segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ribasa 8 - A chave para a mudança - rv 03

No último artigo falamos do egoísmo, este entendido como um conjunto de processos interiores, baseados em forças psíquicas próprias dos seres humanos, que tem como viés principal a busca da realização individual de desejos e impulsos. Quanto maior a predominância destes processos em cada um de nós, mais ou menos egoístas seremos.
Neste sentido, portanto, as empresas se transformam em campo de batalha destas forças em diversos níveis. É puro direcionamento de energia para o foco que estiver mais em evidência para o grupo. Assim, por exemplo, se estas forças não estiverem direcionadas para algo externo, para o mercado, por exemplo, a explicitação destas forças se dará dentro do ambiente de trabalho, transformando a empresa em um conjunto de feudos que viverão em guerra constante, ainda que velada..
Nós vivemos em uma realidade, na verdade um modelo de mundo e civilização que apenas se apropria destas forças que compõe o que entendemos como egoísmo, na forma que foi colocado acima e no antigo anterior, em dinâmica que faz a engrenagem do sistema como o conhecemos girar. E isto nunca foi feito na história humana com tanto refino como na atualidade. Afinal, em maior ou menor grau, o mundo consegue gerar espaço para realização dos desejos de grande parte da população mundial, constituindo-se em promessa neste sentido. E isto acontece não apenas  em termos quantitativos mas também qualitativos. Ou seja, nunca antes na história humana foi tão alto o percentual da população inserida no círculo representado pela possibilidade de realização dos seus desejos.. Por outro, também nunca antes a humanidade teve a sua disposição tamanha diversidade de produtos e alternativas de consumo. Deste ponto de vista, o mundo pode ser caracterizado como um maravilhoso playground, com diversão garantida para todos. Basta ter DINHEIRO!
Mas se é assim, se vivemos em uma época de prosperidade, a mais próspera da história humana, por quê razão temos que mudar de direção conforme afirmamos? E a resposta a esta questão não é única. Na verdade são respostas que se colocam em diversos níveis.
Podemos encontrá-las a nível do indivíduo, das comunidades e sociedades e do meio ambiente, além de outros que não vamos abordar neste momento. Para que fique mais claro, vamos apresentar algumas delas.
1. A nível do indivíduo - apesar de termos acesso a tudo que desejamos, em menor ou maior grau, esta "fome", mesmo quando atendida, não nos traz a tão sonhada saciedade. Seguimos de desejo em desejo, o próximo celular, o novo carro, o apartamento maior e mais bem localizado, a viagem tão sonhada..... e ainda assim, apesar de tudo que temos e conquistamos, nos sentimos com um gosto amargo lá no fundo do nosso ser, um vazio existencial. É como se o atendimento de nossos desejos, sonhos e planos, no nível proposto pelo mundo, de fato não nos realizasse plenamente como seres humanos;
2. A nível da comunidade e sociedade - constatamos que vivemos de forma cada vez mais fragmentada e isolada. Já não vivemos de fato em comunidade, em interações positivas.e de alguma forma produtivas. Nós convivemos apenas dentro de nossos círculos de relacionamentos, entre eles a família, os colegas de escola, trabalho ou igreja, amigos da balada, das comunidades virtuais, sempre com o viés do entretenimento. Em oposição, o trabalho se caracteriza como já comentamos, em meio para conseguirmos os recursos que nos darão acesso às promessas de consumo, constituindo-se no fardo do "chegou a segunda feira novamente". Esta fragmentação e isolamento chegam a ponto de termos perdido inclusive a capacidade de articulação política, como é o caso no Brasil, onde convivemos passiva e pacificamente com a corrupção vergonhosa e desenfreada de grande parte dos políticos. Parece que desde que não atinja o espaço para realização dos nossos desejos individuais, traduzido basicamente pelo consumo, tudo isto não importa. Mas o fato é que esta corrupção representa um elo velado da violência que domina as relações do mundo atual. A mesma corrente que em nível bem específico gera a violência das ruas, esta não um mero efeito marginal do sistema, mas um sintoma totalmente integrado a esta corrente da qual a corrupção faz parte. Pois afinal, toda a forma de violência representa também uma ou outra forma de egoísmo  já que invade o interesse e o espaço alheios, as vezes ameaçando a nossa própria integridade física. Assim, o político que é flagrado pela Polícia Federal em continuado processo ilícito para busca de realização de seus interesses privados, quebra a própria imagem de homem público, que afinal é eleito para defender o interesse público e não o seu interesse privado.
