domingo, 17 de abril de 2011

Amarrando as Pontas

(adaptação do programa de 16/04/2011 na Rádio Mundial. Para audição, execute o player no link abaixo)

Áudio Programa Rádio Mundial 16/04/2011

Passada a comoção inicial causada pelos eventos ocorridos no Japão e também em Realengo aqui no Brasil, tema que também tratamos aqui no nosso blog, é tempo de seguirmos em frente, aproveitando a oportunidade para amarrarmos as pontas de algumas idéias e conceitos que temos apresentado.

Este trabalho é importante na medida em que a  Filosofia Ribasa vai apresentando a você leitor uma teia de idéias, de imagens que visam conduzir você a uma nova perspectiva sobre a vida, desta forma estabelecendo as condições para que você possa caminhar rumo a um novo patamar de existência. É um trabalho que exige paciência, como diz o ditado: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. É o elefante na sala escura. Nós vamos apresentando as idéias, conceitos e imagens, muitas vezes apresentando o mesmo ponto de diferentes perspectivas, para que assim em algum momento você possa enxergar com seus próprios olhos, com seu ser, o caminho que indicamos. Portanto, caro ouvinte, não se prenda a idéias, aos conceitos, pois estes são um meio e não um fim. Busque olhar para além deles, para o que eles apontam, neste caso, um estado de ser, que deve se estabelecer dentro de você em todas as suas dimensões, não só na sua mente, no seu entendimento. Em outras palavras, este estado de ser precisa ser construído, experimentado, vivido.

Nós já abordamos aqui no blog a existência humana em algumas de suas variadas dimensões. Falamos da relação do ser humano com o planeta, na visão de que estamos nos relacionando com ele a partir de uma perspectiva antiga, totalmente ultrapassada. Comentamos que do embate travado durante milhares de anos entre a espécie humana, inicialmente acuada e a natureza, esta toda poderosa, a humanidade passou a exercer o seu PODER, este cada vez maior, na perspectiva do vencedor, explorando e usufruindo da sua conquista, basicamente  recursos naturais do próprio planeta. E nesta perspectiva do vencedor, totalmente equivocada, a humanidade segue rumo à exaustão do planeta. Esta tendência está tão arraigada em nós que hoje, inclusive, já se fala em habitar e explorar novos planetas, dentro da mesma perspectiva ultrapassada.

Esta história do embate entre a natureza e espécie humana, para nosso melhor entendimento, pode ser comparada com a experiência do sapo na panela. Segundo dizem, e vale aqui apenas a imagem, quando você coloca um sapo em uma panela com água fria e a coloca sobre o fogo, o sapo não percebendo o lento aquecimento da água acaba morrendo. No entanto, se você coloca o sapo na mesma panela já com a água quente, ele imediatamente pula para fora, salvando sua vida.

Com a humanidade parece ser o mesmo caso. Como estamos mergulhados há milhares de anos dentro de uma mesma perspectiva no relacionamento com a natureza, não percebemos o lento aquecimento da água, coincidentemente também não o aquecimento global. Assim, ficamos inertes, passivos, quase que paralisados, como se não soubéssemos o que fazer. E ainda que aparentemente conscientes do que está acontecendo, fato recente na nossa história, tudo que temos feito para mudar o cenário pouco tem representado diante da voracidade com que continuamos seguindo na direção errada. Em resumo, falta uma nova perspectiva, uma perspectiva que estabeleça os fundamentos que possam instaurar uma nova era no relacionamento entre nós seres humanos e o planeta.

