domingo, 15 de maio de 2011

O Dinheiro e a Espiritualidade

Áudio Programa Rádio Mundial 14.05.2011

As coisas estão ficando interessantes. No último artigo nós abordamos a revolução que precisamos assumir para podermos individualmente superar o estágio atual de desenvolvimento em que nos encontramos e desta forma nos habilitar para compormos o cenário coletivo que vai fundamentar o novo mundo que virá.

Sobre este assunto, ainda hoje pela manhã, em artigo publicado na internet, eu tomei conhecimento de um novo ramo da psicologia, pelo menos para mim, fundado pelo psicólogo Dr Amos Tvesrky, da Universidade de Stanford nos Estados Unidos, denominado ECONOMIA COMPORTAMENTAL. Nesta área são estudados os cruzamentos entre a psicologia e a economia. Ou seja, a influência do que somos do ponto de vista psicológico sobre o mundo real da economia.

Sobre a ECONOMIA COMPORTAMENTAL, confirmando de forma bem humorada o que temos escrito em nossos artigos quanto à necessidade de mudarmos de patamar de existência, o pai da ECONOMIA COMPORTAMENTAL, já falecido, afirmava: “Meus colegas estudam a inteligência artificial enquanto eu estudo a nossa estupidez natural”. Dentro da Filosofia Ribasa, a “estupidez natural” é entendida como referência às forças psíquicas ancestrais que dominam nossas vidas, inclusive a economia, muitas vezes de forma estúpida, como afirma o Dr Amos.

Também afirma a ECONOMIA COMPORTAMENTAL que sentimentos ou estados negativos como: “ansiedade, fome, fadiga, solidão, sede, raiva, ira, estimulam a ação para vencermos os desafios competitivos que enfrentamos.”

E é neste ponto que nos remetemos ao nosso último artigo, acrescentando novo ingrediente a sopa, ou seja, a tese de que nossos sentimentos, emoções, atitudes e estados, nas suas dimensões negativas, impactam a própria vida econômica das sociedades, estando a serviço da competição na qual estamos todos profundamente mergulhados.

Há alguns artigos, quando analisamos a tragédia do terremoto / tsunami no Japão, afirmamos que a posição de controle e poder, pelo menos aparente, que exercemos sobre nossas condições de vida é resultado de uma vitória conquistada em uma competição levada a efeito entre as forças da natureza, de caráter restritivo e as humanas, de caráter expansivo. Lembrando que esta vitória é de apenas um round em uma luta que pode se estender ainda por muito tempo, se é que não seremos vencidos por nocaute, a Economia Comportamental afirma que “O cérebro humano foi formado por esta competição implacável dentro do mundo natural”, ou seja, a nossa participação nesta competição nos moldou a tal ponto, que ainda não conseguimos enxergar o nosso  novo potencial papel na relação com a natureza.

Assim, mantidos nesta dimensão da competição, vemos estabelecido por definição e natureza um insuperável cenário de conflitos e de contradições, pois para todo combate, como sabemos, temos que ter um vencedor e um vencido. Ainda que isto se caracterize no nível de grupos, a lógica é sempre a mesma. Lembrando que quando falamos em grupos, como já afirmado, temos que ressaltar que a nossa humanidade se expressa através destes, os chamados grupos de relacionamentos. Assim, cada um de nós está inserido de forma positiva ou negativa em vários grupos, ponto de fundamental importância e que segundo entendemos, teve importância fundamental no desencadeamento da tragédia na Escola de Realengo no Rio de Janeiro, como analisado em artigo anterior. Naquele caso ficou claro que mesmo dentro de grupos formados para busca de determinados objetivos, como o caso da escola, os mecanismos de competição também se fazem valer com a mesma fúria, mais ainda nestes casos em que os grupos são formados artificialmente e não naturalmente.

Outro exemplo clássico acontece atualmente na área política brasileira, em que o PSDB, como dizem, está se desmanchando como conseqüência de uma competição interna entre seus caciques. Ou seja, é sempre a mesma história, lógica e mecanismo.

