domingo, 22 de maio de 2011

A Grande Diferença

Áudio Progama Rádio Mundial 21.05.2011

Neste artigo vamos abordar os impactos que as idéias que tenho apresentado neste blog e também nos programas de Rádio causam sobre as pessoas.

Mas antes quero lembrar que o trabalho da Filosofia Ribasa foi desenvolvido a partir da percepção do difícil cenário em que vivemos no mundo atual. Explico melhor: Como relatei em um dos primeiros artigos do blog, a experiência bem sucedida da minha busca pessoal empreendida durante os últimos 35 anos, que se transformou nos últimos três anos em um sistema filosófico, a Filosofia Ribasa, teve como motor inicial a dificuldade de encontrar conforto em um mundo percebido como totalitário e de estreita visão, caracterizando-se assim como a busca por uma janela, um espaço para o olhar alternativo sobre o passado, o presente e mais do que isto, sobre o futuro. Desta forma o trabalho da Filosofia Ribasa se propõe a estruturar um caminho para uma nova forma de expressão da nossa humanidade, a partir do desenvolvimento de nosso potencial espiritual.

E para esclarecer, quando citamos o difícil cenário em que vivemos no mundo atual, estamos nos referindo aos grandes problemas que enfrentamos como humanidade, problemas estes criados por nós seres humanos e que ameaçam nosso futuro. Como já citado, podemos conhecer uma árvore pelos seus frutos. Portanto, considerando as conseqüências do nosso modo de vida sobre o planeta, temos que considerar estes como frutos de má qualidade, já que de natureza negativa, razão pela qual precisamos repensar o paradigma que sustenta o mundo, ou seja, a árvore mãe do tempo atual.

Mas como já comentado antes, diante da perspectiva e necessidade de mudança, precisamos estar aptos a preservar os tesouros, não poucos, que acumulamos durante nossa história, razão pela qual devemos utilizar a figura de um ENXERTO quando pensamos na constituição da árvore para os novos tempos.

Como vamos tratar dos impactos das idéias sobre as pessoas, não podemos esquecer que todos nós ainda vivemos no mundo atual, e que este não deixa de lançar sobre nós seus poderosos feitiços. Portanto a alusão às dificuldades do cenário maior do mundo, se considerado de forma consciente nos impõem o limite de não podermos mais viver apenas na perspectiva do conforto e dos interesses pessoais. Ainda que isto seja possível, ou seja, que possamos encarar a vida apenas do ponto de vista dos interesses pessoais, a instabilidade do cenário maior, do mundo em sua dinâmica, acaba impondo a cada um de nós a responsabilidade de pensar em escala maior.

Não podemos enfiar a cabeça na terra, como os avestruzes, fingindo que os problemas não estão relacionados conosco. Também não podemos agir como crianças, que diante de uma tempestade com raios e trovões se escondem debaixo dos cobertores, rezando para que tudo volte ao normal. As coisas não vão mais voltar ao normal.

Portanto, ainda que possamos encontra situações individuais de conforto, ao enxergarmos a situação do todo, se estamos conscientes de que as coisas seguem em caminho difícil, precisamos agir dentro da necessidade do interesse maior, ou seja, da busca de uma revisão profunda do paradigma que dá sustentação ao mundo atual.

E esta nossa situação é muito similar a dos habitantes de Pompéia, cidade que no ano de 79 foi surpreendida por uma erupção do vulcão Vesúvio que acabou devastando a vida na cidade de forma muito rápida. Se seguirmos em nossas vidas como se nada estivesse acontecendo, podemos ser pegos de surpresa por uma erupção, assim como foram eles.

Mas para aquela população a surpresa era justificável, já que faltavam recursos para prever o desastre. Mas o mesmo não pode ser alegado nos dias atuais, já que estamos sendo avisados, quase que diariamente que precisamos tomar providências urgentes para podermos garantir a nossa possibilidade de futuro. Mas nós agimos como se estes avisos estivessem relacionados apenas à providências que devem ser tomadas ao nível dos governos, o que do ponto de vista da Filosofia Ribasa é um grande engano.

Por outro lado, temos que lembrar que estes avisos que temos recebido não são da mesma natureza dos eventos que atingiram Pompéia ou mesmo as cidades atingidas pelos recentes terremoto e tsunami no Japão. Enquanto aqueles foram causados por fenômenos da natureza, atualmente estamos envolvidos em uma crise mais profunda e potencialmente mais perigosa, já que causada por problemas relacionados à natureza humana. E na crise atual, que tende a piorar, não teremos como fugir do desastre para lugares seguros, pois ela afetará todos igualmente, em todos os lugares.

