Eram sete horas da manhã e para uma platéia ainda sonolenta e meio assustada, pedi que se apresentassem e falassem sobre o significado daquela nova empreitada para a vida de cada um deles. Breves nas palavras, tímidos, o que é natural, sem exceção enfatizaram a relação do Programa com o futuro profissional de cada um deles, tudo de forma meio mecânica, como se texto decorado anteriormente.
Isto foi na última sexta-feira, dia 28/01/2011, quando iniciamos na Ribasa o trabalho com mais um grupo do Programa Aprendiz Legal. Por sermos entre 110 e 120 colaboradores, de acordo com o que define a Lei, selecionamos 06 Aprendizes, sendo 3 meninos e 3 meninas, todos entre 14 e 18 anos, para esta nova etapa. Foi dada prioridade à candidatos filhos ou parentes de colaboradores da empresa, desde que preenchendo os requisitos. Todos deverão estar conosco durante os próximos 24 meses tendo a oportunidade de conviver pela primeira vez em ambiente de trabalho profissional.
Por considerarmos o programa de importância fundamental, coube a mim como líder da empresa, dar as boas vindas com a palestra inicial. O foco seria dar nova perspectiva à experiência que estão iniciando, dentro da visão da FILOSOFIA RIBASA, ou seja, algo diferente do que tradicionalmente encontrariam em qualquer outra empresa.
Por ser a construção do futuro, como haviam afirmado, o objetivo praticmanete comum a todos eles, algo muito vago, podendo abranger um leque muito amplo de variáveis, como primeira intenção quis definir um horizonte mais concreto para fundamentar a experiência que cada um passaria a ter a partir daquele momento.
Questionados sobre quem havia acordado sem ter sido chamado e quem havia arrumado a própria cama antes de sair de casa naquela manhã, todos riram. Foi unânime, ninguém havia acordado sem ser chamado e muito menos arrumado a própria cama. Perguntei também sobre quem sabia cozinhar ou mesmo lavar e passar roupa. Novamente recebi apenas sorrisos marotos. Afinal, este tipo de trabalho, é senso comum, não é próprio de estudantes que almejam vôos profissionaris mas altos, como era o caso.
Mesmo não entendendo bem o que acontecia, já que não esperavam enfrentar aquele tipo de questionamento, estabeleci os objetivos do Programa, quais sejam: que ao final dos dois anos (1) todos estivessem acordando sozinhos sem precisarem ser chamados, (2) que estivessem arrumando as próprias camas e (3) tivessem aprendido a cozinhar e também a lavar / passar a própria roupa.
Mesmo não estando relacionados diretamente ao trabalho com o qual os Aprendizes estarão envolvidos dentro da empresa, o que pode parecer estranho, os objetivos estão vinculados sim à Filosofia RIBASA, que não trata o Colaborador apenas dentro da sua perspectiva profissional. De fato, mesmo sendo aparentemente possível a separação entre o ser integral com seus problemas e o profissional, como preconizam algumas ou a maioria das empresas mesmo que de forma não expressa, dentro da Filosofia RIBASA esta desvinculação não é considerada possível e muito menos incentivada, muito pelo contrário. Por outro lado, por implicar em maior complexidade, esta nova visão da empresa exige envolvimento mais amplo com os colaboradores e seus familiares, o que leva a ação para além dos limites físicos da empresa.
Em 2008, um dos nossos colaboradores, casado e pai de dois filhos, imaginou que sua esposa estava envolvida com outra pessoa, fato que o fez mergulhar em grave crise existencial. Como descobrimos durante o processo, entre outras coisas que provavelmente haviam contribuído para deteriorar seu relacionamento, além da bebida, ele também era usuário de drogas leves. Com o início da crise automaticamente ele teve sua capacidade profissional afetada, mergulhando em espiral negativa de crise, que sabíamos e pressentíamos, poderia ter fim trágico, como é comum vermos neste tipo de evento nos noticiários da TV.
