quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ribasa 9 - Guerra ao egoísmo - rv 02

Egoísmo, assim como temos afirmado nos últimos artigos, é a denominação dada a um conjunto de processos, sentimentos e emoções correlatas que caracterizam pessoas para as quais o atendimento de seus interesses e desejos constitui o ponto em torno do qual gravitam suas vidas. 
Na Ribasa nós declaramos guerra ao egoísmo, certos de que esta guerra compõe a matéria prima, o combustível para promoção do DESENVOLVIMENTO HUMANO no sentido ESPIRITUAL. Estamos certos de que esta guerra é o ponto central das nossas vidas, sendo tudo mais MEIO, como já afirmamos, ou seja, matéria prima para o DESENVOLVIMENTO DO ESPÍRITO. E quando afirmamos que algo é MEIO, não queremos dizer que por esta razão seja dispensável. Muito pelo contrário, é justamente a existência das experiências humanas, da própria vida, constituída como MEIO, que compõe o único cenário possível para o trabalho ESPIRITUAL que defendemos,
Existiram e ainda existem linhas e escolas de desenvolvimento espiritual que defendem e utilizam como método para atingí-lo o isolamento, inclusive extremo como o caso dos eremitas. De um modo geral, para estas, o desenvolvimento espiritual está vinculado a vida em monastério. De qualquer forma, quando nós falamos em egoísmo e atendimento à necessidades individuais, na verdade estamos falando sempre de um ser em relação, ou seja, o egoísmo se contrapõe potencialmente à interesses e desejos de terceiros. Assim, e isto é muito importante, o egoísmo somente se caracteriza em situação de relação, ou seja, quando a defesa de interesses e desejos individuais pode ser conflitante com os interesses e desejos de outra pessoa. E isto acontece de fato no complexo jogo das relações humanas. E por consequência, no nosso entender, o DESENVOLVIMENTO DO ESPÍRITO se dá basicamente dentro do cenários da convivência humana. O OUTRO é parte fundamental do caminho, como veremos em artigos próximos.
No entanto, apesar de ser uma característica mais ou menos preponderante em todos os seres humanos no mundo atual, até porque apropriada pela cultura, pelo modelo civilizatório atual, principalmente na sua dimensão econômica, o egoísmo vive nas sombras, na escuridão do nosso ser e da própria Sociedade. Ele não é bem vindo e nem bem visto. E esta não explicitação e aceitação aberta do egoísmo provavelmente é resultado histórico da influência das religiões, do Cristianismo por exemplo. Mas mesmo não exposto e aceito abertamente, isto não significa que ele não predomine, muito pelo contrário, justamente por viver nos subterrâneos da vida do mundo atual, dentro de todos nós, ele se torna mais poderoso e perigoso.
Além de andar nas sombras, ele também é difícil de ser caracterizado, de ser pego em flagrante, pois esconde-se sob o manto da hipocrisia, disfarçado por uma série de artimanhas emocionais e outros argumentos. Não é comum encontrarmos pessoas que professem ou assumam defender abertamente seus interesses e desejos individuais em detrimento dos de terceiros. E ainda que disto sejam acusados, geralmente esquivam-se de forma muito astuta.
O egoísmo precisa ser capturado, agarrado pelo rabo, para que não possa escapar, para que seja trazido à luz do dia, para fora dos subterrâneos do inconsciente, como dizia Freud. E só assim ele pode ser iluminado, o que permitirá um trabalho para sua possível superação.
Esta nós afirmamos como possível, com a ressalva de que para o processo de superação do egoísmo, entenda-se DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL possa se tornar efetivo, individualmente, é preciso que haja uma decisão. E esta decisão é exclusiva de cada ser humano, assunto que abordaremos em um próximo artigo.
Mas como é que se pega o egoísmo pelo rabo? Quando falamos dos eremitas, também nos referimos aos monastérios, como centros em que se buscava o DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL. E os monastérios são exemplos de ambientes muito apropriados para se agarrar o egoísmo pelo rabo. Os monges ou seja lá qual a denominação que recebem, vivem em relação com terceiros, todos pares, e tem seus atos acompanhados praticamente durante as 24 horas do dia. Quando flagrado, o egoísmo em suas muitas manifestações, passa a ser caracterizado como pecado, e portanto associado ao diabo, razão pela qual precisa ser expulso, o que pode ser feito através da penitência, por exemplo. 
Ainda que questionáveis tanto os métodos, como a forma e os objetivos da vida monástica, para nós é importante a percepção de que neste modelo de vida o egoísmo era flagrado em suas artimanhas, sendo retirado dos subterrâneos do ser humano.
E é justamente neste sentido, com outros métodos, conceitos e objetivos, que nós construímos um ambiente na Ribasa também adequado para pegarmos o egoísmo de cada um dos Colaboradores pelo rabo. Em outras palavras, a Ribasa também se transformou em uma espécie de monastério dos tempos atuais. E era justamente isto o que de certa forma afirmávamos em nossas reuniões gerais, tão frequentes na fábrica. E aí cabe uma explicação sobre estas reuniões. 
