quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ribasa 4 - Passaporte - Vamos viajar!

No nosso último artigo afirmamos que a capacidade de FALAR, própria exclusivamenter dos seres humanos, pelo menos neste planeta, é a característica que nos diferencia das demais formas de vida, de forma drástica. Na verdade esta é uma característica que abre as portas para mudanças qualitativas de grande proporções, pois a partir do FALAR, somos convidados a participar de um mundo muito mais amplo e de infinitas fronteiras, o da espiritualidade.
No entanto, o FALAR como afirmamos, é apenas o passaporte para este outro mundo, ou seja, como tudo neste mundo, novamente apenas um meio. Para alcançar a espiritualidade, uma vez recebido o passaporte, é preciso que se empreenda de fato  a viagem, uma longa e demorada viagem, muitas vezes com duraçao de uma vida, cheia de desafios.
Mas como e por que vamos viajar para um mundo que de fato ainda não conhecemos, se este em que vivemos no dia a dia oferece tantas possibilidades, confortos e prazeres? Para responder a esta pergunta, lembrei do livro A LINGUAGEM DOS PÁSSAROS, escrito na Pérsia no Século XII por Farid ud-Din Attar, mestre sufi, que relata a história de pássaros de várias espécies que se reuniram em Assembléia para decidir sobre uma viagem rumo ao SIMORG, um rei em um reino distante. E em boa parte da história, durante a Assembléia, cada espécie apresentou suas infindáveis razões para não seguir com o grupo. Todos sabiam que este reino, apesar de desconhecido, existia. Mas entre o desconhecido a ser conquistado por meio de uma viagem cheia de desafios e obstáculos e as comodidades do mundo do aqui e agora no qual todos viviam, muitos relutaram.
Assim somos nós. Sabemos que o mundo da espiritualidade existe, mas sem saber exatamente como chegar lá, bombardeados diariamente pela máquina do mundo, com seus convites prazerosos e toda comodidade, acabamos ficando nos limites do que conhecemos, acabamos ficando por aqui mesmo. Mas o que é este ficar por aqui mesmo?
Ficar por aqui mesmo é utilizar o passaporte da espiritualidade para simplesmente usufruir do presente com base na viagem que já empreendemos durante toda nossa história como planeta e espécie. Afinal, bilhões de anos se passaram e o passaporte nos dá a possibilidade de enxergar e vislumbrar toda esta história. E mais ainda, a partir deste passado que acabamos enxergando projetar o presente e futuro, nos mesmos moldes, fechando as portas para a verdadeira viagem que precisamos empreender.
Ficar por aqui mesmo significa aplicar a semente da espiritualidade que recebemos, unicamente na exacerbação das forças mais primitivas que já existem dentro de nós mesmos, de cada um de nós, assunto que já tratamos também em artigos anteriores.  É como se ganhássemos uma nave espacial para explorar o espaço e insistíssemos em continuar andando apenas na superfície do planeta.
O sucesso do modelo econômico, por exemplo, que vem dominando o mundo todo reside justamente no fato de que ele, melhor do que qualquer outro modelo que já existiu na história humana, conseguiu explorar na sua plenitude todas as forças primitivas que residem em nós. Egoísmo, Competitividade, Orgulho, Ganância, Avareza, Arrogância, Mesquinhez, enfim, as forças mais primitivas que nos dominam e que dominam o mundo atual. Em troca, o que ganharmos? Prazer.... bens, viagens, poder, vida longa, rejuvenescimento, status, e tantos outras coisas deste mundo.
Mas por que precisamos empreender a viagem para o mundo do espírito, para o desenvolvimento do espírito?
Simplesmente porque nós estamos aprendendo a duras penas que a manutenção da nossa humanidade no patamar em que se encontra, vai nos levar à destruição de nós mesmos espécie, em algum momento, não muito momento. Isto ao nível do coletivo. Individualmente, ficar no passado do nosso desenvolvimento, representa a manutenção de um estado permanente de sofrimento e vazio, apesar das diversas vantagens aparentes.
A nível de planeta, a mudança de rumo já não é mais uma alternativa, mas uma necessidade. Ainda que eventualmente não seja possível realizar a mudança de rumo sem que haja um grande colapso do mundo como o conhecemos, de qualquer forma, tenho certeza, um grande número de pessoas está preprado e sedento para este movimento, e estará preparado para lidar com este colapso, já vivendo dentro de outra realidade, o da espiritualidade. É para estas pessoas que trabalhamos, como missão recebida.
Portanto, se considerarmos que as empresas são o espaço em que o mundo se constrói como ele é, ou seja, com o que tem que ser superado, é dentro delas que vamos plantar as sementes da espiritualidade.
Ainda que mantenhamos as APARÊNCIAS, no fundo, estaremos desestruturando os fundamentos do passado para construção do futuro. Assim foi na Ribasa!
E esta abordagem é fundamental, pois com o passaporte recebido, precisamos viajar. E isto significa, seguir em frente, no dia a dia da nossa vida, com novo patamar de experiências e ações. E é por isto que as nossas 44 horas semanais no trabalho, em contato com os outros, constituem o cenário e o laboratório perfeito para empreendermos a nossa viagem, o grande laboratório ALQUÍMICO.
Vamos em frente...
Walter

Nenhum comentário:

Postar um comentário