No último artigo comparamos a situação do mundo atual a do Titanic em sua primeira e derradeira viagem. A escolha desta comparação deve-se ao fato de que muitos percebem que o mundo, a exemplo do Titanic, mantidas as condições de navegabilidade e rumo, também caminha para um desastre. E mais, que mesmo já tendo sido identificado o Iceberg no horizonte, não se vislumbra uma real possibilidade de mudança de rumo, alternativa para evitar a colisão e o desastre.
O exemplo do navio é bastante adequado para entendermos a mecânica que impulsiona o mundo rumo a seu destino e também nosso papel como seus passageiros. Para referenciarmos o exemplo e ampliarmos a percepção, é interessante lembrarmos que o planeta terra, neste caso considerado como o grande mar, já foi navegado por navios muito distintos. E mais, que em épocas passadas da história da humanidade, estes inclusive coexistiram. Basta lembrar de um lado as culturas que dominavam as Américas e de outro as que dominavam a Europa no século XV. Eram totalmente diversas, mas acabaram disputando espaço no que se transformou na conquista e dominação dos povos Americanos pelos Espanhóis.
Assim como os navios reais, as culturas ou civilizações muitas vezes tem diferentes destinos. Algumas podem simplesmente naufragar, sem deixar rastros. Outras podem ser dominadas, como foi o caso das culturas americanas, tendo seu destino redefinido, e outras ainda podem ter vida longa, mudando de rumo, mais ou menos pacificamente, na medida em que o tempo passa.
Caracterizadas pelo compartilhamento de um conjunto de percepções e regras bem definidas, estas compondo o que chamamos de paradigma (Thomas Kuhn – A estrutura das Revoluções Científicas), suficientes para permitirem a vida estruturada em comunidade, as culturas tem sempre um destino, caracterizado pela explicitação e desdobramento de seus fundamentos, no que acabamos chamando de história, esta caracterizada sempre posteriormente, em visão retrospectiva.
A cultura ou navio, no entanto, não existe como entidade autônoma, independente de seus passageiros. Na verdade são os seus passageiros, ou melhor, nós, que ao compartilharmos em grupo as percepções e crenças do que o mundo é, ao assumirmos como nossas a realizações de suas promessas, tudo isto de acordo com os fundamentos ditados pelo paradigma, e do espaço e funções que ocupamos no seu Universo, damos vida e sustentação ao navio da nossa cultura.
E assim, o Titanic vai navegando sem reconhecer os riscos no horizonte, ou minimizando seus potenciais impactos. E isto se explica muito bem, pois o que chamamos de realidade nada mais é do que a explicitação dos alicerces que sustentam determinada cultura. Desta forma, alterar o rumo do navio significaria colocar em risco seus próprios alicerces, algo praticamente impossível, principalmente para aqueles que desfrutam das vantagens e do poder dentro deste navio específico, isto independentemente dos risco futuros. É como se estes defensores do "status quo" vivessem dentro das áreas nobres do navio; suas suítes, lindos restaurantes, enfim, pudessem usufruir sempre do bom e do melhor.
E assim as coisas caminham, sempre mantendo-se o rumo e as atividades no navio. Dois fatos históricos chamam a atenção neste sentido. O primeiro, provavelmente parte do folclore, diz que mesmo enquanto afundava, a orquestra do Titanic continuou tocando até o último momento. E no Brasil, em cena quase similar, no tempo do Império, quando o mesmo já tinha o seu fim praticamente decretado, em 09 de novembro de 1889, a nobreza promoveu na Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, a festa mais notável da época, depois conhecida como “O último Baile do Império”.
Sabem aqueles que já estiveram a bordo, que nos navios transatlânticos, após o embarque, a primeira atividade coletiva obrigatória é a simulação e treinamento de passageiros para a eventualidade de um naufrágio. Mas para um eventual naufrágio do mundo em que vivemos, nenhum de nós recebe qualquer tipo de treinamento. Ou seja, em acontecendo, restará o famoso "salve-se quem puder".
E nós não somos treinados para esta possibilidade pois assim como no caso da orquestra do Titanic e do Baile da Ilha Fiscal, somos convencidos de que as tormentas, tempestades ou mesmo incêndios, ou seja, as crises, como a última de 2008, serão superados e que todos voltaremos a comer tranquilamente o nosso caviar tranquilamente, nem todos é verdade. A possibilidade de termos que sobreviver em condições adversas, no frio da noite, em águas gélidas, não é considerada como alternativa real.
Função desta mecânica, o tratado de Kioto nunca foi referendado pelos americanos e também resistem todas as nações em tomar medidas mais efetivas para que se sigam novos rumos na economia global, principalmente quanto ao meio ambiente. Os sacrifícios que seriam impostos, ou a nova ordem que seria necessária, impactaria as expectativas coletivas, aquelas que atualmente aglutinam os passageiros em torno do navio.
A se manter o ritmo, ao contrário do que se considerava como hipótese mais provável há algum tempo, o mundo não vai sucumbir em função de uma guerra nuclear ou coisa parecida. O mais provável é que o sistema entre em colapso, fato que já aconteceu em outras culturas. E o impacto desta implosão, que trataremos em outro artigo, pela sua abrangência, gerará uma crise sem precedentes na história humana.
Assim sendo, para aqueles que já enxergaram o Iceberg no horizonte, é tempo de preparação. Precisamos nos unir para o momento do naufrágio e precisamos projetar o novo navio. Precisamos nos preparar para sermos náufragos, e nesta condição, garantirmos a preservação dos nossos maiores tesouros, que não são poucos, como já afirmei. Este trabalho é possível e necessário, e para auxiliar nesta tarefa é que foi desenvolvida e estamos apresentando na sala escura do mundo, o elefante da Filosofia Ribasa.
