segunda-feira, 2 de maio de 2011

O Casamento Real

(Texto adaptado do Programa na Rádio Mundial em 30.04.2011. Para audição, executar o link abaixo)

Áudio Programa Rádio Mundial 30.04.2011


Hoje vamos abordar novamente um evento da atualidade, que apesar de referir-se apenas à Grã Bretanha diretamente, teve o poder de mobilizar bilhões de pessoas ao redor do planeta. Vamos tratar do casamento real do Príncipe William com a agora Princesa Kate ou Duquesa como dizem.

Alguns números do evento impressionaram. Foram, segundo consta, mais de dois bilhões de espectadores pela televisão e em Londres acompanhando ao vivo o evento, foram mais de um milhão de pessoas presentes.

Diante desta gigantesca mobilização, uma pergunta salta a todos nós: afinal, o que nos é tão tocante neste tipo de evento? Porque esta atração? Porque afinal de contas gostamos tanto de contos de fadas, e principalmente deste específico que salta do imaginário para o mundo real?

De uma ou de outra forma, em maior ou menor grau, esta atração é comum nas nossas vidas, pois somos consumidores de histórias, contadas principalmente nos milhares de filmes que são produzidos anualmente pela indústria do cinema. Ainda que uma boa parte deles trate de violência, de competição, de terror, os grandes sucessos e também os grandes prêmios do setor são dirigidos normalmente para filmes que mostram superação, comprometimento, romance, solidariedade, heroísmo e mesmo dramas, estes preferencialmente com FINAL FELIZ, ou pelo menos honroso.

Em resumo todas estas histórias têm em comum o fato de nos levarem para além de nós mesmos, para além da realidade dos nossos limites mundanos, alimentando nosso espírito, razão pela qual somos consumidores ávidos deste tipo de produto.

Neste artigo, com base no Casamento Real, vamos apontar um caminho através do qual nós podemos, individualmente, também nos promover à REALEZA, uma possibilidade que tenho defendido aqui neste blog. Não uma realeza formal, exterior, como a Britânica, mas uma REALEZA interior, na dimensão espiritual.

Inicialmente vamos apontar alguns pontos interessantes que merecem atenção, com características que destacam o que temos proposto dentro da Filosofia Ribasa:

- o primeiro é que Kate era uma plebéia. Portanto, de certa forma ela realiza ao se casar, o sonho milhões de mulheres que buscam o seu PRÍNCIPE ENCANTADO. Não é por acaso que muitas noivas, impedidas de terem um príncipe de verdade, pois na maioria das vezes estes são sapos, pelo menos depois do evento sonham em poder vestir uma cópia do vestido da Princesa. O importante deste ponto é que ele se relaciona com a possibilidade e a tendência que existe dentro de nós de nos superarmos, de irmos além do que somos, atingindo novos patamares. Neste caso, este potencial  foi simbolizado pela plebéia que se transformou em Princesa.

 - outro ponto interessante diz respeito às pessoas anônimas presentes ao evento, em situações muitas vezes de desconforto e muitas vezes bem distantes das cenas principais. Provavelmente em termos de visão estariam em melhor condição assistindo o evento pela televisão. Mas o estar presente, de alguma forma, representou algo muito especial. O testemunho de poder dizer que se esteve presente e se fez parte do evento, já que a multidão anônima compôs de forma fundamental o cenário, fez toda a diferença. De alguma forma as pessoas presentes se sentiram contagiadas pela REALEZA.

- a PONTUALIDADE também foi algo marcante, apesar de característica própria dos ingleses, denotando RESPEITO. Se contrapondo a um mundo em que já não importam horários, compromissos, a atenção a eles marcou especialmente o evento. Mesmo a noiva, que costuma atrasar, não atrasou.

- RITUAL. Em um mundo onde as pessoas só fazem o que querem, inclusive com pessoas casando sem roupas, a noiva apenas com véu e grinalda, fato divulgado nas últimas semanas na Internet, a ritualização da cerimônia de casamento deu grandeza ao evento, apontando para uma dimensão maior em nossas vidas.

- DIGNIDADE. Não podemos deixar de ressaltar a imagem de dignidade que envolveu todo o evento, especialmente representado na figura da rainha ELISABETH II. Neste sentido temos que lembrar que a imagem da realeza britânica foi bastante arranhada com os eventos que envolveram o Príncipe Charles e a Princesa Daiana, principalmente sua morte. Sem entrar no mérito, é preciso dar crédito à serenidade e à dignidade da rainha Elisabeth II, fundamentais para que esta fase fosse enfrentada sem maiores consequências, e agora fosse superada com este evento grandioso que foi o casamento do Príncipe Williams.

- DETALHES. Acostumados que somos a viver situações em que imperam improviso e falta de organização, impressionou o cuidado com os detalhes em cada ponto relacionado ao casamento real, não só a cerimônia, mas todos os eventos do dia, inclusive de deslocamentos. Tudo planejado, ensaiado e executado com a atenção aos pequenos detalhes, que é o que também preconiza a Filosofia Ribasa.

- RIQUEZA MATERIAL. Ao final, mesmo com toda a pompa e circunstância, diante de outras dimensões tão marcantes e mais importantes, ficou no ar um sentimento de SOBRIEDADE. A riqueza e o material, mesmo se destacando, compuseram apenas a moldura para o evento, não sendo o foco principal como é comum acontecer em outras celebrações. Este ponto reforça a visão da Filosofia Ribasa de que o mundo deve servir o espírito e não o espírito servir o mundo.