Pelas características e necessidades do trabalho, as reuniões gerais na fábrica eram muito frequentes, durando cada uma delas cerca de 20 a 30 minutos. Eram convocadas sem qualquer agenda a qualquer momento do dia, tudo em função da urgência dos assuntos a serem abordados, e representavam, de fato, a paralisação de todas as atividades produtivas e administrativas da fábrica. Como não tínhamos auditório para abrigar todo o grupo de colaboradores, chegamos a ser mais de 200 pessoas, as reuniões eram feitas no barracão principal, em frente ao setor de PPCP (Planejamento da Produção), espaço que não tinha máquinas instaladas. No início todos ficavam de pé, transmitindo uma impressão de improviso, além do desconforto. Mais tarde tivemos a idéia de comprar aqueles banquinhos de pesca, que são pequenos e práticos de carregar de um lado para o outro. Foi uma festa, pois cada Colaborador ganhou o seu banquinho com seu nome gravado na estrutura. A partir desta decisão, todo novo colaborador ao chegar na empresa, durante a sua apresentação ao  grupo, também durante uma reunião geral, ganhava seu banquinho, além de uma vassoura, assunto que vamos abordar em outro artigo. E assim, depois da distribuição dos banquinhos, quando convocadas as reuniões gerais, todos vinham caminhando com seus banquinhos enganchados em um dos ombros. Cena muito interessante.
A idéia, portanto, era trazermos o egoísmo a luz do dia para podermos tratá-lo e utilizarmos suas artimanhas como combustível, matéria prima para o desenvolvimento espiritual dos colaboradores. E a exemplo dos monastérios, tudo era muito adequado para tal empreitada. Pois como fábrica que era, processos muito bem definidos compunham o cenário do dia a dia de todos os envolvidos. De um lado a entrada de projetos, com base em pedidos e encomendas de clientes, e de outro a saída de equipamentos com alto nível de precisão. Para se ter idéia, uma turbina hidráulica, basicamente feita em aço, que chega em forma  de chapas planas, deixava a fábrica para girar com seu rotor em até 1400 RPM (rotações por minuto). Ou seja, um nível de rotações que exige ajustes e montagens de alta precisão, de décimos de milímetros. Neste sentido, eu afirmava sempre, a Ribasa era uma verdadeira fábrica de obras de arte, um atelier, e os colaboradores, principalmente os do chão de fábrica, seus verdadeiros artífices. Assim como turbinas hidráulicas, a Ribasa também fabricou, como empresa terceirizada, peças para Petrobrás, para plataformas de exploração submarina de petróleo, além de equipamentos para fábricas de papel, ração animal, cimento e tantos outros setores.. 
E temos que considerar que grande parte das encomendas e pedidos, ainda que possivelmente similares a projetos anteriores, eram sempre projetos especiais, específicos, exigindo um altíssimo nível de detalhamento e atenção para sua fabricação, ou seja, não tínhamos produção seriada na Ribasa. E ainda assim, durante os quatro anos de existência da empresa, tempo em que durou o projeto do qual estamos tratando, a qualidade dos produtos entregues pela Ribasa foi certamente o seu ponto forte, amplamente reconhecido pelos seus clientes. Este foi o grande patrimônio da empresa durante sua existência, não tendo sido esta a dimensão que acabou levando ao encerramento de suas atividades em 2011.
Com o processo controlado, necessariamente, já que o produto final exigia alto nível de precisão, era justamente durante a fabricação de cada projeto, em cada uma de suas etapas, ou seja, desde o recebimento dos desenhos, detalhamento, compra de matéria prima, preparação e corte das chapas, calderaria e solda, usinagem, jateamento pintura, montagem e ajustes finais, inspeções de qualidade (durante todo o processo) e por fim expedição, que o egoísmo mostrava suas garras. E este mostrar suas garras se caracterizava nas falhas de processo. Em outras palavras, ele mesmo não se mostrava, mas deixava suas marcas. E justamente quando estas marcas eram encontradas que nós as rastreávamos para agarrá-lo, o egoísmo, e tirá-lo das sombras.
Assim, quando qualquer falha de processo acontecia, pelo menos as mais importantes, nós voltávamos no tempo, rastreando as diversas etapas do processo, envolvendo neste processo todos os colaboradores arrolados no processo. E assim, quando bem sucedidos, nós conseguíamos chegar ao ponto em que as explicações técnicas já não conseguiam mais dar conta dos fatos, mergulhando então no fator humano, na maioria das vezes nos processos relacionados ao egoísmo.
A intenção e o objetivo deste movimento não era a punição, de forma alguma. A punição, como jã comentado em artigo anterior, representaria o pagamento do que chamamos de erro, desencadeando sentimentos e emoções negativas, reforçando o próprio mecanismo do egoísmo em seus aspectos mais negativos.
A nossa intenção era respeitar o processo que havia levado o Colaborador ou Colaboradores à falha. Não queríamos ASSUSTAR o egoísmo. Queríamos que ele viesse a tona e se sentisse acolhido na luminosidade do dia. Não no sentido de que a sua existência deveria ser reforçada, mas no sentido de mantê-lo na superfície para ser, ele mesmo, fundamento, base para o passo ESPIRITUAL do comportamento, assunto que vamos abordar nos próximos artigos.
Sds
Walter
waltrisc@uol.com.br