Foi para dar início à construção desta nova perspectiva que apresentamos a técnica da VISÃO DE MONTANHA, a partir da qual podemos adquirir uma visão circunstanciada da nossa existência, referenciando-a ao contexto da história do planeta e da própria humanidade. É como se mergulhados no mundo, imaginado como um mar, situação na qual nós nos encontramos, nós aprendêssemos a tirar a cabeça para fora da água. Você deve lembrar também do exemplo que apresentamos do grande navio, este representando a imagem do mundo seguindo rumo ao seu destino. Neste caso, desenvolver a VISÃO DE MONTANHA representa a possibilidade de sairmos dos porões deste navio para subirmos ao deck, ao convés, e assim olharmos para o horizonte com suas oportunidades. Significa sair do ar poluído do mundo para respirar novamente ar puro.

Através da aplicação desta técnica, como conseqüência, se desenvolve o estado da HUMILDE DÚVIDA, assunto que tratamos no artigo publicado no blog no dia 24 de fevereiro.  Através dele você se coloca em posição de curiosidade, de relatividade, passo importante para poder mudar a perspectiva de caminhada na sua vida. Em palavras mais simples, você se convence que você pode ser diferente e abraça esta causa.

Com a aplicação destas duas técnicas, intencionamos tirar o maior número possível de pessoas desta situação de perplexidade, de inércia, de paralisia, transformando-as em sapos que saltam para fora desta água quente na qual estamos cozinhando lentamente.  E este salto para a vida, escapando da água escaldante, representa o salto qualitativo para um novo patamar de existência, em nova realidade, que denominamos quântica.

 A este respeito gostaria de citar um livro, cuja edição brasileira recebi das mãos do amigo  Sérgio Rizek, da Attar Editorial. O livro chama-se MUTUS LIBER (O Livro Mudo da Alquimia), publicado pela primeira vez na França em 1677. Ele trata do trabalho alquímico, apresentado em 15 páginas ilustradas, praticamente sem o uso de palavras.

Mas antes de abordar este assunto, quero reafirmar que a Filosofia Ribasa apesar de utilizar uma série de conceitos, não tem na dimensão conceitual sua essência nem seu objetivo. Até porque a base da Filosofia Ribasa não pode ser expressa em conceitos, pois ancorada em experiências dentro de um novo estado de ser, o novo patamar de existência, como tenho comentado.

Utilizando mais uma imagem, e eu ressalto que as imagens são ferramentas de grande valor dentro do trabalho da Filosofia Ribasa, podemos dizer que as palavras e os conceitos representam para a Filosofia o que uma esfera poderia representar para uma reta. Pense na dificuldade que a esfera teria, já que vivendo em três dimensões, para explicar sua existência a uma reta, esta existindo em apenas duas dimensões.

Assim, ainda que para fins didáticos sejam utilizados conceitos e palavras, este são utilizados apenas como ferramentas, precárias e limitadas, razão pela qual são virados e revirados. Por esta razão, a Filosofia Ribasa não busca um apuro conceitual e lógico, pois este seria próprio de uma dimensão intelectual, algo que não nos interessa neste trabalho.

E aí lembramos do artigo publicado no blog no dia 08 de março, A ALAVANCA DE ARQUIMEDES, no qual afirmamos que os conceitos, estes comparados com alavancas, devem ser trabalhados para se adequarem à realidade específica daqueles buscam a nova perspectiva de via. Assim, em alguns momentos pode-se ter inclusive a impressão de estarmos apresentando aparentes contradições. Não se preocupe. É assim mesmo. E faço este comentário pois os especialistas, os intelectuais certamente vão ficar arrepiados com esta falta de preocupação. as minhas colocações. A estes, antes de tudo eu já peço desculpas antecipadas, mas também lembro novamente, que a Filosofia Ribasa é um meio e não um fim. Para ela, o conhecimento, um novo conhecimento, será decorrência de uma nova experiência. E é para a vivência a nível individual desta nova experiência que trabalha e existe a Filosofia. Ela não é a fonte de água cristalina, como eu já afirmei, ela é apenas o conjunto de ferramentas que aponta e ajuda o viajante para descobrir e seguir o seu caminho. E ferramentas, quando precárias, precisam ser adaptadas, assim como diz um outro ditado: “quem não tem cão, caça com gato