Nos eventos do Japão, os avisos prévios, as sirenes que ecoaram pelas cidades ameaçadas pelo tsunami permitiram que milhares de vidas fossem salvas.
Da mesma forma, diante dos sinais que temos recebido, como foi o caso da crise financeira internacional de 2008, ainda que não possamos fugir para um lugar seguro, precisamos despertar para a necessidade de tomarmos providências que nos dêem condições para enfrentamento do colapso que se aproxima. Como já comentado anteriormente precisamos nos preparar para a fase crítica inicial e também para a sustentação que será necessária nas fases seguintes.

Voltando ao foco desta primeira parte do artigo, posso afirmar que enquanto algumas pessoas ficam entusiasmadas, encontrando eco para o que elas mesmas pensam e sentem, outras ao contrário, se sentem deprimidas e desesperançadas, principalmente aquelas que se encontram engajadas em planos positivos para a própria vida, com planos de médio e longo prazo  estruturados dentro da dinâmica do modelo atual de mundo.

Estas últimas são as que mais sofrem, pois encarando com seriedade o que temos apresentado, normalmente entram em estado de dúvida, questionando-se sobre a validade de continuarem fazendo os sacrifícios exigidos para a realização de seus planos pessoais para o futuro. Estes se sentem provavelmente como os habitantes de Pompéia que eventualmente avisados da iminência da explosão do vulcão, hesitaram em abandonar a vida como a conheciam, com toda a segurança e conforto que alcançaram.

Do ponto de vista da Filosofia Ribasa, quanto a estas duas posições, cabem dois comentários:

Em primeiro lugar nós não estamos propondo e nem pensamos em propor qualquer alternativa que signifique abandonar o mundo, a família, os amigos, o trabalho, os planos, enfim tudo que nós realizamos no dia a dia, partindo para criação de algum tipo de sociedade alternativa fora do mundo atual. Nós não acreditamos nesta alternativa e não acreditamos que ela tenha qualquer valor maior se considerarmos a dinâmica avassaladora do processo em que estamos mergulhados.

Em segundo lugar, a Filosofia Ribasa não é pessimista, muito pelo contrário, por essência é otimista acreditando poder contribuir com a construção de novos fundamentos que poderão levar a humanidade a novo patamar de existência, tanto individual como coletivamente, superando o difícil estágio atual das coisas.

Se nos nossos programas ressaltamos com freqüência aspectos negativos da realidade atual é porque trabalhamos na vertente da necessidade de provocarmos A SUA DECISÃO PESSOAL no sentido de que seja iniciado o trabalho de construção dos fundamentos de um novo mundo. Assim, apresentamos várias técnicas e perspectivas que podem auxiliar neste processo. Em outras palavras, esta alusão a coisas negativas da realidade é apenas um ASPECTO TÉCNICO, de forma alguma constituindo o objetivo da Filosofia Ribasa, que repito, é essencialmente otimista.

Além destes tópicos quero abordar também neste artigo uma característica vinculada à outra dimensão das nossas vidas, ligada a nossa espiritualidade, e que terá importância fundamental dentro da nova etapa de trabalho da Filosofia Ribasa que deverá ser iniciada em breve.

Para nós é claro que como seres humanos nós fazemos parte, de forma orgânica, a vida na Terra, compondo a natureza que permite a vida na forma como ela é conhecida. Algumas pessoas já chegaram a afirmar somos descendentes de seres alienígenas, razão da nossa diferenciação. Mas o fato é que a ciência nos mostrou que somos muito mais próximos das demais espécies que habitam o planeta do que imaginávamos tempos atrás. Por outro lado, não podemos negar que nós nos diferenciamos radicalmente das demais formas de vida. E é esta diferenciação que nos permite dominar o planeta, não pela nossa presença que tomou todos os espaços habitáveis do planeta, pois assim também fizeram os dinossauros, mas principalmente pela nossa capacidade de transformação criativa, um poder que transformou inclusive a aparência do nosso planeta, uma verdadeira maravilha sob certos aspectos.

Mas diante das maravilhas que criamos e realizamos, nos perguntamos sobre a origem desta diferenciação. Para nós da Filosofia Ribasa, a diferença entre seres humanos e demais espécies é relativamente pequena e aparentemente banal, mas de fato de origem toda especial e por isso mesmo de consequências brutais.

Do ponto de vista da sua natureza, a diferença, no entender da Filosofia Ribasa, tem origem na espiritualidade, ou seja, algo de tamanho impacto que pode potencialmente dar novo significado a nossa existência, remetendo-nos para uma dimensão que se sobressai sobre todas as capacidades que foram desenvolvidas no planeta durante os bilhões de anos de sua existência.