Abraços
Walter
O exemplo do navio é bastante adequado para entendermos a mecânica que impulsiona o mundo rumo a seu destino e também nosso papel como seus passageiros. Para referenciarmos o exemplo e ampliarmos a percepção, é interessante lembrarmos que o planeta terra, neste caso considerado como o grande mar, já foi navegado por navios muito distintos. E mais, que em épocas passadas da história da humanidade, estes inclusive coexistiram. Basta lembrar de um lado as culturas que dominavam as Américas e de outro as que dominavam a Europa no século XV. Eram totalmente diversas, mas acabaram disputando espaço no que se transformou na conquista e dominação dos povos Americanos pelos Espanhóis.
Assim como os navios reais, as culturas ou civilizações muitas vezes tem diferentes destinos. Algumas podem simplesmente naufragar, sem deixar rastros. Outras podem ser dominadas, como foi o caso das culturas americanas, tendo seu destino redefinido, e outras ainda podem ter vida longa, mudando de rumo, mais ou menos pacificamente, na medida em que o tempo passa.
Caracterizadas pelo compartilhamento de um conjunto de percepções e regras bem definidas, estas compondo o que chamamos de paradigma (Thomas Kuhn – A estrutura das Revoluções Científicas), suficientes para permitirem a vida estruturada em comunidade, as culturas tem sempre um destino, caracterizado pela explicitação e desdobramento de seus fundamentos, no que acabamos chamando de história, esta caracterizada sempre posteriormente, em visão retrospectiva.
A cultura ou navio, no entanto, não existe como entidade autônoma, independente de seus passageiros. Na verdade são os seus passageiros, ou melhor, nós, que ao compartilharmos em grupo as percepções e crenças do que o mundo é, ao assumirmos como nossas a realizações de suas promessas, tudo isto de acordo com os fundamentos ditados pelo paradigma, e do espaço e funções que ocupamos no seu Universo, damos vida e sustentação ao navio da nossa cultura.
E assim, o Titanic vai navegando sem reconhecer os riscos no horizonte, ou minimizando seus potenciais impactos. E isto se explica muito bem, pois o que chamamos de realidade nada mais é do que a explicitação dos alicerces que sustentam determinada cultura. Desta forma, alterar o rumo do navio significaria colocar em risco seus próprios alicerces, algo praticamente impossível, principalmente para aqueles que desfrutam das vantagens e do poder dentro deste navio específico, isto independentemente dos risco futuros. É como se estes defensores do "status quo" vivessem dentro das áreas nobres do navio; suas suítes, lindos restaurantes, enfim, pudessem usufruir sempre do bom e do melhor.
E assim as coisas caminham, sempre mantendo-se o rumo e as atividades no navio. Dois fatos históricos chamam a atenção neste sentido. O primeiro, provavelmente parte do folclore, diz que mesmo enquanto afundava, a orquestra do Titanic continuou tocando até o último momento. E no Brasil, em cena quase similar, no tempo do Império, quando o mesmo já tinha o seu fim praticamente decretado, em 09 de novembro de 1889, a nobreza promoveu na Ilha Fiscal, no Rio de Janeiro, a festa mais notável da época, depois conhecida como “O último Baile do Império”.
Sabem aqueles que já estiveram a bordo, que nos navios transatlânticos, após o embarque, a primeira atividade coletiva obrigatória é a simulação e treinamento de passageiros para a eventualidade de um naufrágio. Mas para um eventual naufrágio do mundo em que vivemos, nenhum de nós recebe qualquer tipo de treinamento. Ou seja, em acontecendo, restará o famoso "salve-se quem puder".
E nós não somos treinados para esta possibilidade pois assim como no caso da orquestra do Titanic e do Baile da Ilha Fiscal, somos convencidos de que as tormentas, tempestades ou mesmo incêndios, ou seja, as crises, como a última de 2008, serão superados e que todos voltaremos a comer tranquilamente o nosso caviar tranquilamente, nem todos é verdade. A possibilidade de termos que sobreviver em condições adversas, no frio da noite, em águas gélidas, não é considerada como alternativa real.
Função desta mecânica, o tratado de Kioto nunca foi referendado pelos americanos e também resistem todas as nações em tomar medidas mais efetivas para que se sigam novos rumos na economia global, principalmente quanto ao meio ambiente. Os sacrifícios que seriam impostos, ou a nova ordem que seria necessária, impactaria as expectativas coletivas, aquelas que atualmente aglutinam os passageiros em torno do navio.
A se manter o ritmo, ao contrário do que se considerava como hipótese mais provável há algum tempo, o mundo não vai sucumbir em função de uma guerra nuclear ou coisa parecida. O mais provável é que o sistema entre em colapso, fato que já aconteceu em outras culturas. E o impacto desta implosão, que trataremos em outro artigo, pela sua abrangência, gerará uma crise sem precedentes na história humana.
Assim sendo, para aqueles que já enxergaram o Iceberg no horizonte, é tempo de preparação. Precisamos nos unir para o momento do naufrágio e precisamos projetar o novo navio. Precisamos nos preparar para sermos náufragos, e nesta condição, garantirmos a preservação dos nossos maiores tesouros, que não são poucos, como já afirmei. Este trabalho é possível e necessário, e para auxiliar nesta tarefa é que foi desenvolvida e estamos apresentando na sala escura do mundo, o elefante da Filosofia Ribasa.
Abraços
Walter
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