Um dos maiores desafios que enfrentei durante toda minha vida foi o de entender os processos que me permitiram estabelecer uma ponte entre a vida exterior que vivemos como seres neste planeta e a possibilidade de uma vida interior, como afirmado nos artigos anteriores, fonte para o DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL de cada um de nós. Afinal, a experiência no mundo nos seus aspectos exteriores é tão avassaladora, tão inebriante, que não percebemos as sutilezas do Espírito e a forma como ele pode ser desenvolvido. E pior ainda, não temos a mínima noção do que realmente possa representar a vivência em patamar superior de existência, este atingido justamente com o desenvolvimento do Espírito.
Ainda que as religiões, e são muitas, reinvindiquem para si o conhecimento dos caminhos para o desenvolvimento espiritual, de um modo geral, salvo algumas excessões, tudo que temos é mera caricatura do que realmente é o caminho para e do Espírito.
E assim, como multidão cega, vagamos entre as demandas do mundo, CRENTES de que é sómente esta a dimensão de vida, em termos de qualidade, que nos é possível e acessível. O mundo com suas promessas nos mantém presos ao chão, ao que nos é mais básico em termos de existência, e assim ele nos cega.
Por outro lado, nos é até difícil imaginar a vida em outra dimensão, dentro da ESPIRITUALIDADE.
Por circunstâncias bem específicas, próprias do nosso tempo, as portas para a ESPIRITUALIDADE tem estado fechadas para a maioria de nós. Muitos entenderão como balsfêmia esta afirmação, mas de fato, eu reafirmo: as portas para uma VIDA NA ESPIRITUALIDADE, que nos leve individualmente e como sociedade para uma experiência, permanente em novo patamar de ESPIRITUALIDADE tem estado fechadas para a maioria de nós. Ainda que sejam milhares as instituições, movimentos, escolas que busquem promover o desenvolvimento espiritual do ser humano, muito pouco se tem alcançado de efetivo neste sentido.
Mas há de se considerar em contrapartida que a partir de agora as portas vão se abrir para todos, permitindo e até demandando o Desenvolvimento Espiritual do ser humano. É esta a grande mensagem contida no calendário Maia, apenas para dar um exemplo, ou seja, o fim e o início de uma nova era. O fim do mundo, como muitos profetizam e o início de um novo. E entenda-se esta expressão "fim de mundo" em diversos níveis.
E esta é a excelente boa nova. Em outras palavras, uma conjuntura favorável, apesar do cenário negativo em que vivemos, se vislumbra. Se por um lado temos um mundo em crise, por outro se aproxima uma nova era, um tempo de esperança.
E foi justamente dentro deste processo de abertura de portas, como dito acima, que a experiência da Ribasa se posicionou, de forma vanguardista. Isto significa que na Ribasa o trabalho já foi encaminhado dentro da nova perspectiva, próprio do período de transição no qual já estamos imersos, ou seja, preparando as pessoas para o que virá. Um trabalho efetivo, suado, difícil, aparentemente sem os encantos normalmente vendidos como vinculados ao DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL. Ainda que a magia, entendida a partir do nosso ponto de vista atual faça parte do mundo ESPIRITUAL, na Ribasa não recorremos a uma atitude mística para trilharmos o caminho para a sua abertura, pois esta é potencialmente alienante quando não bem administrada, podendo criar uma cisão dentro do ser, desta forma mantendo-o preso aos grilhões que o impedem de avançar efetivamente. Assim, preferimos optar pelo trabalho simples, direto e orientado.
E é neste sentido que nós afirmamos que o EGOÍSMO é o combustível e a matéria prima para o trabalho no sentido do Espírito. Ele faz parte da nossa existência no momento atual e como já afirmamos, é condição para que possamos passar a um patamar superior de existência, em outra dimensão. Ele, o egoísmo, constitui portanto um dos grandes campos de trabalho, senão o maior que temos a nossa disposição para realização do trabalho pretendido de DESENVOLVIMENTO..
Para que possamos entender um pouco mais esta questão, ou seja, de que tudo que vivemos se constitui apenas como MEIO para o nosso DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL, gostaria de apresentar o exemplo do balão de ar de festa de crianças Ao enchermos o balão, não completamente, e criarmos um estrangulamento, podemos ficar deslocando o ar de um lado para o outro do balão, brincadeira muito comum entre as crianças. Vejam que necessariamente um lado depende do outro, ou seja, se não empurrarmos o ar que temos de um lado, o outro jamais se encherá, pois a quantidade contida no balão é sempre constante. No caso do nosso desenvolvimento ESPIRITUAL a grosso modo, e apenas como imagem figurativa, a coisa dá-se mais ou menos da mesmas forma. Tudo que temos e vivemos, inicialmente faz parte de um dos lados, vamos utilizar o lado esquerdo do balão. O lado direito, imaginando que no meio do balão existe um estrangulamento, está praticamente vazio, dependendo da história cármica de cada um de nós. O objetivo de nossas vidas resume-se basicamente em trabalhar com o ar do lado esquerdo do balão, para que ele lentamente se desloque para o lado direito. E é importante perceber que não podemos "criar" ar. A matéria prima para o DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL, como já falamos, é a nosso própria vida, somos nós com nossas característica e história pessoais, inclusive de outras vidas. Portanto, se ficarmos apenas utilizando o "ar" do lado esquerdo para circulá-lo, sem sua transmutação, o que é plenamente possível e comum a quase todos os seres humanos da atualidade, quando chegarmos ao fim de nossas vidas, não teremos AR, ou seja, VIDA ESPIRITUAL transformada no lado direito.
Resultado, como não nos serve o ar do lado esquerdo quando da nossa partida, e como não o transformamos em ESPIRITUALIDADE, ficamos apenas com o vazio do que realizamos no mundo, ainda que grandes realizações, negócios, aquisições, o que quer que seja. Ao final restarão apenas as lembranças do que fizemos com nossos dotes (ar) e certamente um saudosismo, significando que que ficamos perdidos no meio do caminho.
Já para aquele que conseguiu transmutar o ar do balão, transferindo-o para o lado direito, a realidade será totalmente diversa. Uma nova realidade, em outra dimensão, terá sido formada. A história pessoal será reconhecida como uma etapa de transformação, de trabalho com vistas ao futuro. Ao se aproximar o fim da jornada, invadirá o ser a certeza de que de alguma forma estará voltando para casa. Como diz o início do primeiro poema do primeiro livro "Masnawi" de Rumi,
Escuta a flauta de bambu, como se queixa,
Lamentando seu desterro:
"Desde que me separaram de minha raiz,
Minhas notas queixosas arrancam lágrima de homens e mulheres.
Meu peito se rompe, lutando para libertar meus suspiros,
E expressar os acessos de saudade do meu lugar.
Aquele que mora longe de sua casa
Está sempre ansiando pelo dia em que há de voltar.
.....
O lamento da flauta é fogo, e não puro ar.
Que aquele que carece desse fogo seja tido como morto!
É o fogo do amor que inspira a flauta,
É o amor que fermenta o vinho,
A flauta é confidente dos amantes infelizes:
....."
É esta conexão que nos invade quando imersos na experiência e no estado do Espírito.
Seguiremos em breve
Abraços
Walter
Que texto interessante:muito bom.Abraços.
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