No apagar das luzes de 2010, em trâmite realmente digno do mais alto padrão de eficiência, o Legislativo realizou mais uma de suas grandes façanhas, como sempre, orquestrada em causa própria. Provavelmente a rapidez do processo bem como a escolha do momento tiveram por motivação a expectativa de não chamar a atenção do grande público, neste momento envolto com as festividades de Natal e Ano Novo. Temos também que considerar o envolvimento de todos com os naturais agitos de verão, que por enquanto teima em se mostrar chuvoso.
Ledo engano, afinal o Tiririca estava lá para acabar com a festa na calada da noite. "Acho bacana, acho legal", afirmou em rede nacional para uma emissora de televisão. "Cheguei em um bom dia, dei sorte!". De fato, ele é um homem de sorte. Afinal, antes mesmo de assumir o seu mandato, o primeiro, já teve o seu salário reajustado em 62%, passando de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil. Quem não gostaria de um "presente" deste tipo as vésperas do Natal. O Presidente Lula, em cerimônia realizada após o feito, com bom humor reclamou do fato, dizendo que o "Lulinha aqui, nada!", ou seja, ficou fora da festa.
Ledo engano, afinal o Tiririca estava lá para acabar com a festa na calada da noite. "Acho bacana, acho legal", afirmou em rede nacional para uma emissora de televisão. "Cheguei em um bom dia, dei sorte!". De fato, ele é um homem de sorte. Afinal, antes mesmo de assumir o seu mandato, o primeiro, já teve o seu salário reajustado em 62%, passando de R$ 16,5 mil para R$ 26,7 mil. Quem não gostaria de um "presente" deste tipo as vésperas do Natal. O Presidente Lula, em cerimônia realizada após o feito, com bom humor reclamou do fato, dizendo que o "Lulinha aqui, nada!", ou seja, ficou fora da festa.
O fato é que poucos são os privilegiados que podem legislar em causa própria de forma tão ostensiva. Não é a toa que muitos brasileiros sonham com um cargo político ou então com um emprego público, já que como é previsto, para estes últimos a "festa" dos caciques deve se espraiar, desencadeando aumentos em cascata em toda pirâmide do serviço público. E quem vai pagar a conta? Nós, meros humanóides, provavelmente de segunda categoria.
Apesar de nossa possível revolta, o fato, podemos ponderar, pode representar muito mais do que um desvio de caráter daqueles que ocupam atualmente o Legislativo brasileiro. Afinal, seguem-se as legislaturas, trocam-se os parlamentares, mas mantém-se as mesmas práticas no trato do dinheiro público, práticas que tanto afrontam o povo brasileiro. Se este é o fato, ou seja, a generalidade e perpetuação das práticas, podemos supor que trata-se de um problema que potencialmente atinge a todos nós. Se verdadeira a tese, a afronta que atinge todo o povo brasileiro está muito mais relacionada ao que falta a todos nós, ou seja, a "oportunidade" única concedida aos políticos, qual seja, o de poderem legislar em causa própria.
Como preconiza a Filosofia Ribasa, os fatos tem que ser analisados frente a nossa própria realidade pessoal. Nesta perspectiva, o mundo passa a ser o exercício das nossas possiblidades, ainda que vividas por terceiros. Façamos então um exercício: vamos supor que cada um de nós tenha sido, assim como o Tiririca, num lance desvairado do destino, eleito para ocupar uma cadeira no Congresso Nacional, na Câmara dos Deputados. Diante deste fato vamos ponderar: será que nós seríamos capazes de apresentar um projeto que propusesse o aumento salarial que foi concedido para o Legislativo? Pondere no seu íntimo, você se exporia publicamente para propor este projeto? Não? E supondo que você não oferecesse seu nome para propor o projeto, considerando a necessidade de apenas um voto rápido, o seu, em meio ao grande número de Deputados, na calada da noite, no final do ano legislativo, você votaria contra ou a favor do aumento do seu salário, logo na sua primeira sessão? Você rejeitaria a oferta ou oportunidade de ter o seu salário aumentado de R$ 16,5 mil para R4 26,7 mil? Sim? Provavelmente muitos usariam como justificativa o velho ditado que diz que uma andorinha solitária não faz verão...
Indo além deste fato, exercite um pouco mais nesta mesma linha de reflexão. Busque na memória situações similares: quantas vezes o grupo ou o anonimato constituiram o cenário para atitudes que você publicamente não assumiria de forma isolada? Você consegue fazer um lista, buscar na memória situações concretas da sua vida?
As nossas críticas muitas vezes são dirigidas contra nossas próprias atitudes, reais ou potenciais, sendo a diferença do agir ou não agir muito mais questão de oportunidade do que de alguma diferença substancial de caráter entre as pessoas em algum momento da história. E se assim é, qual o mecanismo que nos leva a este estado de ser, como podemos ultrapassá-lo, e o que nos esperaria em um mundo diferente? Para estas perguntas a Filosofia Ribasa apresenta uma série de respostas que pouco a pouco vamos apresentar neste blog.
As nossas críticas muitas vezes são dirigidas contra nossas próprias atitudes, reais ou potenciais, sendo a diferença do agir ou não agir muito mais questão de oportunidade do que de alguma diferença substancial de caráter entre as pessoas em algum momento da história. E se assim é, qual o mecanismo que nos leva a este estado de ser, como podemos ultrapassá-lo, e o que nos esperaria em um mundo diferente? Para estas perguntas a Filosofia Ribasa apresenta uma série de respostas que pouco a pouco vamos apresentar neste blog.
Abraços
Walter
Este é o comentário postado originalmente por Silvia no blog do uol, e copiado para este novo.
ResponderExcluirParabéns pela abertura do Blog, um grande passo para a humanidade. A tua sabedoria vem acalmar os corações aflitos, guiar os perdidos, e renovar as esperanças dos que em nada creêm; Admiro-te!
Silvia | silvia@ribasa.com.br | 17/12/2010 15:09
Originalmente postado por Eduardo no blog do uol e copiado para este novo:
ResponderExcluirparabens pelo Blog, é de nossa obrigação, bem como a de todos os que querem mudar essa filosofia política, repassar essas informações a todos os que não tem o acesso as mesmas. Devemos adotar a filosofia do pote. Que nossas cabeças sejam como potes, e que num sejam fechaos. Sejamos Potes abertos. abraço
EduardoWegner | eduardo.engenharia@ribasa.com.br | 25/12/2010 17:49