Voltando ao livro, ao Mutus Liber, na primeira ilustração, inserina no início deste artigo, podemos ver, entre outras coisas, uma escada que liga o céu e a terra, e dois anjos descendo por ela tocando suas trombetas para um ser humano que dorme tranquilamente, deitado sobre a terra. Por um lado a imagem indica nosso estado atual, ou seja, de sono, de inércia, de torpor e paralisia, tudo conforme mencionado antes. Por outro indica a grandeza das possibilidades que se abrem para nós seres humanos.  E vejam que os anjos presumidamente não precisam descer ou subir escadas já que seres alados. Assim, a presença da escada é indicação expressa do caminho que precisamos percorrer, transformando o chamado dos anjos, o tocar das trombetas em desafio, nossa missão, conhecido como o caminho do espírito.

Mas porque vivemos neste torpor, nesta inércia e sono, assim como o homem da imagem? Como comentamos em vários artigos, este estado é decorrência do domínio das forças psíquicas ancestrais nas nossas vidas. Na nossa relação com o mundo, entendido em todas as suas dimensões, estamos sempre sob a influência destas forças, o que nos mantém cegos e atrelados a uma dinâmica que busca unicamente a realização cega destas. E é importante lembrar que estas forças trazem no seu bojo uma lógica de recompensas que nos impulsionam a persegui-las, ou seja, elas têm caráter dinâmico, impulsionando nossas vidas.

Interessante perceber que estas forças psíquicas não se mostram na forma conceitual. Ou seja, individualmente, na vida de cada um de nós elas simplesmente existem, e ponto. Elas simplesmente determinam grande parte das nossas ações, e assim é. Ainda que possamos elaborar um sem número de justificativas ou idéias posteriores, o fato é que elas têm existência para além da dimensão conceitual, do pensamento. E assim, apesar de ocuparem grande espaço em nossas vidas, elas não são muitas vezes sequer reconhecidas por nós, como se não existissem no horizonte da nossa consciência.

Por atuarem no nosso nível inconsciente, elas também são identificadas com o lado escuro do nosso ser. Quanto ao trabalho que estamos propondo na Filosofia Ribasa, este deve ocupar outro nível, na dimensão da luz, da consciência, características próprias do espírito.
Mas da mesma forma como acontece com as forças psíquicas, as habilidades e características indicadas pela Filosofia Ribasa, quando desenvolvidas individualmente, passam a fundamentar nossa ação também em nível não conceitual, mas em novo patamar de existência, já que a partir deste trabalho desenvolvemos um novo centro de energia, de dimensão espiritual. Este passa a ser a nova fonte energética de impulso para nossas ações. As próprias forças psíquicas, nesta etapa, passam a ser controladas por este novo centro, permitindo um novo tipo de relacionamento com elas. Em resumo, acontece uma transmutação do ser, que consideramos como o objetivo da grande obra da alquimia.

Em outra dimensão, por ser construção, construção do espírito, precisamos estar conscientes de que esta não se dá isoladamente, pelo menos não dentro da proposta da Filosofia Ribasa. É na convivência com o próximo que estabelecemos as condições para nossa caminhada. É como se este fosse o espelho no qual podemos nos enxergar e assim avaliar nossa caminhada. A matéria prima do trabalho são as nossas forças psíquicas ancestrais, que vale ressaltar, só se exteriorizam e se mostram, e assim podem ser trabalhadas, a partir da relação com o outro no mundo. Ou seja, nossa humanidade se realiza através do próximo.