Naquele momento, na RIBASA, nós já tínhamos o que chamamos de CASA DE DESCANSO, um espaço destinado justamente para manter dentro da empresa colaboradores com problemas, como era o caso. Portanto, ao invés de se perder no próprio sofrimento, mergulhado em um processo com conseqüências imprevisíveis, o colaborador foi incentivado a transformar a empresa, representada por todo o grupo, em seu ponto de apoio e referência. Assim, ao invés de faltar e ficar vagando, ele vinha para a empresa. Só que ao invés de trabalhar, ele ficava dormindo. E todos sabiam que ele estava passando por dificuldades, e neste sentido, havia um sentimento generalizado de apoio, ainda que um grupo bem mais restrito o acompanhasse de forma mais próoxima.
Neste sentido ele pôde expressar a sua dor e também receber apoio, inclusive de pessoas que já haviam passado por situações semelhantes. Todos os seus colegas da empresa, até porque o assunto foi tratado em nossas reuniões coletivas, quase que semanais, acompanharam o processo, ajudando de uma ou de outra forma. Aos poucos ele recobrou o equilíbrio, deta feita em um novo patamar. A esposa, apesar de convidada, não quis participar do processo e acabou se separando dele de qualquer forma, o que também o fez sofrer. Mas hoje é um homem íntegro, um bom Pai e um excelente Colaborador, verdadeira fonte de inspiração para seus colegas.
Voltando aos Aprendizes, o objetivo da Ribasa quanto a este Programa é promover o desenvolvimento integral dos jovens que receberam esta oportunidade. E desta forma pretendemos prepará-los para que possam enfrentar com serenidade as mais diversas situações da vida, inclusive como esta relatada acima. E mais ainda, pretendemos preparar estes Aprendizes para assumirem papel ativo e positivo dentro do meio em que vivem. E para isto, o desenvolvimento deve ser integral, compreendendo o cuidado e atenção consigo mesmo, como o acordar sem ser chamado, o arrumar a cama e eventualmente o lavar e passar a própria roupa. Eles aprenderão sim os aspectos relacionados com a dimensão profissional da Ribasa, mas mais do que isto, pretendemos que possam engendrar nova perspectiva sobre a vida.
Abraços
Walter
Isto foi na última sexta-feira, dia 28/01/2011, quando iniciamos na Ribasa o trabalho com mais um grupo do Programa Aprendiz Legal. Por sermos entre 110 e 120 colaboradores, de acordo com o que define a Lei, selecionamos 06 Aprendizes, sendo 3 meninos e 3 meninas, todos entre 14 e 18 anos, para esta nova etapa. Foi dada prioridade à candidatos filhos ou parentes de colaboradores da empresa, desde que preenchendo os requisitos. Todos deverão estar conosco durante os próximos 24 meses tendo a oportunidade de conviver pela primeira vez em ambiente de trabalho profissional.
Por considerarmos o programa de importância fundamental, coube a mim como líder da empresa, dar as boas vindas com a palestra inicial. O foco seria dar nova perspectiva à experiência que estão iniciando, dentro da visão da FILOSOFIA RIBASA, ou seja, algo diferente do que tradicionalmente encontrariam em qualquer outra empresa.
Por ser a construção do futuro, como haviam afirmado, o objetivo praticmanete comum a todos eles, algo muito vago, podendo abranger um leque muito amplo de variáveis, como primeira intenção quis definir um horizonte mais concreto para fundamentar a experiência que cada um passaria a ter a partir daquele momento.
Questionados sobre quem havia acordado sem ter sido chamado e quem havia arrumado a própria cama antes de sair de casa naquela manhã, todos riram. Foi unânime, ninguém havia acordado sem ser chamado e muito menos arrumado a própria cama. Perguntei também sobre quem sabia cozinhar ou mesmo lavar e passar roupa. Novamente recebi apenas sorrisos marotos. Afinal, este tipo de trabalho, é senso comum, não é próprio de estudantes que almejam vôos profissionaris mas altos, como era o caso.