Mas voltando a relação entre economia e comportamento, a história também nos mostra, e um exemplo é o caso da Alemanha, esta separada em duas após a segunda guerra mundial, que é através do incentivo e exercício da livre competição que se atingem os melhores resultados coletivamente. Assim, ainda que um mesmo povo, com raízes históricas comuns, como foi o caso na Alemanha, as poucas décadas de separação, período em que aquele povo viveu de forma dividida sob a influência de dois regimes políticos diversos, levaram a duas realidades bastante distintas. A Alemanha Ocidental, em ambiente muito mais competitivo, conseguiu se sobressair. Ainda que se possa afirmar que a diferença tenha sido conseqüência do regime político, o fato é que a supressão, ou melhor, a distorção das condições para livre competição, caso da Alemanha Oriental, certamente desempenhou papel fundamental.

Outro exemplo, este mais recente, diz respeito às grandes transformações econômicas e sociais experimentadas pela China após a abertura econômica do país, leia-se, a adoção de práticas de livre competição. Mesmo dentro de um país ainda dito Comunista, a adoção destas práticas possibilitou um tremendo desenvolvimento econômico que acabou gerando um verdadeiro tsunami na economia mundial.

Tudo isto nos permite concluir que o desenvolvimento coletivo, do ponto de vista material, dá-se de forma mais acelerada quando os sistemas culturais e políticos se apropriam ou deixam atuar livremente as forças psíquicas ancestrais da natureza humana, estas fundamentalmente voltadas à competição. E a ferramenta que dá fluidez e dinâmica a este processo é o DINHEIRO. É ele que traz no seu bojo e representa esta natureza ancestral, traduzindo de forma muito eficiente a energia resultante deste ambiente competitivo em que vivemos.

O dinheiro é que regula o ambiente competitivo, servindo de lastro para que os vencedores possam auferir seus prêmios de forma rápida, garantida e segura. Assim, se na empresa estamos competindo com outros colegas por uma vaga em um escalão mais alto da hierarquia, a eventual vitória será imediatamente recompensada com um melhor salário. E é este salário, que representa, após ser ganho, o meio que permitirá a realização dos desejos do vencedor. É a busca do prazer que compensa todo o sacrifício exigido nas constantes competições em que nos vemos envolvidos. Desta forma, o dinheiro assume para cada um de nós duas dimensões, sendo de um lado prêmio e de outro meio para realização de desejos.

Mas nem todos os vencedores são iguais. Existem aqueles, a maioria, que compõe o time dos pequenos vencedores, recebendo prêmios menores, e os grandes vencedores, aqueles privilegiados que recebem os grandes prêmios. Como resultado deste desequilíbrio, muitas pessoas, as impossibilitadas de serem grandes vencedores, acabam apelando para meios não tão tradicionais para conseguirem seus PRÊMIOS, ou seja, o dinheiro. Assim, temos os corruptos, os fraudadores, os espoliadores, os sonegadores, enfim, toda uma gama bastante ampla de pessoas e grupos que abandonam, se é que existe, o que se poderia chamar de competição limpa.

Mas todos nós, de certa forma, participamos desta busca pelos GRANDES PRÊMIOS. Estou me referindo à sorte, afinal, você caro leitor, provavelmente é um daqueles milhões de brasileiros que semanalmente fazem a sua fezinha em um ou outro tipo de jogo de azar, a Mega Sena, por exemplo. Mas deixando a sorte de lado, afinal ela sorri para poucos, o fato é que nós estamos imersos em um ambiente extremamente competitivo, um ambiente em que ganhar é condição para alcançarmos uma vida melhor, esta ironicamente, uma noção que também tem origem ancestral.

O interessante é percebermos, como também afirma a ECONOMIA COMPORTAMENTAL, que toda nossa negatividade é utilizada dentro do jogo da competitividade, sendo acionado para nos impulsionar à vitória, ainda que ela, a negatividade, não possa ser expressa abertamente, sendo trabalhada apenas nos bastidores das nossas vidas, do mundo como um todo.

