segunda-feira, 28 de março de 2011

A Sustentação de Nova Realidade

(adaptação do programa na Rádio Mundial, com alterações de 26/03/2011).

Não sei se você já percebeu, caro leitor, que se por um lado temos falado muito sobre a perspectiva de um futuro que pode ser promissor para humanidade, por outro lado também temos falado sobre as forças que nos impedem de realizar este movimento, como já comentamos, as nossas forças psíquicas ancestrais.

Sobre estas, antes de prosseguir, vale comentar que muito já foi estudado e escrito. Freud, Jung e muitos outros pensadores brilhantes já discorreram sobre este tema com grande propriedade. Mas isto deu-se sempre na perspectiva da constatação da existência, análise e detalhamento da forma de funcionamento destas forças.

Para a Filosofia Ribasa a abordagem é outra, pois como condição para que possamos dar um salto qualitativo dentro da História Humana, estas forças precisam ser transmutadas para um novo patamar, razão pela qual, inclusive, lançamos mão da visão da “Grande Obra” proposta pela Alquimia.

E é apenas dentro desta perspectiva, que tem o futuro como guia, é que analisamos e nos aprofundamos no tema das forças psíquicas ancestrais.

Neste artigo vamos falar da necessidade de desenvolvermos as condições que darão sustentabilidade ao mundo novo que virá.

Podemos afirmar que o desenvolvimento das nossas forças psíquicas a partir de um determinado momento da história humana desencadeou algo que se assemelha a uma avalanche. Durante milhares de anos, dentro do contexto da natureza, nós vivemos em um  equilíbrio com o meio ambiente. Se de um lado lutamos para atingir um maior controle sobre nossas condições de vida e desta forma realizar nossa expansão sobre o planeta, de outro, a natureza impôs constantemente limites e obstáculos a esta. E assim durante milhares de anos.

O desencadeamento desta avalanche, vale ressaltar, deu-se pela combinação de elementos bem específicos, que serão tratados em próximos artigos, estabelecendo as condições para o rompimento do equilíbrio que existia anteriormente. Ainda que fosse um equilíbrio instável, a avalanche quebrou este estado gerando um desequilíbrio, por natureza também instável, não permanente, pois tudo busca o seu equilíbrio, ainda que nunca perene.

O ponto fundamental é que como afirmamos anteriormente, esta avalanche ainda não chegou a seu fim. Apesar de termos alcançado um maior controle sobre nossas condições de vida, um controle absurdamente maior do que o de centenas de anos atrás, nós continuamos com a mesma estrutura psíquica do período anterior. Figurativamente é como se ainda estivéssemos usufruindo dos louros e das glórias da nossa vitória sobre a natureza, esta última aparentemente nocauteada.

Mas de fato a relação do ser humano com o planeta, este origem única da sustentação para a vida humana, mostra que ainda não foi atingido novo equilíbrio, mantendo-se o perigoso desequilíbrio instável. E esta característica de dinâmica instável, por ser própria das avalanches, sugere que a velocidade do processo vem aumentando na mesma proporção em que aumentam os danos correspondentes, tanto para nós seres humanos como para o planeta.

E afinal, não é esta a sensação que nos invade? De que o mundo está cada vez mais acelerado, e que os eventos negativos, as crises financeiras, que aconteciam em períodos de tempo mais espaçados ocorrem agora em períodos cada vez mais curtos e com repercussões cada vez maiores?
O Ponto nevrálgico deste processo, o nó que precisamos desatar, está relacionado à forma como vem sendo exercido o grande poder que conseguimos conquistar. Concretamente este tem sido utilizado unicamente para instrumentalizar nossas forças psíquicas na busca de suas realizações. É como se nós como humanidade ainda não tivéssemos, e de fato não temos, a sabedoria para exercer este poder em novo patamar. Lembro novamente, a título de comparação, das atrocidades cometidas por soldados quando invadem cidades inimigas. Neste final de semana, inclusive, as tropas fiéis ao Ditador Kadai, na Líbia, foram acusadas de estuprarem mulheres em cidades anteriormente tomadas pelos rebeldes. A avalanche que desencadeamos tem o mesmo caráter. É uma violência.

