possam germinar no momento certo as sementes pelas quais troquei o mundo. Como um verdadeiro tesouro, eu cuidei delas, sabendo que em algum momento e de alguma forma elas deveriam germinar, e desta forma revelar toda sua magia..
E eu sinto que este momento está chegando..... razão pela qual estou quebrando o silêncio.
Até o próximo!
Abraços
Walter