Assim, temos agora um cenário bem construído e delineado. Individualmente ou em grupos competimos constantemente buscando a superação dos nossos oponentes, ou seja, buscamos sempre algum tipo de vitória que trará no seu bojo algum ganho. Mas mais do que isto, e é esta dimensão que vem manchar uma eventual imagem positiva que poderíamos ter deste ambiente competitivo, temos que concordar que a competição está fundamentada sobre nossas forças psíquicas ancestrais, estas de caráter negativo, sempre cegas, automáticas e por isto mesmo, perversas.

Portanto, nós vivemos em um mundo em que nossos interesses pessoais, ainda que reunidos e expressos pelos nossos grupos de relacionamentos, representam o viés da nossa existência, fundamentando-se em aspectos negativos da nossa natureza. E é justamente o dinheiro que traduz e aglutina como ponto de convergência toda nossa ancestralidade.

Algo que podemos ter como certo, caro leitor, é que no mundo para o qual estamos trabalhando com base na Filosofia RIbasa, que é aquele que sucederá este em que vivemos, teremos uma realidade totalmente diferente. E uma das características principais se refere justamente ao dinheiro, pois este não existirá em nenhuma das suas formas.

Radical? Eu desafio você caro leitor a pensar o mundo sem a existência do dinheiro. O que você faria? Tente imaginar o mundo em que você vive.  Qual a sensação que você tem quando imagina esta hipótese? No que você trabalharia? Que produtos você iria consumir? Em que quantidade? Como você acha que seria garantido o seu alimento do dia a dia nas prateleiras do supermercado? Alguém ganharia mais do que você? Analise bem, e você verá que imaginar um mundo sem dinheiro gera uma sensação, um sentimento muito estranho, um vazio, algo que pode levar você a concluir que este é um cenário impossível de se transformar em realidade. É como se o chão fosse tirado, algo básico na sua vida. E é aí que se encontra o ponto. É justamente esta sensação que você experimenta ao imaginar o mundo sem dinheiro, este vazio imaginário que demonstra que é o dinheiro a expressão última da nossa natureza psíquica ancestral, e também que você não consegue viver, nem mesmo imaginar de forma estruturada e ampla a sua vida sem a expressão desta natureza.

E é por isto que não podemos, considerando a origem de tudo que vivemos atualmente, deixar de enxergar o mundo como um grande navio que segue sem qualquer consciência rumo a seu destino. O poder que acumulamos durante a história da humanidade, que seja dito é um poder cujas origens não se encontram na mesma dimensão sobre as quais se fundamentam nossas forças psíquicas ancestrais, tema que abordarei no próximo artigo, nos levou a construir um verdadeiro TITANIC, que também segue rumo a um ICEBERG, para um desastre que será a causa do naufrágio do mundo como o conhecemos.

Portanto, relembrando o nosso último artigo, eu afirmo que trabalhar na perspectiva da realeza, ou seja, na perspectiva do outro, é trabalhar justamente na perspectiva contrária àquela que domina o mundo atual. Trabalhar a realeza significa trabalhar na superação das negatividades que dominam o cenário competitivo das nossas vidas.

Para chegarmos a novo patamar de existência precisamos levar a efeito uma revolução, que deve incluir inclusive o repensar sobre a própria noção do que é prosperidade e o que é uma vida melhor. O que estamos propondo é o desenvolvimento de um novo ser humano, este preparado para enfrentar os desafios que se colocam no futuro próximo. E é justamente por estarmos falando em uma revolução que deve ser iniciada em cada indivíduo, para só então, como conseqüência, se explicitar em nova forma de convivência social, que nós temos falado da necessidade de tomarmos uma decisão clara e inequívoca sobre esta questão.

A Filosofia RIbasa não é apenas um conjunto de idéias a serem entendidas pelo seu intelecto. Elas podem e até precisam ser entendidas, razão dos nossos programas no Rádio e deste blog. Mas não podemos esquecer que para a Filosofia Ribasa as idéias são como luzes que devem iluminar um caminho. Portanto, não fique obcecado pela luz e sim por este caminho que elas iluminam. A Filosofia Ribasa aponta uma prática para a vida, disponibilizando ferramentas de simples entendimento, mas de difícil aplicação, já que se contrapõe à grande parte do que somos hoje, exigindo que rememos  contra a nossa própria maré. E quem está disposto a isto? Você?

Por hoje é só!

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