quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nós Podemos Muito Mais!

No nosso penúltimo artigo, também tema do programa na Rádio Mundial em 14/05/2011, comentamos o fato de estarmos vivendo dentro de um sistema econômico que se apropria dos mecanismos mais básicos e ancestrais da nossa psique, principalmente aqueles de caráter negativo, vinculados a nossa natureza competitiva.

Esta apropriação, tese também defendida pela ECONOMIA COMPORTAMENTAL, um ramo da Psicologia, garante o funcionamento vigoroso da economia, já que põe em marcha processos muito poderosos da natureza humana, não só nos aspectos individuais, mas também coletivos, de interação social.

Partindo do pressuposto, com o qual concordamos, de que esta correlação existe, uma questão fundamental precisa ser respondida: será que a adesão à mecânica que dá sustentação ao sistema econômico em que vivemos, do ponto de vista psicológico, acontece de forma natural, automática e voluntária ou faz parte de um processo coercitivo, mesmo que sutil, contrapondo-se ou sufocando potenciais características   que poderiam se desenvolver alternativamente?

A resposta a esta questão é de importância fundamental pois se pudermos concluir que de fato existe coerção no processo de adesão ao sistema, poderemos abrir novos horizontes de possibilidades para a existência humana, tese defendida pela Filosofia Ribasa, permitindo-nos imaginar e estruturar novos modelos sociais, a partir de novas perspectivas econômicas.

Tenho o pressentimento ou quase certeza de que a adesão ao modelo econômico dá-se de forma coercitiva, ainda que não totalmente, já que baseado em forças que realmente existem no ser humano. A questão é que eventualmente as forças que são apropriadas pelo sistema não precisariam assumir forma tão dominante. Neste caso poderíamos imaginar outro desenho para a existência humana sobre o planeta. Ainda que isto seja difícil de ser pensado como opção no passado, sem dúvida é hipótese que deve ser considerada quando pensamos os problemas do presente e projetamos o futuro.

Ainda que estejamos vivendo uma época de extrema prosperidade material, na qual as promessas de felicidade estão todas centradas no consumo, este constantemente projetado no futuro, ou seja, aquilo que ainda não temos - um carro novo, casa nova, aquela piscina, a próxima viagem - podemos afirmar que este sistema que se retroalimenta, por se basear em um conjunto limitado de forças psíquicas, gera uma condição deplorável e pobre em termos de existência humana, cujo reflexo podemos perceber nas nossas vidas e no mundo como um todo.

A cenoura da felicidade, ou seja, o desejo ainda não realizado traduzido como a felicidade a ser alcançada, passa a ser a nossa grande motivação. Uma cenoura que perseguimos incansavelmente e que quando alcançada, como que se evapora rapidamente, renascendo como Fênix na forma de um novo desejo, ainda maior, que novamente se projeta no nosso futuro.

Devido à liquidez financeira, fundamento do sistema de crédito, este o grande milagre que está a serviço da realização dos nossos sonhos, já podemos inclusive comer a cenoura antes de corrermos atrás dela. Como resultado, milhões de pessoas convivem com dezenas de prestações que precisam ser pagas, normalmente cenouras que já foram comidas.

Voltando a questão da coerção, podemos afirmar que a sua abordagem na perspectiva da Filosofia Ribasa significa procurar desvendar a forma como ela se dá no tempo de vida de cada ser humano. É responder ao QUANDO e COMO, afinal, o sistema econômico como o conhecemos não é natural, ainda que alicerçado sobre forças que o sejam.

E assim cabe a pergunta pessoal, que eu quero dirigir a você leitor, sobre suas memórias pessoais deste processo, no seu caso específico. Para ajudá-lo vou relacionar algumas perguntas:

1. Em algum momento da sua vida você se sentiu um rebelde, ou seja, contrário ao que a maioria ao seu redor defendiam?
2. Em algum momento da sua vida você acreditou que o mundo poderia ser diferente, melhor?
3. Quando você foi obrigado a se enquadrar no “modelão” você ficou animado com as recompensas que poderia alcançar ou você sentiu um gosto amargo?
 4. E quando entrou no “jogo” você se sentiu impotente ou achou que tinha achado finalmente a sua praia?
5. E hoje, ainda existe em você, lá no fundo, um sentimento de inquietação, de desajuste?

O que vemos é que muitas pessoas se sentem desconfortáveis vivendo apenas de acordo com os ditames do sistema. Os jovens, mesmo os recém formados, já enfrentam a depressão diante da necessidade de serem “obrigados” a mergulhar e abraçar o “sistema”. Para muitos deles as recompensas materiais já não são suficientemente atraentes. Por outro lado, as baladas, as noitadas, as bebedeiras, mais do que qualquer outra coisa, parecem apontar para uma fuga da realidade, uma realidade que já não é mais atraente, mas para a qual, diante deste sistema extremamente totalitário em que vivemos, não existem alternativas concretas.

Mas se concluirmos que a adesão traz no seu bojo algum tipo de coerção, subjugando potenciais expressões alternativas que mergulham em latência quase que forçada, poderemos tentar encontrar o tendão de Aquiles deste sistema e assim encontrar a porta de saída para um mundo alternativo, que é para o qual trabalhamos.

Abraços

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