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ribasa 8 - A chave para a mudança - rv 03

No último artigo falamos do egoísmo, este entendido como um conjunto de processos interiores, baseados em forças psíquicas próprias dos seres humanos, que tem como viés principal a busca da realização individual de desejos e impulsos. Quanto maior a predominância destes processos em cada um de nós, mais ou menos egoístas seremos.
Neste sentido, portanto, as empresas se transformam em campo de batalha destas forças em diversos níveis. É puro direcionamento de energia para o foco que estiver mais em evidência para o grupo. Assim, por exemplo, se estas forças não estiverem direcionadas para algo externo, para o mercado, por exemplo, a explicitação destas forças se dará dentro do ambiente de trabalho, transformando a empresa em um conjunto de feudos que viverão em guerra constante, ainda que velada..
Nós vivemos em uma realidade, na verdade um modelo de mundo e civilização que apenas se apropria destas forças que compõe o que entendemos como egoísmo, na forma que foi colocado acima e no antigo anterior, em dinâmica que faz a engrenagem do sistema como o conhecemos girar. E isto nunca foi feito na história humana com tanto refino como na atualidade. Afinal, em maior ou menor grau, o mundo consegue gerar espaço para realização dos desejos de grande parte da população mundial, constituindo-se em promessa neste sentido. E isto acontece não apenas  em termos quantitativos mas também qualitativos. Ou seja, nunca antes na história humana foi tão alto o percentual da população inserida no círculo representado pela possibilidade de realização dos seus desejos.. Por outro, também nunca antes a humanidade teve a sua disposição tamanha diversidade de produtos e alternativas de consumo. Deste ponto de vista, o mundo pode ser caracterizado como um maravilhoso playground, com diversão garantida para todos. Basta ter DINHEIRO!
Mas se é assim, se vivemos em uma época de prosperidade, a mais próspera da história humana, por quê razão temos que mudar de direção conforme afirmamos? E a resposta a esta questão não é única. Na verdade são respostas que se colocam em diversos níveis.
Podemos encontrá-las a nível do indivíduo, das comunidades e sociedades e do meio ambiente, além de outros que não vamos abordar neste momento. Para que fique mais claro, vamos apresentar algumas delas.
1. A nível do indivíduo - apesar de termos acesso a tudo que desejamos, em menor ou maior grau, esta "fome", mesmo quando atendida, não nos traz a tão sonhada saciedade. Seguimos de desejo em desejo, o próximo celular, o novo carro, o apartamento maior e mais bem localizado, a viagem tão sonhada..... e ainda assim, apesar de tudo que temos e conquistamos, nos sentimos com um gosto amargo lá no fundo do nosso ser, um vazio existencial. É como se o atendimento de nossos desejos, sonhos e planos, no nível proposto pelo mundo, de fato não nos realizasse plenamente como seres humanos;
2. A nível da comunidade e sociedade - constatamos que vivemos de forma cada vez mais fragmentada e isolada. Já não vivemos de fato em comunidade, em interações positivas.e de alguma forma produtivas. Nós convivemos apenas dentro de nossos círculos de relacionamentos, entre eles a família, os colegas de escola, trabalho ou igreja, amigos da balada, das comunidades virtuais, sempre com o viés do entretenimento. Em oposição, o trabalho se caracteriza como já comentamos, em meio para conseguirmos os recursos que nos darão acesso às promessas de consumo, constituindo-se no fardo do "chegou a segunda feira novamente". Esta fragmentação e isolamento chegam a ponto de termos perdido inclusive a capacidade de articulação política, como é o caso no Brasil, onde convivemos passiva e pacificamente com a corrupção vergonhosa e desenfreada de grande parte dos políticos. Parece que desde que não atinja o espaço para realização dos nossos desejos individuais, traduzido basicamente pelo consumo, tudo isto não importa. Mas o fato é que esta corrupção representa um elo velado da violência que domina as relações do mundo atual. A mesma corrente que em nível bem específico gera a violência das ruas, esta não um mero efeito marginal do sistema, mas um sintoma totalmente integrado a esta corrente da qual a corrupção faz parte. Pois afinal, toda a forma de violência representa também uma ou outra forma de egoísmo  já que invade o interesse e o espaço alheios, as vezes ameaçando a nossa própria integridade física. Assim, o político que é flagrado pela Polícia Federal em continuado processo ilícito para busca de realização de seus interesses privados, quebra a própria imagem de homem público, que afinal é eleito para defender o interesse público e não o seu interesse privado.
3. A nível do meio ambiente - considerando que em todos os níveis buscamos a realização apenas de desejos, já que esta é a máxima do mundo atual, não resta nada mais ao meio ambiente senão o de se ver transformado em alvo final deste processo voraz que move a humanidade. Novamente, meio ambiente, afirmam, vamos cuidar, desde que não atinga a possibilidade de realização de nossos desejos, ou seja, que o sistema continue funcionando da mesma maneira. Desta forma, tudo caminha a passos muito lentos. Para cada tímido avanço que é alcançado em termos de conservação, a voracidade do modelo multiplica seus efeitos.
Portanto, este modelo que alimenta esta voracidade louca precisa ser superador, ainda que ele seja legítimo, já que baseado e fundamentado no nosso passado psíquico. Se quisermos ter futuro, precisamos mudar radicalmente a perspectiva sobre nossas vidas, sem que isto, no entanto, represente abrir mão dos fantásticos avanços que conseguimos atingir do ponto de vista tecnológico. Em outras palavras, não estamos falando em um movimento naturalista de retorno, tipo o movimento hippie ou coisa parecida. É algo totalmente diferente. Estamos falando de uma revolução que deverá levar o ser humano a novo patamar de existência, algo totalmente diferente de tudo que já foi vivido anteriormente pelo homem. Estamos falando de um novo futuro, totalmente diferente.
Em um dos artigos escritos em março de 2011, sobre o Tsunami que varreu o Japão, comentamos que a nossa constituição psíquica atual, fonte de todo "modus vivendi" da humanidade, representa extrapolação das forças psíquicas expansivas que nos constituem, forças estas que eram barradas inicialmente pela  natureza, que impunham seus limites a nossa própria sobrevivência como espécie e expansão. Sempre houve este embate, em equilíbrio instável. Mas o fato é que o homem, a partir do momento em que se apoderou das sementes do espírito, representado como já falamos pela superação dos limites do tempo, movimento possível graças ao dom da linguagem, a balança foi se desequilibrando, permitindo à humanidade o desenvolvimento de um PODER cada vez maior sobre a natureza, que se traduziu em forma de exploração, de subjugação. O engodo desta história reside no fato de que em última instância, o exercício deste PODER pela exploração da natureza, não considera que o próprio ser humano é parte integrante dela, frágil diga-se de passagem, e que deste processo de exploração que leva o planeta à exaustão ele também será vítima. E isto já estamos vivenciando, pois todos estamos conscientes de que  já é concreta a  ameaça da nossa própria superação, traduzida pela possibilidade de nossa extinção.
E esta é a expressão em nível mais alto, pelo menos dentro do planeta Terra, do egoísmo, cuja SUPERAÇÃO é a CHAVE para abertura de um novo caminho. O egoísmo é fruto do nosso passado e sua superação é condição para viabilizarmos o futuro.
A compreensão desta realidade é condição para que se possa entender o processo que foi implantado na Ribasa, pois justamente na superação do egoísmo focamos todo o trabalho, caracterizando o processo que denominamos de DESENVOLVIMENTO HUMANO rumo a uma maior ESPIRITUALIDADE, tema que vamos continuar tratando nos próximos artigos.
Abraços
Walter
waltrisc@uol.com.br