É fato, portanto, que este estado em que mergulhamos o planeta precisa ser trabalhado com urgência para que possamos encontrar o novo equilíbrio, neste caso não semelhante àquele anterior ao início da avalanche.

O que a Filosofia Ribasa coloca como um de seus objetivos iniciais é justamente a apresentação deste cenário para um grande número de pessoas para que elas possam enxergar com clareza o que está acontecendo e o rumo que esta avalanche está tomando. Temos que sair do torpor em que nos encontramos mergulhados.

Uma vez conscientes da situação atual e futuro próximo, estas pessoas precisam trabalhar no desenvolvimento individual de capacidades, que reunidas em grupo, em determinado momento, serão postas a serviço da sustentação que terá que ser dada inicialmente à fase de grande transformação que já estamos vivendo e que se aprofundará cada vez mais, e depois na própria construção e sustentação da nova realidade.

É preciso que diante de um eminente colapso do mundo como o conhecemos atualmente, é preciso que nós nos preocupemos com o dia seguinte. E preocupar-se com o dia seguinte diz respeito à manutenção das condições mínimas para a vida humana, em nível básico. Mas significa também a existência de pessoas com as habilidades que de fato serão necessárias para dar sustentação ao novo mundo, habilidades estas que não se desenvolvem rapidamente. A este grupo de pessoas caberá também o resgate e preservação de todos os nossos tesouros, conhecimento, tecnologia, artes, enfim, tudo deverá ser aproveitado em novo patamar.

Mas o que significa dar sustentação ao mundo novo do ponto de vista individual? Qual a importância do indivíduo neste processo. Mais do que nunca, este preparo será fundamental, crítico na verdade. Mas para esclarecermos este ponto vamos dar um exemplo relacionado a fatos que aconteceram em período recente da nossa história para vermos como a falta de um indivíduo preparado pode significar o desastre de um projeto cultural.

O filósofo alemão Karl Marx, considerado um dos maiores de todos os tempos, comparado inclusive à Aristóteles, foi quem estabeleceu os fundamentos teóricos que deram coerência aos movimentos políticos que levaram vários países ao comunismo, com destaque para os da antiga União Soviética, a China, além é claro da nossa vizinha americana Cuba.

O comunismo fundamentado na filosofia Marxista surgiu a partir da constatação de a MAIS VALIA, conceito muito aprofundado por Marx, gerava desequilíbrios e contradições, um estado permanente de crise que seria resolvido somente em um patamar superior de organização social, para ele, o COMUNISMO.

Acontece que, e isto é muito importante, estruturar um mundo com base em elementos externos, de impacto coletivo, presumindo que estes poderão superar ou modificar a força dos elementos internos, de caráter individual, é pura presunção. Ou seja, não existiam indivíduos reais, com as aptidões individuais necessárias para darem sustentação ao mundo teorizado por Marx.

Como resultado, o Comunismo passou a ser imposto pelo Estado, já que não tinha base de sustentação junto aos cidadãos, abrindo espaço para a criação de um Estado cuja máquina passou a beneficiar, com base nos padrões psíquicos anteriores, uma nova elite que se formou.

 Inicialmente, principalmente as massas subjugadas durante o governo anterior, viram com bons olhos o Comunismo. Mas com o passar dos anos, suas condições de vida se deterioraram, principalmente quando comparadas ao desenvolvimento experimentado por aqueles que viviam em países que estavam fora do círculo Comunista, até que veio o movimento de libertação, fundamentado na insatisfação, durante os anos 90.

Portanto, o exemplo nos mostra que em não sendo a base teórica de uma cultura totalmente aderente às forças psíquicas, a existência e preservação de qualquer sociedade se dará apenas se já existirem seres humanos preparados dentro da nova realidade.

Como já analisado, até o presente momento da história, o jogo cultural, que deu sustentação às diversas sociedades, sempre se deu sobre um equilíbrio entre restrições e recompensas. No desequilíbrio deste jogo residiu a desgraça de grande parte das sociedades. Ou seja, o conjunto de limitações imposto por uma determinada cultura só é aceito pelos indivíduos de se houverem recompensas que justifiquem estas limitações, ou seja, uma eterna panela de pressão. Se os limites se tornarem abusivos, ainda que com válvulas potentes, ou mecanismos poderosos de contenção, em algum momento a panela vai explodir. É questão de tempo.