Mesmo não entendendo bem o que acontecia, já que não esperavam enfrentar aquele tipo de questionamento, estabeleci os objetivos do Programa, quais sejam: que ao final dos dois anos (1) todos estivessem acordando sozinhos sem precisarem ser chamados, (2) que estivessem arrumando as próprias camas e (3) tivessem aprendido a cozinhar e também a lavar / passar a própria roupa.
Mesmo não estando relacionados diretamente ao trabalho com o qual os Aprendizes estarão envolvidos dentro da empresa, o que pode parecer estranho, os objetivos estão vinculados sim à Filosofia RIBASA, que não trata o Colaborador apenas dentro da sua perspectiva profissional. De fato, mesmo sendo aparentemente possível a separação entre o ser integral com seus problemas e o profissional, como preconizam algumas ou a maioria das empresas mesmo que de forma não expressa, dentro da Filosofia RIBASA esta desvinculação não é considerada possível e muito menos incentivada, muito pelo contrário. Por outro lado, por implicar em maior complexidade, esta nova visão da empresa exige envolvimento mais amplo com os colaboradores e seus familiares, o que leva a ação para além dos limites físicos da empresa.
Em 2008, um dos nossos colaboradores, casado e pai de dois filhos, imaginou que sua esposa estava envolvida com outra pessoa, fato que o fez mergulhar em grave crise existencial. Como descobrimos durante o processo, entre outras coisas que provavelmente haviam contribuído para deteriorar seu relacionamento, além da bebida, ele também era usuário de drogas leves. Com o início da crise automaticamente ele teve sua capacidade profissional afetada, mergulhando em espiral negativa de crise, que sabíamos e pressentíamos, poderia ter fim trágico, como é comum vermos neste tipo de evento nos noticiários da TV.
Naquele momento, na RIBASA, nós já tínhamos o que chamamos de CASA DE DESCANSO, um espaço destinado justamente para manter dentro da empresa colaboradores com problemas, como era o caso. Portanto, ao invés de se perder no próprio sofrimento, mergulhado em um processo com conseqüências imprevisíveis, o colaborador foi incentivado a transformar a empresa, representada por todo o grupo, em seu ponto de apoio e referência. Assim, ao invés de faltar e ficar vagando, ele vinha para a empresa. Só que ao invés de trabalhar, ele ficava dormindo. E todos sabiam que ele estava passando por dificuldades, e neste sentido, havia um sentimento generalizado de apoio, ainda que um grupo bem mais restrito o acompanhasse de forma mais próoxima.
Neste sentido ele pôde expressar a sua dor e também receber apoio, inclusive de pessoas que já haviam passado por situações semelhantes. Todos os seus colegas da empresa, até porque o assunto foi tratado em nossas reuniões coletivas, quase que semanais, acompanharam o processo, ajudando de uma ou de outra forma. Aos poucos ele recobrou o equilíbrio, deta feita em um novo patamar. A esposa, apesar de convidada, não quis participar do processo e acabou se separando dele de qualquer forma, o que também o fez sofrer. Mas hoje é um homem íntegro, um bom Pai e um excelente Colaborador, verdadeira fonte de inspiração para seus colegas.
Voltando aos Aprendizes, o objetivo da Ribasa quanto a este Programa é promover o desenvolvimento integral dos jovens que receberam esta oportunidade. E desta forma pretendemos prepará-los para que possam enfrentar com serenidade as mais diversas situações da vida, inclusive como esta relatada acima. E mais ainda, pretendemos preparar estes Aprendizes para assumirem papel ativo e positivo dentro do meio em que vivem. E para isto, o desenvolvimento deve ser integral, compreendendo o cuidado e atenção consigo mesmo, como o acordar sem ser chamado, o arrumar a cama e eventualmente o lavar e passar a própria roupa. Eles aprenderão sim os aspectos relacionados com a dimensão profissional da Ribasa, mas mais do que isto, pretendemos que possam engendrar nova perspectiva sobre a vida.
Abraços
Walter