domingo, 8 de abril de 2012

Ribasa 5 - Um pouco das repercussões na gestão

Já falamos que o objetivo maior da Ribasa era estabelecer as condições e promover o DESENVOLVIMENTO HUMANO de seus Colaboradores no sentido ESPIRITUAL. E que para tal, como sinal da nossa vocação para caminharmos para este mundo Espiritual, e também fator de diferenciação da espécie humana em relação a todas as demais formas de vida existentes sobre o planeta, nas dimensões de domínio comum, apontamos a LINGUAGEM, a capacidade de FALAR como o ponto central e a grande ferramenta de trabalho.
Por outro lado, o FALAR, como ferramenta, encontra sua aplicação maior na relação com o outro, ou seja, apesar de podermos falar interiormente, ou seja, com nós mesmos, é na relação com o outro que o FALAR revela toda sua potencialidade.
Assim, o FALAR foi utilizado como o grande mote do modelo de gestão da Ribasa, transformando-se em ferramenta voltada à construção de uma consciência reflexiva sobre as atitudes individuais e grupais no dia a dia da empresa. Esta técnica chamávamos de ESPELHO, ou seja, era utilizada para trazer a tona, ao nível do discurso (FALAR), a gênese, a motivação interna para as atitudes comuns dos nossos Colaboradores, sejam elas positivas ou negativas, de acordo com os resultados pretendidos a priori.
Assim, por exemplo, quando acontecia uma falha no processo produtivo, buscava-se conversar com todos os envolvidas para encontrar o exato momento em que a falha ocorreu, buscando trazer a tona, ao final, os sentimentos envolvidos na atitude daqueles que geraram a falha. Em outras palavras, trabalhamos com uma espécie de engenharia reversa do espírito, buscando a origem do que acontece no mundo real em outro tempo e na sua real motivação, geralmente não aparente. Assim, as "coisas"  do mundo real, os acontecimentos nos serviam como ponto de partida, nunca de chegada.
A empresa estava certificada em seus processos pela ISO9001, tendo incorporado, como uma de suas principais ferramentas, as RNCs - Relatórios de Não Conformidade. No caso da RIBASA, estes relatórios foram utilizados com uma dimensão diferenciada. Eles não estavam direcionados unicamente às falhas de processos, mas indo mais além, com maior profundidade, buscavam identificar as atitudes envolvidas e suas motivações a nível de sentimentos, em outras palavras, buscando o fator humano mais básico na geração das falhas. E assim nós corroboramos a percepção que já nos era clara desde que afirmamos o objetivo principal da empresa, que as falhas de processo, ou seja, aquelas relacionadas com fluxos inadequados ou falta de informações e/ou controles, ou ainda, falhas de equipamentos ou ferramentas, representavam um percentual mínimo dos problemas que ocorriam na empresa, das não conformidades geradas no dia a dia. Por outro lado, constatamos que o maior percentual de geração de falhas, de todas as naturezas, era representado por motivações de caráter mais humano, próprias daquela dimensão que representa o nosso passado, foco da mudança que estávamos propondo.
E neste sentido a Ribasa apresentava ambiente ideal, já que vale lembrar que praticamente toda a fabricação da empresa era não seriada, ou seja, fabricação por demanda com projetos únicos. Em outras palavras, a fabricação de cada equipamento, ainda que eventualmente similar a algum anteriormente fabricado, era única, demandando intensa interação entre os diversos departamentos da empresa. E em determinado momento, estávamos falando de mais de 200 pessoas envolvidas, um verdadeiro espetáculo humano. 
Assim, nós fomos trazendo a tona, através do FALAR, utilizado como ferramenta de criação do efeito ESPELHO, as reais motivações das falhas, ou seja, do comportamento individual de cada Colaborador dentro da empresa..
Em um primeiro nível, nós descobrimos coisas como falta de atenção, preguiça, pouco caso, sabotagem , falta de compromisso, pouco caso, e outros. Mas em um segundo nível, por detrás destas atitudes, haviam emoções muito mais difíceis de serem trazidas a tona, entre elas, o orgulho, a inveja, o rancor, a raiva e o ódio, a competitividade, a vingança, o desprezo e tantas outras emoções. E eram estas motivações que queríamos trabalhar. Trazendo estas emoções, estas dinâmicas à luz da consciência, através do FALAR nas relações, sabíamos que tínhamos a chance de fazer uma verdadeira revolução.
Por outro lado, no sentido prático, estas concepções básicas que fundamentavam a gestão da empresa, foram gerando mudanças na de sua administração, como decorrência inevitável.
Um dos maiores impactos no dia a dia da empresa foi o fim da tão conhecida "caça às bruxas". Em outras palavras, dentro da Ribasa era proibido a busca por "culpados" para o que quer que fosse, pois por princípio, nós acreditávamos que todos estavam envolvidos com o processo de mudança pessoal, ou seja, estávamos certos de que a adequação ou mudança das atitudes deveria nascer internamente dentro de cada Colaborador e não ser imposta por qualquer tipo de repressão, censura, castigo ou punição. Para nós era claro que estas últimas formas, quando utilizadas como ferramentas de gestão, iriam repercutir sempre de forma negativa, exigindo como consequência natural a implantação de uma estrutura burocrática de controle cada vez maior, em espiral sem fim. No entanto, a adoção desta nova postura foi dificultada pelo fato de que a repressão, a censura, o castigo ou punição estão intimamente vinculados ao exercício do PODER, com tradução muito bem representada pela máxima tão professada pelos trabalhadores "Manda quem pode, obedece quem precisa".
Assim, também como consequência da concepção basilar, nós abolimos a função de chefia tradicional, passando apenas a lidar com Coordenadores. Em outras palavras, em última análise, com a mudança do modelo de gestão buscamos trabalhar para a pulverização do Poder, representada pela ação consciente de cada Colaborador. A idéia era que cada Colaborador pudesse se transformar em centro de poder, focado sobre sua própria atuação dentro da empresa, sempre no entanto, com o foco no outro. 
E para podermos trabalhar neste nível de indivíduo, para que cada um pudesse enxergar a si próprio,  investimos pesadamente em tecnologia da informação. Foram feitos maciços investimentos na área de desenvolvimento de softwares, assunto que provavelmente também abordaremos em um próximo artigo.
No próximo artigo vamos aprofundar um pouco mais estes pontos, inclusive com exemplos reais.
Abraços
Walter

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