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ribasa 7 -Conflito de interesses - rv 02

No último artigo tratamos dos mecanismos de gestão tradicionais, traduzidos no artigo como CENOURA e CHICOTE, e a busca de superação destes dentro do novo modelo de gestão implantado na Ribasa, este, retomando, voltado e focado no DESENVOLVIMENTO HUMANO no  sentido ESPIRITUAL. A longo prazo e dentro de um horizonte mais amplo, estávamos buscando estruturar um modelo, um caminho dentro do mundo e da realidade atual que nos permitisse a formação de pessoas para um novo mundo, processo este baseado em ações intensivas, ou seja, de exercício diário, razão pela qual a escolha pelo ambiente empresarial.
Hoje vamos abordar o por quê da necessidade de superação do modelo CENOURA e CHICOTE dentro da nova visão filosófica implantada na Ribasa. Como vimos, esta mecanismo tradicional, ainda dominante na maioria das empresas, se fundamenta na existência de conflitos entre os interesses do CAPITAL, este entendido como um montante de recursos financeiros aplicados em determinado negócio com vistas ao seu aumento, SEM LIMITES, e o dos próprios trabalhadores. Afinal, se de um lado os trabalhadores representam condição insuperável, na maioria dos casos, para a consecução dos objetivos do CAPITAL, já que parte do processo do negócio, de outro, como geradores de custos, produtividade maior ou menor, falhas e acertos potenciais, eles representam também um obstáculo. Assim, a gestão destes conflitos transforma-se em ponto fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa.
Do ponto de vista da Filosofia Ribasa, esta questão é aprofundada, questionando-se e buscando-se a origem destes conflitos de interesses. Primeiramente, temos que constatar que de alguma forma este mecanismo está, pela sua abrangência, fundamentado na própria natureza humana. De fato, podemos afirmar que a origem deste conflito está no que chamamos e conhecemos como egoísmo, este entendido como a soma de uma série de processos pelo quais o ser humano busca a realização de seus desejos e impulsos pessoais, tendo estes como centro de gravitação para a maior parte das suas atitudes e ações.. Entendido como um conjunto de processos, ele engendra uma série de forças e tendências inerentes à nossa natureza, entre elas: a lei do menor esforço, entenda-se preguiça, a falta de limites para a realização de seus desejos, entenda-se ganância, a busca pelo acúmulo e não divisáo das riquezas, entenda-se avareza, e assim por diante. Em cada um de nós, em maior ou menor grau, ele é presente, ou melhor, dominante, já que processo e não coisa.
Assim, para a maioria de nós, um emprego, não trabalho, representa antes de qualquer outra coisa um MEIO para conseguirmos os recursos, hoje representados basicamente e quase exclusivamente pelo DINHEIRO, que nos permitirão a realização de quase todos os nossos desejos, ilimitados diga-se de passagem. É importante que façamos distinção entre emprego e trabalho, pois ela reafirma o fato de que todos nós buscamos fazer o mínimo esforço em troca do máximo benefício, entenda-se novamente DINHEIRO. Esta inclusive é a lógica, levada ao limite, ou seja, do não fazer nada, que move milhões de indivíduos a fazerem duas vezes por semana, sua FÉZINHA na MEGASENA, por exemplo. Com base neste mecanismo natural, podemos entender dois dos principais conflitos entre CAPITAL e TRABALHADORES. Estes últimos querem ganhar sempre MAIS trabalhando sempre menos e o primeiro pagar sempre MENOS com os trabalhadores sempre MAIS. Assim, é claro, grande parte dos patrões odeia os feriados, enquanto os TRABALHADORES os amam.... na verdade eles contam os dias para os finais de semana, os feriados e as tão esperadas férias. É comum ouvirem-se afirmações como ".... e esta semana que não passa!!!!". Experimente andar pelas ruas pela manhã para observar o semblante dos trabalhadores que seguem para seus empregos. Parece que vão para o forca ou o inferno. Ah!!! Mas eu gosto do meu emprego, gosto do que eu faço, dirão muitos. Neste caso, sem que os conflitos desapareçam, o peso fica menor, ainda mais quando acompanhado de um bom salário e regalias.
Mas o fato é que a superação destes conflitos, e existem outros, não só é condição para podermos construir uma empresa diferente, como fizemos na Ribasa, mas também para construirmos um mundo diferente, que possa ter continuidade, pois em se dando continuidade a forma como temos vivido já há milhares de anos, apesar de todo verniz da modernidade, tecnologia e conforto, vamos destruir o próprio planeta e assim, por decorrência, a nós mesmos.
Em outras palavras, a superação da nossa natureza, da qual falamos de alguns aspectos acima, é condição hoje colocada como imperativo para que possamos seguir em frente. E para nós esta superação não deve ser entendida como supressão, muito mais, ela significa a construção de um novo patamar de existência interior individual, trabalho que traduz o que entendemos por DESENVOLVIMENTO HUMANO no sentido ESPIRITUAL. Esta será a próxima revolução pela qual passaremos como espécie humana, provavelmente uma das maiores já experienciadas. Literalmente superaremos a nossa natureza nos seus fatores limitantes, entrando em uma era de grande expansão da capacidade humana.
No próximo artigo aprofundaremos um pouco mais estas duas realidades e a oposição entre elas.
Abraços
Walter
waltrisc@uol.com.br