E eu estou me referindo a nossa capacidade de FALAR. O PODER FALAR é a grande diferença. E não devemos confundir o FALAR com o simples COMUNICAR, mesmo que relacionados. Afinal quando FALAMOS nós nos COMUNICAMOS, mas não precisamos FALAR para nos COMUNICAR, que é o que acontece com muitas outras espécies. Portanto, o FALAR vai muito além do COMUNICAR, sendo algo de natureza distinta, ou seja, ESPIRITUAL.

O FALAR para a Filosofia Ribasa é a ferramenta pela qual nós adquirimos o poder de superação das barreiras do tempo e do espaço, possibilidade expandida pela escrita.
Pelo FALAR nós podemos compartilhar o passado, trazendo-o para o presente e também projetar o futuro. Assim, o conhecimento que desenvolvemos pode ser compartilhado no tempo, passado de geração em geração. E não só o conhecimento, mas também valores, experiências, enfim toda a dimensão humana. O poder desta diferença é tão brutal, que hoje, através da Internet, pulverizamos inclusive as distâncias que nos separam em termos mundiais, nos colocando em contato diário de convivência, esta entendida em seu sentido mais amplo, com pessoas de todos os cantos do mundo.

Não posso deixar de citar, pois de grande impacto sobre a minha vida quando fui iluminado constatando a importância capital desta característica humana única, o FALAR, ainda que possa ser execrado por muitos, da abordagem que a Bíblia dá a esta questão, respeitando as dimensões distintas. Mas eu cito, segundo diz João 1: 1-3

“NO PRINCÍPIO ERA O VERBO, E O VERBO ESTAVA COM DEUS, E O VERBO ERA DEUS. ELE ESTAVA NO PRINCÍPIO COM DEUS. TODAS AS COISAS FORAM FEITAS ATRAVÉS DELE”

Portanto, relacionado com o texto acima, da Bíblia, para a Filosofia Ribasa, a  capacidade de FALAR do ser humano, de utilização do VERBO, mesmo que em outra dimensão, que se constitui em sinal inequívoco da dimensão ESPIRITUAL do ser humano, o que nos ultrapassar, potencialmente, nossa natureza mais básica, aquela que compartilhamos com outras espécies.

E mais, ainda que estejamos utilizando este PODER de natureza ESPIRITUAL no viés da realização da nossa natureza ancestral, das nossas forças psíquicas ancestrais como temos afirmado em nossos artigos, ou seja, de maneira distorcida, a potencialidade que a FILOSOFIA RIBASA aponta para o futuro, indica que podemos utilizar este dom da FALA, esse dom ESPIRITUAL para sobrepujarmos definitivamente o nosso estado ancestral, fundamentando o início de nova era.

E é aí que as coisas se ampliam, pois a capacidade de FALAR no indivíduo se apresenta apenas como potência, realizando-se de fato apenas através do OUTRO, ou seja, quando FALAMOS concretamente. Assim, podemos concluir que nós nos transformamos em SERES HUMANOS efetivos apenas através do nosso próximo, no espaço em que ocorre a FALA. Aí está também reside a importância do AMOR ao próximo, a mensagem maior de Jesus Cristo.

E para a Filosofia Ribasa, este poder do verbo, na nossa dimensão humana, no que tange a possibilidade superação do estágio atual de desenvolvimento humano, precisa ser celebrado através de um acordo expresso com o próximo.

Assim, como exemplo, posso citar a razão pela qual utilizamos a Filosofia Ribasa como fundamento das nossas relações de trabalho na nossa empresa lá em Colombo no Paraná, na grande Curitiba. O objetivo do trabalho para nós deixa de ser simplesmente o que temos no mundo tradicional, a troca do dinheiro pelo trabalho. Dentro da RIBASA como empresa, o que procuramos é que cada colaborador através da sua relação com os seus colegas, clientes e fornecedores, estabeleça um cenário consciente e expresso para construção de uma nova realidade tanto a nível individual como coletivo.

A expressão deste acordo, baseado no que tenho chamado de decisão pessoal, objetivo dos nossos artigos até o momento, é fundamental. Quando reconhecemos que a nossa espiritualidade tem sido usada de forma distorcida, a serviço das nossas forças psíquicas ancestrais, a decisão expressa pelo falar na relação com os outros, transforma-se em ferramenta extremamente poderosa de desenvolvimento mútuo.

Ainda que eu tenha apresentado a possibilidade de realização de um trabalho individual, ou seja, a possibilidade de nos transformarmos através do outro sem que este seja parte expressa e consciente do processo, o fato é que quando este processo dá-se de forma compartilhada, ou seja, quando vários pólos atuam no mesmo sentido, o poder de transformação é multiplicado de forma fantástica.

Que assim seja!

Nenhum comentário:

Postar um comentário