No oriente médio, região em que neste exato momento vários países passam justamente por revoltas motivadas pela quebra deste equilíbrio, alguns governos tentam manter-se no poder apelando para promessas de aumentos de salários, nitidamente uma forma de tentar aumentar a recompensa e assim reestabelecer o equilíbrio anterior.

Mas se é possível atingir a coesão de um povo pelo prazer, pelas recompensas que determinado sistema político e econômico proporciona, um povo também pode ser mantido através outros mecanismos, valendo citar o medo e o terror.

O mecanismo do medo foi utilizado recentemente pelo Presidente George W Bush, dos Estados Unidos, que levou o povo americano a um estado de guerra permanente contra o TERRORISMO. Através deste jogo chegou inclusive a sua reeleição. Mas uma vez desmascarado, viu o seu índice de aprovação despencar para 29%, passando a ser um dos presidentes americanos mais impopulares das últimas décadas em 2007.

No caso do terror, temos inúmeros exemplos, na verdade a história está repleta deles. Muitos tiranos subjugaram seus súditos e cidadãos pelo terror.

E é dentro deste cenário que a Filosofia Ribasa propõe algo diferente!

Primeiramente, vale lembrar que já falamos da Visão de Montanha, uma habilidade que precisamos desenvolver e para o qual os elementos estão sendo fornecidos pelos programas na Rádio Mundial e também neste blog.

Vale explicar um pouco melhor este aspecto da Filosofia Ribasa, neste caso da VISÃO DE MONTANHA. Vamos dar um exemplo: todos nós certamente já ouvimos falar de pessoas ou grupo de pessoas que se perderam em caminhadas na selva e que literalmente acabaram andando em círculos. Em situações como esta é comum as pessoas procurarem elevações, eventualmente até árvores mais altas, para destes pontos elevados poderem avistar referências que indiquem o retorno ao caminho certo.

Assim, literalmente saindo do plano em que se encontram passam a visualizar a realidade de um nível mais alto. E é exatamente este o objetivo da técnica dentro da Filosofia Ribasa.
Uma vez desenvolvida a Visão de Montanha, para o qual temos muitas ferramentas, cada indivíduo pode sair do seu espaço psíquico, desenvolvendo visão crítica com dois focos. O primeiro, seu próprio estado de ser e o segundo, o passado, presente e futuro da Humanidade.

A partir deste momento, e estes processos são complementares, a Filosofia Ribasa, com base em seus conceitos fundamentais, apresenta um arcabouço teórico para dar nova inteligibilidade à história humana, desta forma estabelecendo as condições para construção de uma ponte que ligará cada indivíduo a seu novo futuro, do ponto de vista intelectual, condição prévia básica para que se possa transformar em realidade este futuro. Esta constitui a segunda dimensão do trabalho.

Na terceira, conscientemente mergulhado nas duas primeiras, é iniciado o processo de desenvolvimento individual das aptidões e habilidades que serão requeridas para enfrentar a transição entre realidades, inicialmente, e depois, como já comentado, dar sustentação ao novo patamar de existência. E tudo isto no aqui e no agora.

Mesmo vivendo no mundo atual, com todas as suas idiossincrasias, nós podemos viver no mundo novo, pois a realidade, seja qual for, é em grande parte construção da nossa consciência e é esta que está sendo trabalhada dentro da Filosofia Ribasa.  Ou seja, se você mudar o seu estado de consciência, você já poderá viver em nova realidade, estabelecendo para si novo patamar de existência. E este, vale ressaltar, gerará grande impacto para as pessoas que convivem com você. Impacto positivo.

Não estamos falando em abandono de família, emprego, nem retiro em comunidade ou construção de abrigos subterrâneos. Nada disso é preciso. É no mundo mesmo, no seu dia a dia que você pode conduzir a sua revolução. Uma revolução silenciosa, mas eficaz.

Abraços

Nenhum comentário:

Postar um comentário