sexta-feira, 13 de abril de 2012

Ribasa 6 - Nem cenoura, nem chicote

No último artigo afirmamos que no modelo de gestão da Ribasa foi extinta a função de CHEFIA como tradicionalmente conhecida. Este foi um dos aspectos que trouxe maior dificuldade tanto para compreensão dos Colaboradores quanto para assimilação prática desta nova atitude para aqueles que exerciam estas funções anteriormente e que deveriam encará-las sob nova perspectiva. Afinal, trata-se de um fundamento de toda nossa cultura, na verdade, de toda história humana, a existência da figura do chefe, dos mais diversos tipos. Na verdade  de um modo geral não conseguimos fugir dos chefes que perseguem nossas vidas.
E foi justamente na dimensão do PERSEGUEM NOSSAS VIDAS, que encontramos a motivação para extinção da chefia. Afinal, para que existe o chefe, a figura do chefe?
De um modo geral, a chefia tem como missão maior pela incorporação da visão da empresa, atuar e promover ações para que seus objetivos e resultados sejam atingidos. Assim, o chefe de um modo geral é o carrasco que se impõe sobre o grupo de trabalhadores. Ainda que esta visão seja considerada ultrapassada, substituída pela figura mais romântica do LÍDER MOTIVADOR, de fato, se os resultados não aparecerem, ou morre o LÍDER MOTIVADOR e volta o CARRASCO, ou troca-se o  próprio LÍDER / CHEFE.
Em resumo, de um modo geral, considerada a natureza humana e dos próprios negócios, existe um irremediável conflito de interesses entre  os objetivos da chefia, entenda-se empresa, e os demais Colaboradores, pelo menos em sua grande maioria. E a conciliação  deste conflito nem sempre explícito, dá-se pelo exercício do PODER, com a aplicação de todos os mecanismos envolvidos. Assim, MANDA QUEM PODE, OBEDECE QUEM PRECISA, esta uma versão distinta do ditado que eu conhecia na sua última parte como OBEDECE QUEM TEM JUÍZO. E foi no chão de fábrica que eu acabei conhecendo esta nova versão, na verdade muito mais apropriada. Voltando à questão dos resultados pretendidos, em todos os níveis da empresa, normalmente trabalha-se com dois mecanismos.... de um lado a cenoura, ou seja, os prêmios, incentivos, promessas de aumentos de salários, promoções por reconhecimento, e do outro, o chicote, este representado por todas as punições e perdas decorrentes de desempenhos inadequados ou indesejados, entre elas a famosa xingada, corte do ponto, preterimento nas promoções e aumentos de salários,  descontos em folha, advertências, suspensões e por último, demissão. Ainda que sejam maquiados e apresentados das mais diferentes formas, estes dois mecanismos ainda são os que reinam no mundo empresarial.
Mas na Ribasa a proposta foi diferente ou pelo menos trabalhamos para isto.
A nível de cada um dos Colaboradores, na Ribasa nós queríamos chegar ao fundo do poço, ou seja, queríamos  enxergar cada profissional na sua realidade, nua e crua, para além, inclusive, da sua dimensão profissional. Afinal, no nosso entendimento, esta deveria ser a base, o único fundamento firme para podermos trabalhar na dimensão do DESENVOLVIMENTO HUMANO.
Neste sentido, conto uma história que acontecia com frequência dentro da Ribasa para que se possa entender a dinâmica desta processo.
Por trabalharmos com a fabricação de turbinas e hidromecânicos, equipamentos muito pesados, que necessitavam ser montados em obra, ou seja, nas Centrais Hidrelétricas para as quais eram fabricados, a Ribasa enviava à campo equipes de montagem que permaneciam durante meses neste trabalho. Esta turma, por estar distante da fábrica, literalmente acabava ganhando ASAS. É como se a gente soltasse os pássaros da gaiola, em todos os sentidos. O que acontecia no campo era coisa de cinema,  um verdadeiro espetáculo. Para ter-se idéia da dimensão do que acontecia, basta afirmar que apesar destes colaboradores ganharem acréscimo salarial significativo durante este período, além de todas as despesas pagas, era justamente neste período que eles geravam suas maiores dificuldades financeiras, com algumas exceções. Tanto solteiros como casados acabavam "caindo" na vida. Bebedeiras, bailões, mulherada.... enfim, uma verdadeira festa. Além disto, no caso da empresa, como o controle de frequência era feito por registro manual, as informações eram muito frequentemente adulterada, principalmente as referentes à realização de horas extras. E tudo isto apesar de terem um coordenador, também da Ribasa. O fato é que o grupo criava um mundo próprio de cumplicidade, com regras totalmente distintas daquelas aplicadas quando estavam na fábrica. As despesas, por exemplo, quando não definidos os limites pela empresa, acabavam sempre superando o razoável, com consumo de coisas as mais estapafúrdias. Em resumo, a distância e a falta de controle rígido propiciavam o ambiente ideal para a expressão da real natureza de cada um dos envolvidos. No caso da Ribasa, nestes casos, nós teimamos em não estabelecer limites. Por outro lado, alimentados pela "rádio peão" e pelos controles de despesas, nós apresentávamos estas histórias nas reuniões gerais que realizávamos semanalmente na fábrica. Sem citar nomes, nós aplicávamos a técnica do espelho, e com bom humor, contávamos as histórias e falávamos da lógica envolvida. Era quase que um teatro. A turma caía na gargalhada. Os envolvidos ficavam constrangidos e assim escapávamos da lógica do castigo e punição. Era óbvio que mesmo sem citar nomes, todos sabiam do que e de quem se tratava. E de modo geral, a "camisa" acabava servindo para muita gente. A intenção era não engatilhar os mecanismos próprios de defesa, que normalmente são desencadeados quando existe qualquer forma de reprimenda ou punição. Na verdade estes  dois mecanismos, reprimenda e punição, representam para aquele ou aqueles que infringiram ou excederam os limites razoáveis da conduta, o pagamento final, trazendo como consequência, sempre, sentimentos de natureza negativa.
Assim, da mesma forma, quando Pais punem ou repreendem filhos, eles os afastam em dois sentidos. De um lado, dos próprios Pais, e de outro, o que tem consequências mais graves, deles próprios, pois para tentar evitar estas situações negativas no futuro, eles começarão a mentir ou omitir fatos.
Mas de fato, ainda que a repreensão ou punição possam enquadrar o comportamento, isto  não significa que tenha havido uma mudança a nível de ser. Muito pelo contrário, este mecanismo cria apenas uma personalidade esquizofrênica, com cisão interna ao indivíduo entre o qjue ele passa a considerar como público, ou seja, a sua imagem, e o privado, ou seja, o que ele faz quando os mecanismos de controle estáo ausentes, geralmente na sua intimidade.
Do ponto de vista espiritual este mecanismo é devastador, pois simplesmente bloqueia a capacidade de DESENVOLVIMENTO HUMANO. Desta forma, ainda que como ser humano ele possa construir uma história, esta praticamente vai se desenvolver à margem do seu espírito, transformando sua vida em um grande vazio, percepção da qual se tornará consciente apenas quando com idade mais avançada.
Assim, no caso da Ribasa, a forma de tratamento destas questões através da técnica do ESPELHO, não trazia solução fácil ao Colaborador. Ele não pagava a conta, e portanto, ficava com o problema não resolvido. Ele tinha que carregar o peso, o que o mantinha preso à sua atitude, não permitindo que se desviasse e se escondesse atrás de sentimentos e emoções negativas, esta dirigidas a quem o havia PUNIDO, se este fosse o caso.
No próximo artigo vamos abordar a forma como este processo pode desencadear a retomada da história espiritual do ser humano.
Abraços
Walter

