quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ribasa 7 -Conflito de interesses - rv 02

No último artigo tratamos dos mecanismos de gestão tradicionais, traduzidos no artigo como CENOURA e CHICOTE, e a busca de superação destes dentro do novo modelo de gestão implantado na Ribasa, este, retomando, voltado e focado no DESENVOLVIMENTO HUMANO no  sentido ESPIRITUAL. A longo prazo e dentro de um horizonte mais amplo, estávamos buscando estruturar um modelo, um caminho dentro do mundo e da realidade atual que nos permitisse a formação de pessoas para um novo mundo, processo este baseado em ações intensivas, ou seja, de exercício diário, razão pela qual a escolha pelo ambiente empresarial.
Hoje vamos abordar o por quê da necessidade de superação do modelo CENOURA e CHICOTE dentro da nova visão filosófica implantada na Ribasa. Como vimos, esta mecanismo tradicional, ainda dominante na maioria das empresas, se fundamenta na existência de conflitos entre os interesses do CAPITAL, este entendido como um montante de recursos financeiros aplicados em determinado negócio com vistas ao seu aumento, SEM LIMITES, e o dos próprios trabalhadores. Afinal, se de um lado os trabalhadores representam condição insuperável, na maioria dos casos, para a consecução dos objetivos do CAPITAL, já que parte do processo do negócio, de outro, como geradores de custos, produtividade maior ou menor, falhas e acertos potenciais, eles representam também um obstáculo. Assim, a gestão destes conflitos transforma-se em ponto fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa.
Do ponto de vista da Filosofia Ribasa, esta questão é aprofundada, questionando-se e buscando-se a origem destes conflitos de interesses. Primeiramente, temos que constatar que de alguma forma este mecanismo está, pela sua abrangência, fundamentado na própria natureza humana. De fato, podemos afirmar que a origem deste conflito está no que chamamos e conhecemos como egoísmo, este entendido como a soma de uma série de processos pelo quais o ser humano busca a realização de seus desejos e impulsos pessoais, tendo estes como centro de gravitação para a maior parte das suas atitudes e ações.. Entendido como um conjunto de processos, ele engendra uma série de forças e tendências inerentes à nossa natureza, entre elas: a lei do menor esforço, entenda-se preguiça, a falta de limites para a realização de seus desejos, entenda-se ganância, a busca pelo acúmulo e não divisáo das riquezas, entenda-se avareza, e assim por diante. Em cada um de nós, em maior ou menor grau, ele é presente, ou melhor, dominante, já que processo e não coisa.
Assim, para a maioria de nós, um emprego, não trabalho, representa antes de qualquer outra coisa um MEIO para conseguirmos os recursos, hoje representados basicamente e quase exclusivamente pelo DINHEIRO, que nos permitirão a realização de quase todos os nossos desejos, ilimitados diga-se de passagem. É importante que façamos distinção entre emprego e trabalho, pois ela reafirma o fato de que todos nós buscamos fazer o mínimo esforço em troca do máximo benefício, entenda-se novamente DINHEIRO. Esta inclusive é a lógica, levada ao limite, ou seja, do não fazer nada, que move milhões de indivíduos a fazerem duas vezes por semana, sua FÉZINHA na MEGASENA, por exemplo. Com base neste mecanismo natural, podemos entender dois dos principais conflitos entre CAPITAL e TRABALHADORES. Estes últimos querem ganhar sempre MAIS trabalhando sempre menos e o primeiro pagar sempre MENOS com os trabalhadores sempre MAIS. Assim, é claro, grande parte dos patrões odeia os feriados, enquanto os TRABALHADORES os amam.... na verdade eles contam os dias para os finais de semana, os feriados e as tão esperadas férias. É comum ouvirem-se afirmações como ".... e esta semana que não passa!!!!". Experimente andar pelas ruas pela manhã para observar o semblante dos trabalhadores que seguem para seus empregos. Parece que vão para o forca ou o inferno. Ah!!! Mas eu gosto do meu emprego, gosto do que eu faço, dirão muitos. Neste caso, sem que os conflitos desapareçam, o peso fica menor, ainda mais quando acompanhado de um bom salário e regalias.
Mas o fato é que a superação destes conflitos, e existem outros, não só é condição para podermos construir uma empresa diferente, como fizemos na Ribasa, mas também para construirmos um mundo diferente, que possa ter continuidade, pois em se dando continuidade a forma como temos vivido já há milhares de anos, apesar de todo verniz da modernidade, tecnologia e conforto, vamos destruir o próprio planeta e assim, por decorrência, a nós mesmos.
Em outras palavras, a superação da nossa natureza, da qual falamos de alguns aspectos acima, é condição hoje colocada como imperativo para que possamos seguir em frente. E para nós esta superação não deve ser entendida como supressão, muito mais, ela significa a construção de um novo patamar de existência interior individual, trabalho que traduz o que entendemos por DESENVOLVIMENTO HUMANO no sentido ESPIRITUAL. Esta será a próxima revolução pela qual passaremos como espécie humana, provavelmente uma das maiores já experienciadas. Literalmente superaremos a nossa natureza nos seus fatores limitantes, entrando em uma era de grande expansão da capacidade humana.
No próximo artigo aprofundaremos um pouco mais estas duas realidades e a oposição entre elas.
Abraços
Walter
waltrisc@uol.com.br





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