segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sustentabilidade rv 03

A última edição da Revista Veja, de 22 de dezembro de 2010, traz como presente especial para seus assinantes a Edição Veja Sustentável, que aborda a questão ambiental sob a perspectiva da sustentabilidade, conceito que faz convergir todas as preocupações que estão envolvidas com o futuro da existência humana sobre o planeta.

Tratada a partir de diversos ângulos nos seus vários artigos, que deixam como conjunto uma leve mas indelével sensação de impotência, a questão da sustentabilidade mostra-se como assunto de extrema complexidade. De certa forma ela representa um desafio que exige uma revisão, ou melhor, uma revolução na maneira como a nossa cultura encara a vida humana, ou seja, um movimento que represente mais do que uma simples uma evolução do modelo atual.

Neste sentido chama atenção pela sua clareza na abordagem do tema, o artigo “Sustentabilidade ou colapso”, escrito por Robert Constanza e Joshua Farley. Para eles, a sustentabilidade não é alternativa, mas sim condição para que possamos dar seguimento à experiência humana sobre o planeta, sob pena de termos que nos confrontar com um colapso de dimensões globais e de conseqüências catastróficas para a humanidade. 

A revolução da visão que levará à sustentabilidade, segundo os autores, implica em uma profunda revisão dos conceitos da economia, incluso o de desenvolvimento. A falta de novas propostas para estes conceitos fundamentais, portanto, pode explicar a razão pela qual não conseguimos enxergar como efetivas as experiências apresentadas na Edição Especial da Revista Veja.

Em outras palavras, aparentemente estamos tratando apenas os efeitos de um problema muito complexo com ferramentas inadequadas, ou seja, estamos diante de um dilema, qual seja, o de sermos capazes de diante dos interesses que dominam o mundo atual e a realidade de cada um de nós, efetivamente sermos capazes de dar novo tratamento a pontos que dão sustentação ao modelo atual de mundo. 

No entanto, a perspectiva de solução positiva para este desafio não é nada promissora. A história mostra que de um modo geral as civilizações ou culturas não conseguiram superar as contradições que jaziam intrínsecas em seus paradigmas de sustentação. Escondidas pelas promessas que agregavam seus seguidores, estas contradições, entendidas muitas vezes apenas como simples efeitos colaterais não desejáveis do sistema, com o desenrolar do tempo se transformaram em monstros indomáveis, levando-as a derrocada, muitas vezes de forma rápida e geralmente radical. 

Neste sentido, o artigo citado aborda mesmo que superficialmente, alguns conceitos muito importantes. Diz o autor que em termos de consumo, “a economia brasileira terá que crescer mais de dez vezes para atingir o nível dos países mais ricos”. Por outro lado, diz que em termos de felicidade e satisfação, pesquisas “mostram que em termos de qualidade de vida, o Brasil já é um dos países mais “ricos”, ao lado dos Estados Unidos e das nações européias.” Esta constatação já é suficiente para darmos início a um questionamento muito profundo sobre o mundo em que vivemos, suas promessas, sua dinâmica, e principalmente, seus fundamentos. Qual é efetivamente o conjunto de princípios que pode nos reconduzir a uma relação positiva e harmoniosa com o planeta e nosso futuro comum? 

É com este foco que temos trabalhado no caminho da FILOSOFIA RIBASA, ou seja, na possibilidade de construção de um mundo fundamentado em novos princípios. O desafio, no entanto, é verificar a possibilidade de se poder construir um novo paradigma sem que tenhamos que passar pelo desastre do anterior, o atual. O conhecimento que temos hoje do passado, em todas as suas dimensões é tal que deveríamos ter a capacidade de interromper esta seqüência de construção e destruição. Mas esta é a grande questão, o grande desafio.

Na Ribasa, empresa em que estamos buscando uma nova forma de convivência, temos assistido a muitos milagres no dia a dia, realizados a nível individual. Cumprimos e não podemos fugir dos parâmetros exigidos pelo mundo dos negócios, mas de fato, silenciosamente, estamos tentando estabelecer as bases para uma revolução silenciosa, que transformará as pessoas e por decorrência, o mundo. 

Novamente, mesmo com a perspectiva não promissora, já que vivemos um mundo que é um verdadeiro rolo compressor, nós acreditamos que podemos sim colaborar para o estabelecimento das bases para um novo paradigma, apenas mais um, mas que, se possível, representará passo importante para o desenvolvimento positivo da nossa espécie sobre o nosso pequeno planeta Terra.

Abraços 

Walter

3 comentários:

  1. Comentário originalmente postado no blog do uol e copiado para este

    Concordo com toda a sua abordagem sobre o assunto, porém a própria revista publicou ainda ações e os graus conforme a ação praticada.Nao gostei por exemplo da comparação da sacola de plastico , pq realmente ainda nao temos conhecimento suficiente de açoes realmente ecologicamente corretas , pois na midia o que vemos é uma super campanha para abolir a sacolinha, fazemos um esforço danado , nos sentimos ate culpados...e depois qdo ve que a abolição da sacolinha traz somente um pequeno impacto , ficamos meio que parecendo baratas tontas!!
    Silvia | silvia@ribasa.com.br | 20/12/2010 12:06

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  2. COmentário originalmente postado no blog do uol e copiado para este

    Muito interessante seu post,parabens pelas palavras,muito bem colocadas,abraços:LUIS
    luis alberto | luis3666@uol.com.br | 21/12/2010 05:55

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  3. Comentário originalmente postado no blog do uol e copiado para este

    Concordo com toda a sua abordagem sobre o assunto, porém a própria revista publicou ainda ações e os graus conforme a ação praticada.Nao gostei por exemplo da comparação da sacola de plastico , pq realmente ainda nao temos conhecimento suficiente de açoes realmente ecologicamente corretas , pois na midia o que vemos é uma super campanha para abolir a sacolinha, fazemos um esforço danado
    Thiagão | buttekus_tga@hotmail.com | 21/12/2010 18:06

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