domingo, 8 de abril de 2012

Ribasa 5 - Um pouco das repercussões na gestão

Já falamos que o objetivo maior da Ribasa era estabelecer as condições e promover o DESENVOLVIMENTO HUMANO de seus Colaboradores no sentido ESPIRITUAL. E que para tal, como sinal da nossa vocação para caminharmos para este mundo Espiritual, e também fator de diferenciação da espécie humana em relação a todas as demais formas de vida existentes sobre o planeta, nas dimensões de domínio comum, apontamos a LINGUAGEM, a capacidade de FALAR como o ponto central e a grande ferramenta de trabalho.
Por outro lado, o FALAR, como ferramenta, encontra sua aplicação maior na relação com o outro, ou seja, apesar de podermos falar interiormente, ou seja, com nós mesmos, é na relação com o outro que o FALAR revela toda sua potencialidade.
Assim, o FALAR foi utilizado como o grande mote do modelo de gestão da Ribasa, transformando-se em ferramenta voltada à construção de uma consciência reflexiva sobre as atitudes individuais e grupais no dia a dia da empresa. Esta técnica chamávamos de ESPELHO, ou seja, era utilizada para trazer a tona, ao nível do discurso (FALAR), a gênese, a motivação interna para as atitudes comuns dos nossos Colaboradores, sejam elas positivas ou negativas, de acordo com os resultados pretendidos a priori.
Assim, por exemplo, quando acontecia uma falha no processo produtivo, buscava-se conversar com todos os envolvidas para encontrar o exato momento em que a falha ocorreu, buscando trazer a tona, ao final, os sentimentos envolvidos na atitude daqueles que geraram a falha. Em outras palavras, trabalhamos com uma espécie de engenharia reversa do espírito, buscando a origem do que acontece no mundo real em outro tempo e na sua real motivação, geralmente não aparente. Assim, as "coisas"  do mundo real, os acontecimentos nos serviam como ponto de partida, nunca de chegada.
A empresa estava certificada em seus processos pela ISO9001, tendo incorporado, como uma de suas principais ferramentas, as RNCs - Relatórios de Não Conformidade. No caso da RIBASA, estes relatórios foram utilizados com uma dimensão diferenciada. Eles não estavam direcionados unicamente às falhas de processos, mas indo mais além, com maior profundidade, buscavam identificar as atitudes envolvidas e suas motivações a nível de sentimentos, em outras palavras, buscando o fator humano mais básico na geração das falhas. E assim nós corroboramos a percepção que já nos era clara desde que afirmamos o objetivo principal da empresa, que as falhas de processo, ou seja, aquelas relacionadas com fluxos inadequados ou falta de informações e/ou controles, ou ainda, falhas de equipamentos ou ferramentas, representavam um percentual mínimo dos problemas que ocorriam na empresa, das não conformidades geradas no dia a dia. Por outro lado, constatamos que o maior percentual de geração de falhas, de todas as naturezas, era representado por motivações de caráter mais humano, próprias daquela dimensão que representa o nosso passado, foco da mudança que estávamos propondo.
E neste sentido a Ribasa apresentava ambiente ideal, já que vale lembrar que praticamente toda a fabricação da empresa era não seriada, ou seja, fabricação por demanda com projetos únicos. Em outras palavras, a fabricação de cada equipamento, ainda que eventualmente similar a algum anteriormente fabricado, era única, demandando intensa interação entre os diversos departamentos da empresa. E em determinado momento, estávamos falando de mais de 200 pessoas envolvidas, um verdadeiro espetáculo humano. 
Assim, nós fomos trazendo a tona, através do FALAR, utilizado como ferramenta de criação do efeito ESPELHO, as reais motivações das falhas, ou seja, do comportamento individual de cada Colaborador dentro da empresa..
Em um primeiro nível, nós descobrimos coisas como falta de atenção, preguiça, pouco caso, sabotagem , falta de compromisso, pouco caso, e outros. Mas em um segundo nível, por detrás destas atitudes, haviam emoções muito mais difíceis de serem trazidas a tona, entre elas, o orgulho, a inveja, o rancor, a raiva e o ódio, a competitividade, a vingança, o desprezo e tantas outras emoções. E eram estas motivações que queríamos trabalhar. Trazendo estas emoções, estas dinâmicas à luz da consciência, através do FALAR nas relações, sabíamos que tínhamos a chance de fazer uma verdadeira revolução.
Por outro lado, no sentido prático, estas concepções básicas que fundamentavam a gestão da empresa, foram gerando mudanças na de sua administração, como decorrência inevitável.
Um dos maiores impactos no dia a dia da empresa foi o fim da tão conhecida "caça às bruxas". Em outras palavras, dentro da Ribasa era proibido a busca por "culpados" para o que quer que fosse, pois por princípio, nós acreditávamos que todos estavam envolvidos com o processo de mudança pessoal, ou seja, estávamos certos de que a adequação ou mudança das atitudes deveria nascer internamente dentro de cada Colaborador e não ser imposta por qualquer tipo de repressão, censura, castigo ou punição. Para nós era claro que estas últimas formas, quando utilizadas como ferramentas de gestão, iriam repercutir sempre de forma negativa, exigindo como consequência natural a implantação de uma estrutura burocrática de controle cada vez maior, em espiral sem fim. No entanto, a adoção desta nova postura foi dificultada pelo fato de que a repressão, a censura, o castigo ou punição estão intimamente vinculados ao exercício do PODER, com tradução muito bem representada pela máxima tão professada pelos trabalhadores "Manda quem pode, obedece quem precisa".
Assim, também como consequência da concepção basilar, nós abolimos a função de chefia tradicional, passando apenas a lidar com Coordenadores. Em outras palavras, em última análise, com a mudança do modelo de gestão buscamos trabalhar para a pulverização do Poder, representada pela ação consciente de cada Colaborador. A idéia era que cada Colaborador pudesse se transformar em centro de poder, focado sobre sua própria atuação dentro da empresa, sempre no entanto, com o foco no outro. 
E para podermos trabalhar neste nível de indivíduo, para que cada um pudesse enxergar a si próprio,  investimos pesadamente em tecnologia da informação. Foram feitos maciços investimentos na área de desenvolvimento de softwares, assunto que provavelmente também abordaremos em um próximo artigo.
No próximo artigo vamos aprofundar um pouco mais estes pontos, inclusive com exemplos reais.
Abraços
Walter