Em resumo, circunstâncias não expressas em palavras, mas em gestos e atitudes, deram a este evento uma dimensão e uma grandeza especial, colocando-o certamente entre os maiores da história recente.

Mas ao que se contrapõe toda esta dignidade e grandeza no caso da Grã Bretanha? No caso da Inglaterra, em oposição à realeza, temos o mundo composto pelos políticos, no caso o Primeiro Ministro e o Parlamento Britânico, este o mundo do dia a dia, o chamado mundo real. É neste cenário do mundo real que se embatem, muitas vezes de forma obscura, os interesses mais diversos e contraditórios.
E no Brasil? No Brasil nós não temos mais REALEZA. Aqui nós só temos escândalos políticos, corrupção, em sequência interminável. Por outro lado, em uma perspectiva positiva, apesar do curto prazo, tudo mostra que a presidente Dilma está seguindo outro caminho. Mais discreta e equilibrada, ela parece estar tentando dar novo tom à política no Brasil. Adotando uma postura pública mais serena, mais digna, mais austera, ela não direciona sua metralhadora, como fazia lula, aleatoriamente para todos os lados, criando e fomentando conflitos.

Então, tirando esta nova perspectiva que vem sendo dada pela nossa presidente Dilma, nós aqui no Brasil estamos sem referência de dignidade, de algo maior que nos inspire e impulsione para cima. E é esta ausência que abre espaço para que o cenário seja dominado pelos escândalos, gerando impacto negativo para o presente e para o futuro do Brasil e de seus cidadãos.

Mas de que forma tudo isto está relacionado a nossa vida pessoal e interior? Assim como temos esta divisão no mundo externo, ela também existe em nós, internamente. De um lado, nós temos também a nossa dimensão de Realeza, ou pelo menos uma semente com potencial para seu desenvolvimento. E é esta semente a responsável pelo encantamento que bilhões de pessoas experimentaram ontem com o casamento real. Por outro lado, temos também o nosso lado mundano, aquele que nos puxa para baixo e para trás.

Mas ao contrário do que acontece no mundo externo, em nós estas duas dimensões, a realeza e o mundano, convivem simultaneamente, normalmente de forma desequilibrada, ou seja, com um dos lados controlando o cenário das nossas vidas.

A expressão destas duas dimensões, por outro lado, dá-se pelo exercício do poder que todos nós temos, individualmente. E neste caso a referência ao poder se dá em seu sentido mais amplo, englobando todo nosso fazer. PODER e FAZER caminham lado a lado, não sendo sem sentido o ditado popular “MANDA QUEM PODE OBEDECE QUEM TEM JUÍZO”. Ou seja, o poder sempre está relacionado ao FAZER. E assim, apenas para reforçar afirmamos existe ser humano no planeta que não tenha PODER. De uma forma ou de outra, todos nós temos o temos, por maior ou menor que ele seja.

Quando falamos da dimensão mundana, estamos falando do exercício de poder que é voltado para realização de interesses próprios, egoístas. Assim é com os políticos, por exemplo, que apesar de se dizerem representantes do povo, discurso necessário já que necessitam de votos para se elegerem, exercem o poder recebido de forma egoísta, voltado para interesses específicos próprios ou de grupos restritos. Mas no nosso caso pessoal é a mesma coisa. Observe o seu dia a dia caro leitor e procure observar as motivações internas para os seus atos, o seu fazer, a cada momento. Quais são elas? Você é capaz de percebê-las?

Quando falamos da dimensão da Realeza, estamos falando em outra forma de exercício de poder, ou seja, o poder voltado para fora, para o próximo, para o interesse que não é pessoal, egoísta. Não é a toa que mesmo no mundo real, como aconteceu muitas vezes na história das sociedades humanas, muitos reis exerceram o poder de forma egoísta, razão pela foram considerados tiranos e não soberanos.

Como temos comentado em nossos artigos, pela nossa origem, o normal é que nossas vidas sejam controladas pelo nosso lado MUNDANO, egoísta, pequeno, menor, composto pelas nossas forças psíquicas ancestrais. E esta dinâmica é reforçada, apoiada e sustentada por tudo que o mundo ao nosso redor afirma ser o certo.

Para que a nossa Realeza possa se desenvolver e se expressar, temos que transformar nossas vidas para além dos nossos interesses egoístas. Se nos encantamos com o casamento real de ontem é porque somos chamados por algo que já está em nós. E eu afirmo que nós podemos superar a nossa dimensão mundana, passada, assumindo um futuro dentro de outra perspectiva e de outro patamar.

Todas nossas experiências, até mesmo o arrumar o quarto, como temos afirmado, pode ser abordado a partir destas duas dimensões. Somos nós, é você quem decide qual delas vai dominar.

Entender o que somos, de onde viemos e para onde devemos seguir como pessoas, como humanidade, é o nosso desafio inicial, condição para podermos tomar a decisão para seguirmos no caminho do espírito. Uma vez decididos, com as ferramentas adequadas, todas disponíveis no mundo atual, inclusive mostradas no evento do Casamento Real, temos que trabalhar, trabalhar e trabalhar. Ninguém, nenhuma promessa fantástica, nada tirará de cada um de nós a responsabilidade pela caminhada. Não existe atalho, barganha, sendo esta uma missão que nós precisamos assumir. Basta decidir.

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