3. A nível do meio ambiente - considerando que em todos os níveis buscamos a realização apenas de desejos, já que esta é a máxima do mundo atual, não resta nada mais ao meio ambiente senão o de se ver transformado em alvo final deste processo voraz que move a humanidade. Novamente, meio ambiente, afirmam, vamos cuidar, desde que não atinga a possibilidade de realização de nossos desejos, ou seja, que o sistema continue funcionando da mesma maneira. Desta forma, tudo caminha a passos muito lentos. Para cada tímido avanço que é alcançado em termos de conservação, a voracidade do modelo multiplica seus efeitos.
Portanto, este modelo que alimenta esta voracidade louca precisa ser superador, ainda que ele seja legítimo, já que baseado e fundamentado no nosso passado psíquico. Se quisermos ter futuro, precisamos mudar radicalmente a perspectiva sobre nossas vidas, sem que isto, no entanto, represente abrir mão dos fantásticos avanços que conseguimos atingir do ponto de vista tecnológico. Em outras palavras, não estamos falando em um movimento naturalista de retorno, tipo o movimento hippie ou coisa parecida. É algo totalmente diferente. Estamos falando de uma revolução que deverá levar o ser humano a novo patamar de existência, algo totalmente diferente de tudo que já foi vivido anteriormente pelo homem. Estamos falando de um novo futuro, totalmente diferente.
Em um dos artigos escritos em março de 2011, sobre o Tsunami que varreu o Japão, comentamos que a nossa constituição psíquica atual, fonte de todo "modus vivendi" da humanidade, representa extrapolação das forças psíquicas expansivas que nos constituem, forças estas que eram barradas inicialmente pela  natureza, que impunham seus limites a nossa própria sobrevivência como espécie e expansão. Sempre houve este embate, em equilíbrio instável. Mas o fato é que o homem, a partir do momento em que se apoderou das sementes do espírito, representado como já falamos pela superação dos limites do tempo, movimento possível graças ao dom da linguagem, a balança foi se desequilibrando, permitindo à humanidade o desenvolvimento de um PODER cada vez maior sobre a natureza, que se traduziu em forma de exploração, de subjugação. O engodo desta história reside no fato de que em última instância, o exercício deste PODER pela exploração da natureza, não considera que o próprio ser humano é parte integrante dela, frágil diga-se de passagem, e que deste processo de exploração que leva o planeta à exaustão ele também será vítima. E isto já estamos vivenciando, pois todos estamos conscientes de que  já é concreta a  ameaça da nossa própria superação, traduzida pela possibilidade de nossa extinção.
E esta é a expressão em nível mais alto, pelo menos dentro do planeta Terra, do egoísmo, cuja SUPERAÇÃO é a CHAVE para abertura de um novo caminho. O egoísmo é fruto do nosso passado e sua superação é condição para viabilizarmos o futuro.
A compreensão desta realidade é condição para que se possa entender o processo que foi implantado na Ribasa, pois justamente na superação do egoísmo focamos todo o trabalho, caracterizando o processo que denominamos de DESENVOLVIMENTO HUMANO rumo a uma maior ESPIRITUALIDADE, tema que vamos continuar tratando nos próximos artigos.
Abraços
Walter
waltrisc@uol.com.br

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