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ribasa 4 - Passaporte - Vamos viajar!

No nosso último artigo afirmamos que a capacidade de FALAR, própria exclusivamenter dos seres humanos, pelo menos neste planeta, é a característica que nos diferencia das demais formas de vida, de forma drástica. Na verdade esta é uma característica que abre as portas para mudanças qualitativas de grande proporções, pois a partir do FALAR, somos convidados a participar de um mundo muito mais amplo e de infinitas fronteiras, o da espiritualidade.
No entanto, o FALAR como afirmamos, é apenas o passaporte para este outro mundo, ou seja, como tudo neste mundo, novamente apenas um meio. Para alcançar a espiritualidade, uma vez recebido o passaporte, é preciso que se empreenda de fato  a viagem, uma longa e demorada viagem, muitas vezes com duraçao de uma vida, cheia de desafios.
Mas como e por que vamos viajar para um mundo que de fato ainda não conhecemos, se este em que vivemos no dia a dia oferece tantas possibilidades, confortos e prazeres? Para responder a esta pergunta, lembrei do livro A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS, escrito na Pérsia no Século XII por Farid ud-Din Attar, mestre sufi, que relata a história de pássaros de várias espécies que se reuniram em Assembléia para decidir sobre uma viagem rumo ao SIMORG, um rei em um reino distante. E em boa parte da história, durante a Assembléia, cada espécie apresentou suas infindáveis razões para não seguir com o grupo. Todos sabiam que este reino, apesar de desconhecido, existia. Mas entre o desconhecido a ser conquistado por meio de uma viagem cheia de desafios e obstáculos e as comodidades do mundo do aqui e agora no qual todos viviam, muitos relutaram.
Assim somos nós. Sabemos que o mundo da espiritualidade existe, mas sem saber exatamente como chegar lá, bombardeados diariamente pela máquina do mundo, com seus convites prazerosos e toda comodidade, acabamos ficando nos limites do que conhecemos, acabamos ficando por aqui mesmo. Mas o que é este ficar por aqui mesmo?
Ficar por aqui mesmo é utilizar o passaporte da espiritualidade para simplesmente usufruir do presente com base na viagem que já empreendemos durante toda nossa história como planeta e espécie. Afinal, bilhões de anos se passaram e o passaporte nos dá a possibilidade de enxergar e vislumbrar toda esta história. E mais ainda, a partir deste passado que acabamos enxergando projetar o presente e futuro, nos mesmos moldes, fechando as portas para a verdadeira viagem que precisamos empreender.
Ficar por aqui mesmo significa aplicar a semente da espiritualidade que recebemos, unicamente na exacerbação das forças mais primitivas que já existem dentro de nós mesmos, de cada um de nós, assunto que já tratamos também em artigos anteriores.  É como se ganhássemos uma nave espacial para explorar o espaço e insistíssemos em continuar andando apenas na superfície do planeta.
O sucesso do modelo econômico, por exemplo, que vem dominando o mundo todo reside justamente no fato de que ele, melhor do que qualquer outro modelo que já existiu na história humana, conseguiu explorar na sua plenitude todas as forças primitivas que residem em nós. Egoísmo, Competitividade, Orgulho, Ganância, Avareza, Arrogância, Mesquinhez, enfim, as forças mais primitivas que nos dominam e que dominam o mundo atual. Em troca, o que ganharmos? Prazer.... bens, viagens, poder, vida longa, rejuvenescimento, status, e tantos outras coisas deste mundo.
Mas por que precisamos empreender a viagem para o mundo do espírito, para o desenvolvimento do espírito?
Simplesmente porque nós estamos aprendendo a duras penas que a manutenção da nossa humanidade no patamar em que se encontra, vai nos levar à destruição de nós mesmos espécie, em algum momento, não muito momento. Isto ao nível do coletivo. Individualmente, ficar no passado do nosso desenvolvimento, representa a manutenção de um estado permanente de sofrimento e vazio, apesar das diversas vantagens aparentes.
A nível de planeta, a mudança de rumo já não é mais uma alternativa, mas uma necessidade. Ainda que eventualmente não seja possível realizar a mudança de rumo sem que haja um grande colapso do mundo como o conhecemos, de qualquer forma, tenho certeza, um grande número de pessoas está preprado e sedento para este movimento, e estará preparado para lidar com este colapso, já vivendo dentro de outra realidade, o da espiritualidade. É para estas pessoas que trabalhamos, como missão recebida.
Portanto, se considerarmos que as empresas são o espaço em que o mundo se constrói como ele é, ou seja, com o que tem que ser superado, é dentro delas que vamos plantar as sementes da espiritualidade.
Ainda que mantenhamos as APARÊNCIAS, no fundo, estaremos desestruturando os fundamentos do passado para construção do futuro. Assim foi na Ribasa!
E esta abordagem é fundamental, pois com o passaporte recebido, precisamos viajar. E isto significa, seguir em frente, no dia a dia da nossa vida, com novo patamar de experiências e ações. E é por isto que as nossas 44 horas semanais no trabalho, em contato com os outros, constituem o cenário e o laboratório perfeito para empreendermos a nossa viagem, o grande laboratório ALQUÍMICO.
Vamos em frente...
Walter