Dentro deste contexto, assim como comentamos no último artigo com respeito à tragédia de Realengo, podemos perceber que os nossos círculos de relacionamentos assumem importância fundamental no desenvolvimento das nossas vidas. É nestes círculos, nas relações que se estabelecem neles que as forças psíquicas se expressam, muitas vezes de forma negativa, como foi o caso de Realengo. Poder, exclusão, competitividade, inveja, ciúmes, ganância, depreciação, enfim, uma série de mecanismos são ativados quando estamos em relação com os outros dentro dos nossos círculos de relacionamentos. Pode ser uma verdadeira guerra. E ainda que sejam boas as intenções, como nos casos de igrejas e outras instituições, que são criadas com propósitos positivos, normalmente estas também são contaminadas pelos efeitos negativos das nossas forças ancestrais.  Ainda que a cultura, como comentamos em outro artigo do blog imponha para cada sociedade um conjunto de punições, buscando limitar a expressão negativa das forças psíquicas, elas não deixam de existir, sempre encontrando nova forma de expressão e realização.

Para encerrar, vamos tratar da Alquimia Quântica, tema que tratamos em um dos nossos primeiros artigos. Naquele momento alertávamos para o fato de que nós estamos vivendo em um mundo que podemos chamar de “barulhento”. Nós estamos vivendo exacerbadamente para fora de nós mesmos, tomando o estágio psíquico e espiritual de cada um de nós como plataforma estável e consolidada, a partir da qual nos lançamos ao mundo na busca desenfreada pela realização dos nossos planos e sonhos. Neste sentido, do ponto de vista da Filosofia Ribasa, vivemos uma inversão, ou seja, utilizamos o espírito para realizar o mundo e não o mundo para realizar o espírito. E assim, nós desconectamos o nosso espírito da nossa história individual. Mesmo que ainda viva a centelha do espírito em cada um de nós, enviando desesperadamente seus sinais, nós temos interpretado o caminho para sua realização de forma equivocada.

É por isso que falamos em ALQUIMIA QUÂNTICA. Alquimia no sentido de que você precisa deixar de se considerar como plataforma estável e consolidada, colocando-se na perspectiva da mudança, da transformação de sua vida do ponto de vista interior. Desta forma você estabelece uma dinâmica na qual você passa a transformar o mundo na mesma medida em que este transforma você. Este é o chamado do espírito, que quando atendido e vivenciado no tempo, dá sentido pleno, um novo sentido, aos seus dias, trazendo a perspectiva do milagre para cada momento vivido.

Quanto à dimensão QUÂNITCA, esta aponta para a necessidade de superarmos a ilusão  de que as coisas são separadas, proposta para seguirmos rumo a um novo patamar de existência que será fundamentado em uma nova consciência, uma nova percepção, esta ainda desconhecida para a maioria de nós. Recomendo neste sentido, novamente, o documentário chamado WHAT THE BLEEP DO WE KNOW – AFINAL QUEM SOMOS? Ele aponta para coisas muito interessantes, compondo o acervo de ferramentas que podemos utilizar para desenvolver a Visão de Montanha, da qual já falamos.

E é justamente dentro da perspectiva indicada por estas duas dimensões que eu propus que você leitor passe a realizar pequenas tarefas de trabalho doméstico. Principalmente para aqueles que ainda não o fazem, independentemente de ser homem ou mulher, não importa a idade, eu propus que passassem a fazer coisas simples do dia a dia, como arrumar o quarto, a cama, lavar a louça, lavar e passar a roupa, limpar o chão e o banheiro. Pode inicialmente ser apenas uma destas, regularmente, mas nunca mecanicamente. A proposta é que estas atividades sejam feitas com atenção, com foco total, sentindo cada momento e mantendo a atenção na ação. Há de se dar importância a cada gesto, no caso da cama, como se  arrumando a cama de um rei, no caso, você mesmo. Assim deve-se trazer uma dignidade ao fazer, um silêncio. E ao final, deve-se admirar a obra, sentindo o seu impacto sobre o seu espírito.

Se você trabalhar desta forma, você estará estabelecendo um novo reino, o seu reino alquímico quântico, que mais tarde vai se expandir, expandir, até abranger o mundo todo... até mesmo o Universo, como veremos em próximos artigos.

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