domingo, 1 de abril de 2012

Ribasa 3 - Desenvolvimento Humano, em que direção?

Apesar de aparentemente não apresentar as circunstâncias adequadas para implantação de um projeto de cunho espiritual, a disponibilidade de tempo e a intensa interação entre seres humanos, se bem administrados, transforma as empresas em ambientes ideais para implantação de projetos desta natureza, com impactos que ultrapassam o próprio ambiente empresarial, ou seja, atingindo também a vida familiar e social de cada Colaborador.
Neste sentido, comparando, podemos afirmar que a empresa transforma-se em concorrente direta de atividades que de certa forma estão monopolizadas pelas igrejas, apenas que com muito mais efetividade, no caso da empresa.
No artigo anterior afirmamos que o tempo aplicado pelos  Colaboradores nas operações normais da empresa estava direcionado para o desenvolvimento humano deles próprios. Neste sentido, ainda que com lógica normal, já que inserida no cenário produtivo, por ser empresa industrial, todas as atividades tradicionais do dia a dia da Ribasa se transformaram em matéria prima, ou seja, MEIO para o desenvolvimento do objetivo prioritário definido para a empresa. E neste sentido vamos tratar do fundamento básico do trabalho, este de cunho esotérico / filosófico, relacionado com a exata noção do que seja DESENVOLVIMENTO HUMANO.
No caso da Ribasa, os Colaboradores de todos os níveis, participaram de Seminários específicos sobre o tema, visando propiciar a cada um deles o desenvolvimento de uma clara consciência sobre o foco principal de suas atividades na empresa.
A visão que apresentaremos a seguir não tem intenção de ser definitiva ou extremamente refinada em termos conceituais, sendo muito mais um aparato que tem função única de iluminação. Assim, também é meio, pois como afirmarmos, tudo no MUNDO, irremediavelmente é meio, ainda que não tenhamos consciência deste fato. Em outras palavras, por apresentar caráter intensamente intelectual, como ferramenta que é, esta visão deve servir para inspirar e direcionar o desenvolvimento a nível individual de experiências de cunho espiritual, desenvolvimento inserido e possível através do "outro", e tudo isto  lembrando, sempre com base no intenso ambiente da vida empresarial, em todas as suas dimensões.
É claro que apesar de nos diferenciarmos de forma drástica em relação a tudo que existe sobre o planeta terra, a ciência já demonstrou que somos parte integrante deste imenso ambiente, tendo nos desenvolvido como espécie humana dentro e a partir da mecânica que dominou o processo histórico da Terra nos seus 5,4 bilhões de anos.
Assim, nós compartilhamos características com praticamente todas as formas de vida que existem sobre o planeta, em diversos níveis.. Desde a nossa composição mineral até as nossas formas mais complexas de organização, vamos participando, como mais um elo, de um processo incessante que perpassa o desenvolvimento de todas formas de vida sobre o planeta, em movimento avassalador.
Assim, pare pensar por um instante: será que você consegue enxergar em você o que também é característica dos demais chamados "reinos" da natureza? Na dimensão mineral? Na fisiologia, no sistema neurológico, na força dos instintos, na memória, na inteligência? E se existem tantas características que compartilhamos com outras formas de vida, qual é aquela ou aquelas, se mais de uma, que constituem o fator da nossa  diferenciação, que nos faz únicos como espécie em termos de capacidades?
No nosso entendimento, esta diferenciação está essencialmente fundamentada em apenas uma característica. Mas apesar de ser apenas uma, as repercussões potenciais desta são gigantescas, e ainda minimamente desenvolvidas pela humanidade, direção assumida, no entanto, como objetivo  fundamental de toda atividade na Ribasa, ou seja, o que entendemos como DESENVOLVIMENTO HUMANO.
Para ressaltar esta característica e seu impacto, vamos citar uma passagem bíblica, de João 1:1-3
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele".
Com o peso desta passagem em mente, sem pretendermos aprofundar o texto bíblico citado, definimos a característica que nos diferencia de tudo que existe sobre o planeta Terra justamente como a nossa capacidade de FALAR, com impacto justamente na questão do VERBO.
E não é por acaso que é dito que nós somos a imagem e semelhança de DEUS, sendo a LINGUAGEM, como entendemos, o nosso passaporte para o mundo da espiritualidade de forma consciente.
É através da nossa capacidade de falar que conseguimos vencer os próprios limites do tempo. Nós somos a única forma de vida sobre o planeta que FALA. Apesar de outras se COMUNICAREM, a FALA é característica única de nós SERES HUMANOS. Assim, apesar de também utilizarmos a linguagem para nos comunicarmos, o teor desta comunicação, pelo VERBO, em seus tempos próprios,  nos remetemos para além do presente. Fluir entre o compartilhar do passado, o presente e a projeção do futuro, é a realidade que nos permite descolar da existência mais básica, abrindo uma perspectiva de desenvolvimento para novo estágio de existência, assunto que já foi abordado em diversos outros artigos deste blog e que vamos dar desenvolvimento nos próximos artigos.
Abraços
Walter